"Ai Weiwei Raiz" arranca inúmeras reflexões do público em São Paulo

"Ai Weiwei Raiz" arranca inúmeras reflexões do público em São Paulo

Amplo espaço expositivo da Oca apresenta primeira individual do polêmico artista chinês no Brasil

Com curadoria de Marcello Dantas, o projeto de uma mostra individual de Ai Weiwei começou a ser desenvolvido há oito anos e é um dos maiores realizados pelo artista. Com o objetivo de reunir obras de grandes formatos e apresentá-las de forma inédita na forma original que foram criadas, na íntegra, o espaço expositivo não poderia ser melhor escolhido: a Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. São 70 obras ocupando oito mil metros quadrados de extensão. Algumas peças foram recentemente apresentadas na Argentina e no Chile. Na reprodução acima, detalhe da instalação “Forever Bicycles” com bicicletas da marca chinesa Forever, popular na infância do artista, foi criada em 2011.

Intercâmbio cultural

O maior destaque desta exposição é a troca cultural entre o Brasil e o artista Ai Weiwei. Nascido na China, ele produz uma Arte que promove questionamentos, traz o pensamento do espectador à tona, à reflexão. Weiwei polemiza ao abordar temas atuais, que movem as sociedades, principalmente as dominantes. É um ativista que cria obras e fala sobre elas em entrevistas e debates. Para confeccionar algumas peças, frequentou ateliês de artistas brasileiros e cada vez aprofunda mais conhecimentos sobre os lugares por onde passa, absorvendo comportamentos para inserí-los em suas produções com o seu ponto de vista crítico, moldado particularmente na China.

Visão ampliada

“Nesta exposição, priorizamos a forma de Weiwei pensar”, diz o curador. Cada obra do artista traz uma reflexão. “Reto”, por exemplo, pesa 164 toneladas e agrupa vergalhões de ferro desentortados, retirados de escombros de escolas chinesas após terremoto que atingiu a cidade chinesa Sichuan em 2008.

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Desde 2015, Weiwei optou por viver fora da China, depois de ter sido processado e preso por mais de 80 dias. Mas, ao criar suas obras não nega toda a carga que acumula de formação cultural e inclusive ressalta esse valor nas críticas que desenvolve através de sua arte sobre o mundo em que vivemos. Uma das obras, por exemplo, foi criada após Weiwei apoiar refugiados do Oriente Médio e da África que chegaram na Grécia.

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Algumas obras foram produzidas no Brasil em um galpão montado por Weiwei em São Caetano do Sul (SP), com a consultoria de designers brasileiros, como a polêmica "F.O.D.A.", feita com 1.200 moldes em porcelana de quatro frutos brasileiros, nomeada com as iniciais desses frutos - fruta do Conde, ostra, dendê e abacaxi.

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Ao lado de especialistas chineses e brasileiros, Weiwei conseguiu realizar uma obra inspirado nas raízes de um pequi-vinagreiro, espécie em extinção que encontrou morta na Mata Atlântica .

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O tema é a vida

“Demos prioridade a conectar e refletir sobre o processo mental de Weiwei, sobre o método que ele usa. Quando ele recupera fragmentos de ferro, como na obra “Straight”, ou raízes de um árvore para compor uma obra, vemos um jeito de trabalhar muito peculiar. O mesmo acontece quando ele movimenta toda uma comunidade no processo de produção das peças, porque a temática dele é a vida”, explica o curador Marcello Dantas.

“Ai Weiwei raiz”

Término dia 20 de janeiro de 2019

Oca, Parque Ibirapuera, São Paulo

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