“#DIVAS NÃO PEDEM PERDÃO” explora o universo feminino

“#DIVAS NÃO PEDEM PERDÃO” explora o universo feminino

Colchões-pinturas, palco, cruz e mastro de pode dance compõem a instalação de Lígia Teixeira

Usando, como suporte, colchões usados que foram dispensados nas ruas do Rio de Janeiro, a artista produziu pinturas abordando temas recorrentes no universo feminino como empoderamento, erotismo, afirmação do desejo. Tudo nesta exposição tem um significado proposital. O curador, Alexandre Murucci, criou um palco em formato de cruz onde os sete colchões-pinturas tamanho casal ficam dispostos e no centro foi instalado um mastro usado nas coreografias pole dance. Na reprodução acima, detalhe de uma das obras, publicada na íntegra no final desta postagem.

Na abertura da exposição, uma performance de pole dance motivou o público / Foto: Geraldo Valadares

Na abertura da exposição, uma performance de pole dance motivou o público / Foto: Geraldo Valadares

Exploração minuciosa

Ligia Teixeira não por acaso optou por usar colchões descartados como lixo nas ruas da cidade. Ela explorou toda a plasticidade dos tecidos que revestem os colchões, da estamparia original passando pelos acabamentos das costuras, valorizando a história destes objetos. Ligia aliou o perfil físico dos objetos às metáforas que remetem ao desejo e à paixão. O tema pictórico fecha esse processo criativo ao retratar dançarinas que vivem histórias no palco da pole dance. “Eu trabalho com a gênese do colchão, uma vez que todos eles guardam histórias, têm diversas procedências. Não é como trabalhar sobre telas em branco ou mesmo colchões virgens”, afirma a artista.

Divas flutuantes

“O desgaste do uso, o forro por vezes furado por um cigarro, a mancha e o suor deixados por corpos que ali se amaram, ou por alguém que sofreu a solidão de noites insones... tudo é matéria expressiva que se agrega à construção de novas narrativas. Mais do que tornar o ato de dormir confortável, colchões são objetos impregnados de simbolismo, aconchegam nosso corpo e poderiam contar a história íntima de nossas vidas. O fato de ser um colchão usado, independente do tema, vem impregnado com um conceito do uso do corpo, assumir o próprio corpo na intimidade”, analisa Ligia Teixeira.

Ligia Teixeira valorizou todas as marcas encontradas nos colchões usados para processar as pinturas

Ligia Teixeira valorizou todas as marcas encontradas nos colchões usados para processar as pinturas

“A presença do feminino é o tema onipresente na obra de Lígia Teixeira.  Mesmo quando ela lança seu olhar para congelar fricções sociais ou políticas, é a figura da mulher que se coloca protagonista. Nelas, há sempre um ato libertário, corajoso nos dias que seguem, porém natural no vocabulário da artista, que celebra nesta exposição 30 anos de trajetória. Nesta nova instalação, Lígia dá continuidade à sua série de trabalhos usando colchões – “objets-fetiches-trouvés” que transbordam vivências quase audíveis em texturas e manchas que a artista otimiza em suas camouflages, e de onde surgem suas divas que flutuam no ar”, observa o curador, Alexandre Murucci.

“#DIVAS NÃO PEDEM PERDÃO” – LIGIA TEIXEIRA

Término dia 13 de janeiro 2019

Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

Lígia-Teixeira_Divas-não-pedem-perdão-4.jpg



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