Arquivo digital de Tranchesi em mostra na Estação

Arquivo digital de Tranchesi em mostra na Estação

Exposição de fotografias de Dani Tranchesi inaugura a programação da Galeria Estação de 2018

    Para inaugurar o ano de 2018, a Galeria Estação, comprometida a contemplar novos artistas envolvidos no circuito das artes, apresenta Caixa-clara, exposição fotográfica de Dani Tranchesi, com curadoria de Cassio Vasconcellos e Paula Braga.

 Mulher de lenço laranja, 2016

Mulher de lenço laranja, 2016

   Com 35 obras, a primeira exposição da paulistana é baseada em seu arquivo digital e composta de fotografias produzidas nos últimos dez anos em viagens de Tranchesi por mais de sessenta países. Balanceando a ação do fotógrafo, do fotografado e a do espectador, a artista desenvolveu uma forma única de produzir a fotografia e criar imagens complexas que exploram o papel dos três agentes.“Mais do que imagens, os objetos produzidos pela artista são caixas-claras que desafiam o aparelho mesclando os três participantes do triângulo amoroso (que é também triângulo de dominação) formador das imagens de mundo”, destaca Paula Braga, umas das curadoras.

 Floresta ou viaduto, 2016

Floresta ou viaduto, 2016

    O uso de camadas transparentes na série Mundos Hipotéticos ressalta o processo de acúmulo de imagens mentais por cima da imagem física captada pelo olho. Tranchesi mescla lugares da cidade, marcados pela construção humana, com paisagens naturais.“Assim, a fotografia de prédios em uma cidade pouco arborizada pode provocar a nostalgia e a memória da floresta, e o resultado é uma terceira imagem, que representa a paisagem urbana concomitantemente com o desejo pelo verde”, afirma Braga.

 Chinesinho, 2017

Chinesinho, 2017

    A série Fotopinturas, que explora o tema da fotografia documental eurocêntrica sobre as demais culturas, é marcada por grandes fotos coloridas de rostos em que a artista substitui os olhos dos retratados por olhos em preto e banco de quem os vê, muitas vezes os da própria fotógrafa. Em outra série o retratado aparece em caixas de acrílico, dissecado em lâminas. Penduradas no teto, as caixas trazem de um lado o retrato - habitante de um país distante – e do outro o olhar de quem o vê.

 Bacia com espelho, 2017

Bacia com espelho, 2017

    Já em Espelhos Negros, a fotógrafa explora o conceito das selfies e cria sobreposições de imagens que permitem a interação do observador com cada obra. As selfies da própria fotógrafa aparecem escondidas entre a transparência das várias camadas da imagem. Para a curadora Paula Braga, essa série é uma referência também às telas dos celulares que abriram o capítulo da selfie na história da fotografia.

 Bolhas de sabão, 2017

Bolhas de sabão, 2017

   Galáxias completa a exposição, e é formada por fotografias em que personagens estão sobrepostos a um espelho, fazendo com que o espectador apareça na última camada. “Por mais que ele queira ser o sujeito observador, não passa de segundo plano, e tem que se procurar atrás das barreiras, olhar pelos vãos das grades, desviar das bolinhas de sabão, se quiser ser objeto”, completa Braga.

 

 Dani Tranchesi - Caixa-clara

Abertura, dia 27 de fevereiro

Término, dia 27 de março

Galeria Estação São Paulo

 

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