A biodiversidade na obra de Sandra Felzen

A biodiversidade na obra de Sandra Felzen

Na individual “Paisagem Imersa”, a artista mostra trabalhos que surgiram a partir de projetos do BRBio

 São 19 pinturas e colagens produzidas a partir da interação entre a Arte e os projetos do BRBio - Instituto Brasileiro de Biodiversidade. Sandra Felzen baseou-se em três projetos do ecossistema: Coral Sol, Restinga Viva e Ecorais. “A exposição reúne os olhares, da criação e da ciência, sobre o mundo costeiro marinho e tem como objetivos instigar o visitante a valorizar as questões ambientais e estimulá-lo a se aprofundar em uma experiência única”, explica Sandra.

 Os corais em destaque

 A artista se inspirou na fauna e na flora nativa marinha, mas os corais brasileiros ganharam sua atenção especial. A exposição inclui a vídeo instalação “Beleza Fatal”, do Instituto Brasileiro de Biodiversidade, que aborda especialmente o coral-sol, um invasor originário do Indo-Pacífico, que hoje é uma ameaça à biodiversidade do litoral brasileiro e de outros países das Américas.

 O olhar ambiental da artista

 Sandra Felzen é formada em química, mestre em ciências ambientais, e começou os estudos em artes plásticas nos anos 80, em Nova York. Realizou várias exposições individuais entre elas, Brasil é Nome de Árvoreno BACI (Washington/EUA); Estações no Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro/Brasil); terra no Centro Cultural Cândido Mendes (Rio de Janeiro/Brasil) e O Olhar do Outro no Centro Cultural Correios (Rio de Janeiro/Brasil). Além disso, participou de coletivas como a 5a  Bienal Internacional de Arte Contemporânea (Florença/Itália); Variations, Gwenda Jay Gallery (Chicago/EUA); America 500, Centro Recoleta (Buenos Aires/Argentina).

Sandra Felzen, SENdo TErra, QUErer SER ÁguaIII,  2015, técnica mista sobre tela, 152 x 98 cm

Sandra Felzen, SENdo TErra, QUErer SER ÁguaIII,  2015, técnica mista sobre tela, 152 x 98 cm

 Proteção e conservação do ambiente

 O Instituto Brasileiro de Biodiversidade - BrBio é uma organização da sociedade civil de interesse público que promove e implementa projetos de pesquisas básicas e aplicadas à sustentabilidade ecológica, social e econômica. Pautado no conhecimento científico, o BrBio tem como missão articular e integrar os diferentes setores da sociedade em busca de soluções para minimizar problemas ambientais, conservando a biodiversidade e contribuindo para uma melhor qualidade de vida da sociedade. “Essa exposição tem um significado enorme para nós da equipe do BrBio. Nosso Instituto é um agente de multiplicação do conhecimento científico através da articulação para a conservação da biodiversidade. E é a partir dessa visão que buscamos criar e executar projetos multidisciplinares em ambientes marinhos e regiões costeiras”, afirma Simone Oigman-Pszczol, diretora executiva do BrBio.

 “Mostrar aquilo que não se vê”

 A exposição, com design de Jair de Souza, está organizada em duas grandes salas. Em um espaço amplo, são apresentadas as pinturas e colagens de Sandra Felzen. Em um segundo ambiente, uma apresentação dos projetos do BrBio e uma pequena mostra de obras de Monica Carvalho e Antonio Bernardo, parceiros do Instituto. Jair de Souza, também assina o texto de apresentação: “a natureza é fonte de inspiração, intervenção, ocupação criativa e reflexão imagética desde os tempos primitivos até nossos dias. Ela nos instiga e nos faz pensar em quem realmente somos. A questão aqui é mostrar aquilo que não se vê, o que está imerso, de se embrenhar, absorver, mergulhar, trazendo à tona sentimentos em imagens de intensidade e verdade. Sandra Felzen tem essa energia e entrega legítimas pois sua pintura, colagem e escritura mais do que mostrarem a natureza da paisagem, revelam, sua própria natureza apaixonada e complexa pois resume sua formação acadêmica em ciências ambientais com a vocação artística. Utilizando e combinando livremente matéria-prima variada - areia, corais, fotografia, folhas vegetais -, Sandra refaz um mundo de sensações e doa suas visões espirituais, misturando seus mergulhos reais no mar de Búzios com a árvore da vida, sua cultura oriental milenar. Dessa forma une o mar, a terra e a alma. Esse projeto vai além ao trazer a pesquisa científica do BrBio realizada pelos biólogos-guerreiros que, de forma audaz e persistente, defendem nossa flora e fauna. Suas ações nos revelam e despertam para um curioso feito da natureza: ela mesma vai se consumindo com a chegada de seres estranhos e belos que acabam por devorar nossa frágil diversidade marinha. Trata-se de uma beleza fatal, pois aos poucos ocupa nossos corais nativos de maneira devastadora. Esse projeto tem a potência de trazer essa dualidade de visões da arte e da ciência, que dialogam entre si e se completam numa única paisagem. Vida, morte, renascimento. O que dá pra rir dá pra chorar”.
 

“Paisagens Imersas”
 Abertura dia 20 de dezembro, às 19h
 Término dia 24 de fevereiro de 2017, às 19h
 Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro
A visão singular de Agostinho Batista de Freitas no MASP

A visão singular de Agostinho Batista de Freitas no MASP

Orquestra Violões do Forte faz apresentação única

Orquestra Violões do Forte faz apresentação única