A exemplar Arte aborígene da Austrália

A exemplar Arte aborígene da Austrália

Exposição de obras da mais antiga cultura viva do Planeta traz reflexão sobre os impactos da colonização

  Com curadoria do brasileiro Clay D´Paula e dos australianos Adrian Newstead e Djon Mundine, “O tempo dos sonhos: arte aborígene contemporânea da Austrália” apresenta 70 obras escolhidas na significativa Coleção da Coo-ee Art Gallery, sediada desde 1981 em Sydney. A exposição inclui também obras de outras coleções privadas e de instituições governamentais australianas e faz um passeio pela produção contemporânea aborígene de 1970 até o presente. "Nós, brasileiros, tivemos, até hoje, poucas oportunidades de conhecer todo esse universo da arte aborígene da Austrália –  o que pode, inclusive, levar-nos a refletir sobre os povos indígenas de nosso país. O Brasil e a Austrália possuem muitas coisas em comum. Contribuir para aproximá-los e convidar ao diálogo é um dos objetivos dessa exposição", diz Clay D’Paula. A exposição traz obras de nomes importantes como  Emily Kngwarreye (1910-1996) - na imagem acima, "Sem Título", 1992, tinta acrílica sobre tela - considerada pela crítica como uma das maiores pintoras da abstração do século XX, e obras do celebrado pintor Rover Thomas (1926-1998) que, com suas paisagens de cor ocre, mudou a percepção paisagística australiana.

Clifford Possum Tjapaltjarri (1933-2002), "O Sonhar do Cachorro Selvagem na Estação Napperby", mais conhecido como "O sonhar de Possum", 1993, tinta acrílica sobre linho belga

Clifford Possum Tjapaltjarri (1933-2002), "O Sonhar do Cachorro Selvagem na Estação Napperby", mais conhecido como "O sonhar de Possum", 1993, tinta acrílica sobre linho belga

Filosofia indígena

  Além da Exposição reúne obras de artistas aborígenes de maior projeção internacional, apresenta as chamadas “bark paintings”, um tipo de pintura sobre entrecasca de eucalipto típica do norte da Austrália e uma das formas de expressão artística mais antigas do mundo, datando de mais de 40 mil anos. “A arte não é uma invenção dos europeus. Toda cultura tem a sua própria e singular forma de expressão: seja na música, na dança ou na pintura. Não existe diferença entre uma obra de arte criada no deserto e na cidade. Elas devem ser apreciadas e reconhecidas da mesma forma. Esta exposição vem descortinar tais pré-conceitos e ilumina e reconhece as obras criadas pelos artistas indígenas de todo o mundo”, afirma o curador Clay D’Paula.

Abie Loy (1974), "O Sonhar da Folha de Arbusto", 2008, tinta acrílica sobre linho belga

Abie Loy (1974), "O Sonhar da Folha de Arbusto", 2008, tinta acrílica sobre linho belga

  Os artistas aborígenes pintam os seus sonhos, mas para eles sonhar significa recontar estórias que são atemporais a fim de mantê-las vivas e repassá-las a futuras gerações. Não se trata de algo religioso, tem a ver com a sua sobrevivência. Essas pinturas contêm informações vitais, como por exemplo onde encontrar água permanente. Manter esse "Sonhar" vivo é a motivação fundamental para a prática da arte dos indígenas da Austrália.  

Sobrevivência

  Com status de arte contemporânea, essa produção australiana vem sendo cada vez mais valorizada e reconhecida. As peças dos aborígenes estão presentes em coleções de renomados museus, como o MoMA, de Nova Iorque, e são apresentadas em diversos eventos mundiais de Arte, como a Bienal de Veneza, a Bienal de São Paulo e a Documenta, em Kassel. Estima-se que, hoje, a arte aborígene australiana movimente cerca de 200 milhões de dólares por ano na Austrália e que mais de sete mil artistas indígenas vivam de sua prática. 

  Conhecer o conjunto de obras dos povos indígenas da Austrália pode ser uma forma do brasileiro ter oportunidade também de refletir sobre o impacto da colonização sobre os povos indígenas que viviam no Brasil. Reconhecer o potencial artístico dos ameríndios seria – segundo o Projeto desta exposição - uma forma de reconciliação com o passado, trazendo novas perspectivas.

  A mostra, que chega ao Rio de Janeiro depois de ter sido apresentada em São Paulo e em Fortaleza, nas outras unidades da Caixa Cultural, inclui atividades paralelas como visitas guiadas e oficina de conhecimento.

“O tempo dos sonhos: arte aborígene contemporânea da Austrália”

Abertura dia 14 de março de 2017, às 19h, com visita guiada pelo curador Clay D’Paula, com a participação da pesquisadora de arte indígena Germana Portella e do artista Karajá Xoha

Dia 22 de abril, às 15h, segunda visita guiada com a respeitada especialista em arte aborígene no Brasil, Ilana Goldstein

Dia 29 de abril, às 15h, oficina com o artista Eli Braga, que ensinará como o público pode criar objetos de design de alto valor estético com materiais recicláveis para o público a partir dos 10 anos

Término dia 14 de maio de 2017, às 21h

Caixa Cultural, Rio de Janeiro

 

 

 

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