“Homem e Mulher” faz dez anos e Tamara lança “Não me deixe”

“Homem e Mulher” faz dez anos e Tamara lança “Não me deixe”

A artista mostrou a recente escultura, em bronze, no VOLTA de Nova York

   Fundada em 2005 por Kavi Gupta, Ulrich Voges e Friedrich Loock, a feira VOLTA reúne artistas contemporâneos e galerias para duas ocasiões internacionais de Arte – VOLTA Basel e VOLTA NY. A edição Suiça de 2016 convidou artistas georgianos e, este ano, em Nova York, eles foram um dos principais destaques da edição que aconteceu em março, tendo entre os participantes a celebrada Tamara Kvesitadze, representada pela Galerie Kornfeld, Berlim. Na imagem, “Homem e Mulher”, escultura monumental de Tamara, instalada em 2010, em Batumi, Georgia.

Tamara Kvesitadze, Não me deixe, 2017, bronze, 70 x 66 x 90 cm

Tamara Kvesitadze, Não me deixe, 2017, bronze, 70 x 66 x 90 cm

Oriente + Ocidente

   Comemorando a 10ª edição, VOLTA NY, ocupou em março o Pier 90 com 96 galerias que investem em mostras individuais. Segundo a diretora da Feira, Amanda Coulson, o VOLTA NY visa principalmente ser "uma força inspiradora para a descoberta artística". A Feira notabilizou-se não apenas por privilegiar as apresentações solo, mas por ser um ponto unificador entre o Oriente e o Ocidente. Norteando o público para reflexões sobre questões separatistas da humanidade, a obra apresentada por Tamara Kvesitadze superou expectativas na Feira. “Não me deixe”, versão em bronze, renova, como que de um posto do presente, os mesmos conflitos trazidos há dez anos por “Homem e Mulher”. Os organizadores de Volta já confirmaram a próxima edição da feira em Basel, em junho, no mesmo período da Semana de Arte.

Georgia - Um país na fronteira

   Localizado entre o Ocidente e o Oriente, do Norte e do Sul, no Cáucaso, Georgia, 25 anos após a dissolução da União Soviética, se desenvolve apostando na magia da transformação. Fazendo uma homenagem aos laços que a humanidade pode ou não desenvolver, a escultura “Homem e Mulher”, de Tamara Kvesitadze, transcende a simbologia daquela história de amor e passa a representar em Batumi um passado recente, um presente de dúvidas e um futuro que precisa ser planejado naquela região.  A ferrovia para Batumi percorre uma longa distância na costa oriental do Mar Negro. Ao se aproximar do norte da cidade, seu horizonte se parece com uma versão em miniatura de Dubai. São edifícios fabulosos, arranha-céus imponentes construídos com vidro, aço e transparência. Se de dia, a urbe abriga empresas de negócios, à noite ela exibe jogo de cores e luzes que a transformam em atração turística fantástica. O visual tecnológico traz uma modernidade que beira ao exagero, mas tudo é compensado quando em meio a palmeiras iluminadas é possível observar um palco montado a partir do "Sonho de uma Noite de Verão".  Como no clímax do filme lançado em 2016 sobre a novela escrita em 1937, no extremo Norte de Batumi, no topo da avenida, à beira mar, o passante fica anestesiado ao observar a escultura cinética de Tamara Kvesitadze.

Tamara Kvesitadze, Homem e Mulher, 2010, metal e fibra de vidro, 7 m, em Batumi, Georgia

Tamara Kvesitadze, Homem e Mulher, 2010, metal e fibra de vidro, 7 m, em Batumi, Georgia

Amor cinético

   A escultura “Homem e Mulher” desenhada em 2007 por Tamara Kvesitadze. A peça instalada em Batumi em 2010 é constituída por anéis de metal e possui mecanismo que promove aproximação e afastamento, com extrema leveza, de duas representações – uma do masculino e outra do feminino. Essas partes se movem, se encontram e se encostam como que se fundissem em apenas uma, e depois se afastam novamente. Tamara criou a escultura inspirada no popular romance “Ali e Nino”, de Kurban Said, lançado em 1937, na Georgia. Mas, a obra oferece reflexões sobre outras preocupações que recaem sobre aquela Região.

Fronteiras ideológicas

   A escultura “Homem e Mulher”, que em Batumi foi rebatizada de “Ali e Nino”, representa, ainda, e talvez principalmente, as fronteiras que apesar de supostamente derrubadas permanecem incutidas na sociedade mundial. O Portão de Brandenburgo, em Berlim, foi aberto e o muro da fronteira soviético-comunista x capitalista-ocidental derrubado fisicamente, mas os blocos ainda se encontram em regime de divórcio. Batumi e Baku, no Mar Cáspio, são duas cidades que vivem essa situação atual, como Kiev, Odessa ou Istambul, entre outras tantas no Planeta que estão em meio a conflitos permanentes impostos, não somente no Oriente, por potências de guerra e domínio, e sem querer perder suas maiores riquezas se aventuram no mundo globalizado.  A obra de Tamara Kvesitadze simboliza, naquele local, a esperança de que tudo pudesse acontecer sem conflitos.

Tamara Kvesitadze, Esfera, 2011, silicone, metal, fibra de vidro, mecânica, Ø 190 cm

Tamara Kvesitadze, Esfera, 2011, silicone, metal, fibra de vidro, mecânica, Ø 190 cm

Trajetória da artista

   Tamara Kvesitadze nasceu em 1968 em Tbilisi, Georgia; formou-se em Arquitetura. Mostra mais recente em galeria, foi em 2016, em Los Angeles (EUA). No currículo, expõe desde 1996 em Londres, Berlim, Paris, Genebra, Nova York, Goes, Washington D.C. Participou de duas Bienais:  2011 (individual) e 2007 (coletiva) - Bienal de Veneza no Pavilhão Georgiano.

Romance filmado

   Mesmo com a escultura de Tamara, a história criada por Said ainda não é popular no Ocidente. No ano passado foi lançado um longa metragem no Cinema, de Asif Kapadia, que também realizou “O Guerreiro” e o documentário “Senna”. O filme “Ali e Nino” repercutiu os conflitos eternos entre modernidade e tradição. A história de amor pode ser comparada a grandes paixões como Romeu e Julieta, mas traz principalmente discussões importantes sobre religião e guerra. A fita mostra a capital do Azerbeijão, Baku, cidade multiétnica em vésperas da Primeira Guerra Mundial, onde vive Ali Khan Shirvanshir, um jovem muçulmano xiita, de uma família de aristocratas, que se apaixona por Nino Kipiani, uma adolescente de uma família cristã que pratica valores tradicionais e conservadores europeus. O amor enfrenta o espectro da guerra, o abismo cultural e as imposições religiosas - presentes hoje em vários pontos do Planeta.

Tamara Kvesitadze, Sem Título, 2013, aquarela, 40 x 31,5

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