Londres quer "efeito Tate" para o Design

Londres quer "efeito Tate" para o Design

O espaço triplicado exibe a Coleção de 3000 peças e permite a montagem de pelo menos duas exposições temporárias

O novo Museu do Design de Londres reaberto no dia 24 de novembro, com entrada franca, mostra, pela primeira vez, sua coleção de pelo menos 3.000 objetos. O espaço é três vezes maior do que o anterior, que ficava perto da Tower Bridge. O investimento foi de 83 milhões de libras. "Precisamos fazer na Inglaterra algo pelo Design, como a Tate Modern fez pela arte contemporânea", disse o diretor do Museu, Deyan Sudjic, em uma conferência de imprensa.

A coleção do Museu, que abrange design industrial, gráfico, moda e arquitetônico, ganhou projeções ampliadas no novo espaço, um vistoso edifício dos anos 60 que foi remodelado pelo escritório de arquitetura OMA. O interior do Museu tem a assinatura do arquiteto John Pawson. Localizada no centro de Londres, na Kensington High Street, onde funcionou o Instituto Commonwealth, a construção se destaca por ter um impressionante telhado hiperbólico parabólico.

A manutenção do novo Museu se coloca como um desafio, apesar da doação do desenvolvedor do site. O designer Terence Conran, que fundou o Museu em 1989, deu 17,5 milhões de libras (incluindo 10 milhões da venda do antigo local do Museu). Os principais subsídios incluem financiamento no South Bank, 4,9 milhões de libras do Heritage Lottery Fund e três milhões do Arts Council England. O objetivo do empreendimento com a nova localização, a duas paradas de metro do Museu Victoria&Albert, é atrair mais de 500.000 visitantes logo no primeiro ano de funcionamento, promovendo um cruzamento entre o Museu do Design, o Museu da Ciência e o Museu V&A.

Olhar o processo com abordagem interativa  

O amplo espaço do novo Museu permite agora apresentar mostras mais completas. Logo na entrada, os visitantes são recebidos por centenas de objetos de consumo diário que foram selecionados pelo público no site do Museu antes da reabertura.

A exposição permanente da Coleção do Museu abrange a História do Design, destacando objetos influentes num passeio que inclui produtos de Braun da década de 1960 aos atuais da Apple.

Para a reabertura, foram montadas duas mostras temporárias. Onze instalações recentemente comissionadas que examinam as emoções humanas compõem "Medo e Amor: reações a um Mundo Complexo" e a exposição "Beazley Designs of the Year" reúne os trabalhos dos vencedores do Prêmio. 

Os projetos favoritos dos curadores

Para cada uma das três exposições em cartaz neste programa de reabertura do Museu, os curadores noticiaram suas obras preferidas. Alex Newson é curador sênior do Museu e escolheu um ousado projeto de informação. Ele conta que "um dos projetos de design de informação mais ambiciosos e eficazes jamais executados na Grã-Bretanha é o sistema de sinalização rodoviária e de autoestrada. Antes do sistema nacional unificado, as autoridades locais produziam sinais de acordo com seus próprios critérios e freqüentemente usavam palavras em vez de imagens. Jock Kinneir e Margaret Calvert introduziram pela primeira vez os seus sinais para a nova autoestrada M1. Eles passaram a redesenhar todo o sistema britânico de sinalização rodoviária de 1957 a 1967". A exposição permanente apresenta uma reprodução em escala real de um dos sinais de autoestrada em escala real de Kinneir e Calvert.”  

Na exposição do prêmio "Beazley Designs of the Year", a curadora da mostra Gemma Curtin destacou o projeto "Melhor Abrigo", de 2016, que traz a discussão da migração, desenhado por Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer e Tim de Haas, em parceria com a Fundação Ikea e o ACNUR. Ela afirma que "esse projeto resume o Prêmio 'Beazley Designs of the Year' e mostra como a indústria de design pode usar suas habilidades e conhecimentos para resolver uma questão real e urgente - a de abrigo temporário para pessoas deslocadas. Better Shelter desenvolveu habitação mais segura e mais digna para aqueles que foram afetados por conflitos armados e desastres naturais". O Museu está exibindo tenda, embalagem, instruções, imagens e um filme.  

O curador-chefe da mostra temporária “Medo e Amor: Reações a um Mundo Complexo”, Justin McGuirk, escolheu como obra favorita a "Sala de Estar Pan-Européia" criada pelo arquiteto John Pawson/OMA. "Equipada com objetos de design de cada um dos 28 Estados-Membros da EU, a instalação é uma resposta ao recente voto da Brexit. A obra propõe que a nossa própria noção do interior doméstico tenha sido moldada por um ideal de cooperação e comércio europeu. A peça central é uma cortina vertical na forma da bandeira de código de barras projetada pelo OMA para a EU”, diz McGuirk. 

Reabertura do Museu do Design de Londres
Exposição permanente de 3.000 peças da Coleção
"Medo e Amor: reações a um Mundo Complexo"  - Término em 23 de abril de 2017
"Bezley Designs of the Year" - Término em 19 de fevereiro de 2017
Os elementos urbanos de Marcela Gontijo

Os elementos urbanos de Marcela Gontijo

Megamostra marca 200 anos da EBA/UFRJ

Megamostra marca 200 anos da EBA/UFRJ