Adel Gonzaga apresenta obras em Braille no Benjamin Constant

Adel Gonzaga apresenta obras em Braille no Benjamin Constant

Individual promove diálogo e interação dos deficientes visuais com a Arte

   O artista plástico Adel Gonzaga começou a desenvolver o projeto Arte Braille a partir de preocupação em possibilitar que as obras pudessem ser tocadas por pessoas cegas ou com baixa-visão. São trabalhos abstratos e com mensagens em Braille, que ao serem tocados com as pontas dos dedos transmitem sentimentos, despertam a sensibilidade estética. E mais, além de conter mensagens em Braille expressas na superfície plana das telas, é permitido segurá-las com as mãos e num movimento aleatório de balanço elas apresentam sons produzidos por pequenas contas colocadas dentro dos objetos que compõem a escrita em Braille. Na imagem acima, "Você é a coisa mais linda deste mundo, amor!", 2016, colagem de recibos e objetos sobre tela.

Adel Gonzaga, Paz na vida!, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

Adel Gonzaga, Paz na vida!, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

Arte e Educação

   O Projeto de Adel Gonzaga é fruto da experiência profissional como arte-educador com alunos da Escola Municipal para Deficientes Visuais, em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. Esta mostra representa a busca de uma linguagem mais próxima do deficiente visual que no processo de conhecer utiliza os sentidos remanescentes para obter informações sobre o mundo que o cerca.

Adel Gonzaga, Silêncio, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 50 x 50 cm

Adel Gonzaga, Silêncio, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 50 x 50 cm

Linguagem visual

   O Braille foi criado pelo francês Louis Braille (1809- Seu pai, Simon-René Braille, foi um fabricante de arreios e selas. Aos três anos, provavelmente ao brincar na oficina do pai, Louis feriu-se no olho esquerdo com uma ferramenta pontiaguda e a infecção que se seguiu ao ferimento alastrou-se ao olho direito, provocando a cegueira total. Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia, Jacques Pallury, matricularam-no na escola local. Louis tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Com 10 anos de idade, Louis ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris). O fundador do Instituto Real, Valentin Haüy, foi um dos primeiros a criar um programa para ensinar os cegos a ler. As primeiras experiências de Haüy envolviam a gravação em alto-relevo de letras grandes, em papel grosso. Embora rudimentares esses esforços lançaram a base para desenvolvimentos posteriores. Apesar de as crianças aprenderem a ler com este sistema, não podiam escrever, porque a impressão era feita com letras costuradas no papel.

Adel Gonzaga, Bem-vindo, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

Adel Gonzaga, Bem-vindo, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

   Louis aprendeu a ler as grandes letras em alto-relevo nos livros da pequena biblioteca de Haüy. Mas também se apercebia que aquele método, além de lento, não era prático. Na ocasião, ele escreveu no seu diário: "Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar outra forma." Em 1821, quando Louis Braille tinha somente 12 anos, Charles Barbier, capitão reformado da artilharia francesa, visitou o Instituto onde apresentou um sistema de comunicação chamado de escrita noturna e que mais tarde veio a ser chamado de sonografia. Tratava-se de um método de comunicação tátil que usava pontos em relevo dispostos num retângulo e que tinha aplicações práticas no campo de batalha, quando era necessário ler mensagens sem usar a luz que poderia revelar posições. Assim, era possível trocar ordens e informações de forma silenciosa. Os pontinhos em relevo em papelão eram marcados e então podiam ser sentidos no escuro pelos soldados.

Adel Gonzaga,Sonora, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, diâmetro de 40 cm

Adel Gonzaga,Sonora, 2015, colagem de recibos e objetos sobre tela, diâmetro de 40 cm

   A escrita noturna baseava-se numa tabela de trinta e seis quadrados, cada quadrado representando um som básico da linguagem humana. Duas fileiras com até seis pontos cada uma eram gravadas em relevo no papel. O número de pontos na primeira fileira indicava em que linha horizontal da tabela de sons vocálicos se encontrava o som desejado, e o número de pontos na segunda fileira designava o som correto naquela linha. Esta ideia de usar um código para representar palavras em forma fonética foi introduzido no Instituto. Louis Braille dedicou-se de forma entusiástica ao método e passou a efetuar algumas melhorias. Nos dois anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código e conseguiu, com apenas 15 anos, em 1824, desenvolver um método eficiente e mais simples, com apenas seis pontos. Braille, em seguida, melhorou o seu próprio sistema, incluindo a notação numérica e musical. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no Instituto e, em 1829, publicou o seu método exclusivo de comunicação que hoje tem o seu nome. Exceto algumas pequenas melhorias, o sistema permanece basicamente o mesmo até hoje.

Adel Gonzaga, Seja amigo!, 2015, colagem e recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

Adel Gonzaga, Seja amigo!, 2015, colagem e recibos e objetos sobre tela, 60 x 30 cm

Inovações escondidas

   Apesar do empenho de Braille em divulgar o Método que criou, a inovação não foi facilmente aceita na sociedade, porque quem tinha visão não considerava a utilidade da invenção. Ao conhecerem o Método, muitos deficientes visuais apreenderam a usá-lo escondidos de familiares e o sucesso acabou sendo disseminado entre os próprios deficientes. No próprio Instituto aonde Braille lecionou o Método só foi oficialmente adotado em 1854, dois anos após a morte de Braille, que padeceu de tuberculose aos 43 anos.

“Arte Sensorial – Colagens”

Abertura dia 23 de maio, às 10h30

Término dia 9 de junho de 2017, às 15h

Centro Cultural do Instituto Benjamin Constant, Rio de Janeiro

MAM Rio faz panorama da produção de Franklin Cassaro

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Obras de arte nos 70 anos do revolucionário biquíni

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