"100 anos de Athos Bulcão" segue em circuito nacional

"100 anos de Athos Bulcão" segue em circuito nacional

 Em cartaz em SP, a mostra já passou por Brasília e BH, e chegará ao Rio em outubro 

   A exposição é comemorativa dos cem anos do artista, comemorados no dia dois de julho. Em trajetória de vida de 90 anos, Athos Bulcão (1918-2008) deixou um legado que principalmente oferece novo  s processos de construção da obra. Marília Panitz e André Severo assinam a curadoria e selecionaram pelo menos 300 trabalhos - alguns inéditos - realizados entre os anos 1940 e 2005. Estão incluídas também produções de outros artistas que dialogaram com as obras de Athos Bulcão. A imagem acima, detalhe da fotografia de Vicente de Mello, mostra a interatividade trazida nessa exposição para envolver o visitante. Um aplicativo foi desenvolvido especialmente para promover essa relação do público com obras que estão em espaços públicos, partindo apropriação de projetos criados por Bulcão. 

 Obra de Athos Bulcão em livro-acervo na Fundação Athos Bulcão

Obra de Athos Bulcão em livro-acervo na Fundação Athos Bulcão

 Além dos azulejos

A mostra é dividida em núcleos e faz um recorte que vai acrescenta obras produzidas por Athos Bulcão fora da Azulejaria, como as pinturas figurativas realizadas entre 1940 e 1950. "A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária – afirma a curadora Marília Panitz, ressaltando que Athos Bulcão utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral do Distrito Federal.

 Athos Bulcão, "A vida de Nossa Senhora", pintura na Catedral de Brasília

Athos Bulcão, "A vida de Nossa Senhora", pintura na Catedral de Brasília

História e interação 

   A exposição reúne inúmeros objetos que pontuaram a vida do artista. São os croquis feitos para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro; os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou  quando estava em Paris.

 As fotomontagens representam um momento único na trajetória fascinante de Athos Bulcão

As fotomontagens representam um momento único na trajetória fascinante de Athos Bulcão

   Segundo o curador André Severo, a exposição combina "o viés cronológico com uma aproximação temática entre diferentes momentos da trajetória do artista e se
estrutura a partir de núcleos de obras e estudos que se interpenetram e deixam evidente a diversidade conceitual e material". 

 Produções a partir de fotomontagens integram esta mostra em rara apresentação ao público

Produções a partir de fotomontagens integram esta mostra em rara apresentação ao público

Núcleo 1 – A cor da fantasia

Com figuras simplificadas e uma paleta particular, as cores puras e os tons terrosos predominam. O universo imaginário do artista formalmente aproxima as festas
profanas com as imagens religiosas que produziu, ainda no início dos anos 1960, para a Catedral de Brasília. Nesse núcleo estão também as vestes litúrgicas e projetos para painéis e vitrais de igrejas, assim como os desenhos realizados no final da vida do artista, quando o tema do carnaval que aparece como lembrança ancestral, reaparece. As fotomontagens são um momento único na obra de Athos Bulcão.

No Núcleo 2 – Devaneios em preto e branco

As obras apontam para certo pensamento tributário das experimentações
surrealistas e de certa vertente construtiva presente nos desdobramentos da experiência da
Bauhaus. Trata-se também da utilização daquilo que o aprimoramento do offset e das revistas
possibilitou. Aqui é possível identificar a maestria da composição associada a um viés de humor.
Além das Fotomontagens pertencentes ao acervo da Fundação Athos Bulcão, a mostra exibe pela primeira vez as colagens que deram origem a elas – todas pertencentes a uma coleção particular.

Núcleo 3 – É tudo falso

Na abertura desse Núcleo, surge o artista segurando uma máscara que é a reprodução
de uma outra, ancestral. O título do núcleo toma uma fala de Athos Bulcão que questionava a ideia de originalidade e, portanto, a de falsificação, assim como outros artistas seus contemporâneos. Junto a essas “pinturas objetos” estão pinturas, gravuras e desenhos em torno do mesmo tema da documentação antropológica imaginária. Ainda estão presentes alguns dos bichos – coleção de esculturas criadas em pequena escala, à maneira dos seres imaginários de Borges, e depois construídas em tamanho maior para ajudar o desenvolvimento do aparelho locomotor das crianças da Rede Sarah de hospitais.


No Núcleo 4 – A geometria e a poesia

Nesse setor da exposição, observa-se o grande colorista Athos Bulcão e sua paleta de cores. Em um tríptico estão reunidos os três vieses desse grupo de obras pictóricas desenvolvidos entre o final dos anos 1960 e os anos 1990: as máscaras, que quase desfaziam a figuração; a associação de recortes quadrados que se espalhavam sobre o fundo monocromático; e as texturas com pequenos círculos, pontos, cruzes, quase ideogramas particulares criados pelo artista, que se espalham por toda superfície da tela e definem, sutilmente, formas que parecem instáveis dando-se a ver e desaparecendo sob o olhar do observador. Em diálogo com as telas, estudos de painéis de azulejos, desenhos e gravuras que comprovam o parentesco conceitual nas diversas experimentações: coerência e diversidade.

Núcleo 5 – A forma reinventada e seus modos de usar

São as experiências do artista em diversos campos como capas de revistas e livros, ilustrações de jornais, projetos de estamparia em lenços e capas de discos. Também são apresentadas suas incursões no teatro – em especial, junto ao grupo O Tablado, de Aníbal Machado – onde foi cenógrafo e figurinista, além de designer dos programas das peças. Os projetos para mobiliário, realizados em residências particulares e também para a Rede Sarah, completam esse núcleo. É um bom momento para refletir como, a partir de uma clara proposta estética e conceitual, o artista se aventura por outros campos de fazer.

Núcleo 6 – Construções/Montagens: a invenção de uma forma de integração da arte à arquitetura

Este é o maior núcleo da mostra. Dele fazem parte os trabalhos que evidenciam essa
integração reconhecida em muitas cidades no Brasil – Brasília (mais massivamente), Belo
Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Natal, Recife, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Teresina,
Cuiabá, Aracajú, Vitória – e no exterior – Buenos Aires (Argentina), Praia (Cabo Verde), Lagos
(Nigéria), Nova Delhi (Índia), Milão (Itália), Saint-Jean-Cap-Ferrat (França). Nesse conjunto de obras é possível observar o método do artista, sua precisão e sua abertura para a surpresa, para o inesperado, o que mantêm sua obra com um frescor perene.
À maneira de um jogo, o visitante é convidado a interagir e apropriar-se de projetos de painéis de azulejos (marca maior do trabalho do artista). O exercício proposto no Núcleo 7 – Interagir com Athos Bulcão, transformar a cidade – ocorre através da utilização de um aplicativo desenvolvido especialmente para a mostra. A reprodução de imagens projetadas na parede da sala permite que o público possa experimentar os azulejos de Athos Bulcão sobre superfícies de prédios escolhidos dentro do repertório oferecido pelo jogo.


Núcleo 8 – Rastros de Athos Bulcão

Este espaço foi destinado a obras de artistas contemporâneos que reconhecem de alguma forma a presença de Athos Bulcão em suas poéticas. E essas obras são exibidas junto a obras de Athos Bulcão, que correspondem a esta zona de influência.

Término no dia 15 de outubro de 2018, às 21h

Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo

Mais sobre Athos Bulcão aqui no Atelier.guide: https://www.atelier.guide/home/azulejos-de-athos-bulco-em-resumo-no-recife?rq=athos

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