MAM Rio remonta “Atensão” de Zilio

MAM Rio remonta “Atensão” de Zilio

Em 1976, artista falava em "Tempo de tensões, pressões e (des)equilíbrios"

O terceiro andar do MAM Rio voltou no tempo para revisitar a primeira individual de Carlos Zilio. Em 1976, a exposição “Atensão” fazia parte de um Programa da Área Experimental do Museu. Hoje, quarenta anos depois, Carlos Zilio tem reconhecimento internacional, realizou 38 mostras e teve sua pintura "Cerco e Morte”, de 1974, adquirida há dois anos pelo MoMA de Nova York, integrando a exposição “Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America, 1960-1980”, de setembro de 2015 a janeiro de 2016.

A instalação “Atensão” é formada por materiais de construção, como madeira, tijolos e pedras, articulados em equilíbrio precário e com o som incessante de um metrônomo, e remete o espectador a uma relação com a tensão. Carlos Zilio afirma que remontar a exposição possibilita recriar uma fase da sua produção e, simultaneamente, situar a inserção e pertinência deste trabalho hoje.

A exposição tem coordenação geral de Vanda Klabin e coordenação de montagem de Jaime Vilaseca. Ele está reconstituindo o conjunto de oito obras, que pertence à Coleção MAM Rio de Janeiro. Vanda Klabin destaca que a mostra individual de Carlos Zilio “tem caráter retrospecto, exibida agora após 40 anos, e foca uma produção estética investida de um alto teor político, uma arte engajada e com intensos posicionamentos críticos”.

Texto de Zilio

Para a "Atensão" de 1976, o então novato Carlos Zilio escreveu um texto que foi publicado no folder da exposição. Agora, nesta remontagem, o mesmo texto aparece na parede do Museu. A seguir, a reprodução da mensagem do artista na íntegra.

“A leitura da exposição deve partir do princípio de que o seu objetivo está presente nos mínimos detalhes. As partes existem em função do todo; isoladamente, ficam sem sentido.

Os elementos constituintes de cada peça estão relacionados necessariamente entre si. Alguns sustentam, outros são sustentados em um equilíbrio precário.

A matéria é importante. Tábuas, tijolos, cabos de aço, pedras. Materiais de construção, prestes a desabar.

A direção do projeto é dar margem à formação de uma ampla articulação de conceitos que envolve o campo psicológico e o social; os significados objetivos e subjetivos interligados: um som (o seu ritmo), a pedra por um fio (a quase ruptura).

Há em alguns trabalhos uma ligação direta com a física. Mas, quando transposta para a área da exposição, tem o seu sentido modificado, servindo o museu como o elemento consagrador do conceito de arte.

O trabalho não respeita nenhuma ideia de estilo; as modificações ocorrem em uma lógica que busca a superação das contradições internas da minha produção e impedem a manipulação comercializante, procurando um relacionamento crítico com o sistema da arte.

A linguagem está imersa na minha fantasmática, mas é preciso situar o projeto historicamente. O meu e o nosso tempo. O meu e o nosso universo. Tempo de tensões, pressões e (des)equilíbrios.”

"Carlos Zilio - Atensão"
Abertura em 3 de dezembro de 2016, das 15h às 18h
Término em 5 de março de 2017
 
No dia 8 de dezembro, às 16h, conversa aberta ao público sobre o contexto político da época, com o artista, os curadores do MAM, Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, e ainda o crítico Ronaldo Brito, que em 1976 integrou a Comissão Cultural do Museu,
responsável pela Área Experimental.
Obras de Fayga Ostrower de 1940-50 no “Encontros de Colecionadores”

Obras de Fayga Ostrower de 1940-50 no “Encontros de Colecionadores”

Guarnieri mostra Liuba Wolf de 1965

Guarnieri mostra Liuba Wolf de 1965