A arte total de “Mondrian e o Movimento De Stijl”

A arte total de “Mondrian e o Movimento De Stijl”

O panorama apresenta cerca de sessenta obras entre pinturas, desenhos de arquitetura, mobiliário e fotografias

Fundado em 1917, o Movimento reuniu artistas da vanguarda moderna holandesa, tendo como ícone o pintor Piet Mondrian. De Stijl (“O Estilo” em tradução literal) era formado por artistas que elaboravam um tipo de “arte total”, usando cores primárias para criar obras sem restrições, claras e limpas, como eles imaginavam que deveria ser o futuro da Arte. A exposição, que tem curadoria de Pieter Tjabbes, mostra também o percurso de Mondrian, da figuração à abstração, que, se por um lado influenciou a vanguarda e criou o De Stijl, por outro conheceu e se aproximou de outros movimentos artísticos. 

A moda na De Stijl

A moda na De Stijl

As influências em Mondrian

A trajetória de Mondrian (1872-1944) começa em 1892, quando ele entra para a Academia Real de Artes Visuais de Amsterdã. Nessa época, produziu paisagens carregadas de cores escuras, que caracterizavam a pintura holandesa do século XIX. Mas, Mondrian se interessou pelos movimentos artísticos que aconteciam na Europa, como os pós-impressionistas franceses; as cores e pinceladas vigorosas de Van Gogh; ou o pontilhismo de Seurat. Seus tons foram clareando e suas composições ficando mais ousadas. Em sequência, após uma influência temporária do Cubismo, procurou formas de abstrair a realidade e buscar a essência da imagem.

Gerrit Rietveld

Gerrit Rietveld

De Stijl nas artes

Pieter Tjabbes, curador da exposição, ressalta que essa exposição foi organizada para que o visitante possa acompanhar o percurso de Mondrian “e entender que aqueles retângulos coloridos que povoam até hoje o imaginário do moderno, e são tão facilmente reconhecíveis, não nasceram de uma hora para outra, nem por acaso”. A exposição destaca a agitação provocada pela revista “De Stijl”, que agrupava designers, arquitetos e artistas para defender o neoplasticismo e a utopia da harmonia universal de todas as artes.

Um dos maiores exemplos de representação de Design é a cadeira Vermelha Azul, criada por Gerrit Rietveld entre 1917 e 1923. Rietveld desenhou e construiu uma casa para Truus Schroder-Schrader em 1924. Neste projeto, o artista aplicou a paleta de cores primárias privilegiando espaços abertos, luminosidade, ventilação e funcionalidade, rompendo com convenções arquitetônicas da época, levando, assim, o De Stijl para a arquitetura. A revista “De Stijl” circulou por 12 anos e seus princípios inspiraram artes plásticas, arquitetura, fotografia, design, literatura, tipografia e até mesmo moda.

Piet Mondrian

Piet Mondrian

Acervo ímpar

A maior parte do acervo é procedente do Museu Municipal de Haia (Gemeentemuseum, Den Haag), da Holanda, e Mondrian e o movimento De Stijl traz obras originais, maquetes, mobiliários, fotografia, documentários, fac-símiles e publicações de época que permitem compreender esta forma revolucionária de ver o mundo e as artes, que continua moderna desde 1917.

“Mondrian e o movimento De Stijl”
Término dia 9 de janeiro, às 19h
Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro

 

Retrospectiva da obra de Jorge Salomão

Retrospectiva da obra de Jorge Salomão

“Novo Cinema Indiano” traz inéditos ao Brasil

“Novo Cinema Indiano” traz inéditos ao Brasil