Bittencourt abre coleção sobre Críticos de Arte

Bittencourt abre coleção sobre Críticos de Arte

“Francisco Bittencourt : Arte-Dinamite” é o primeiro lançamento de uma série para resgatar a memória da crítica de arte no Brasil

O auge do sucesso de Francisco Bittencourt (1933-1997) foi na década de 1970, quando assinou uma coluna de Artes Plásticas no jornal Tribuna da Imprensa entre 1974 e 1979; e colaborou com textos semanais no Correio do Povo entre 1975 e 1979. Seus artigos serviram para divulgar uma geração de artistas. São nomes que hoje apresentam carreiras consolidadas no setor, como Anna Bella Geiger, Artur Barrio, Cildo Meireles, entre outros. E batizou a produção artística daqueles anos 1970 de “Geração Tranca-Ruas”.

Os organizadores da publicação, o escritor Aristóteles Angheben Predebon e a curadora e crítica de Arte Fernanda Lopes, selecionaram cerca de 130 textos de Bittencourt que mostram os diferentes aspectos da sua produção crítica. É impressionante, e muito revelador, como os temas tratados por Bittencourt há mais de quatro décadas permanecem extremamente atuais”, ressalta Fernanda Lopes. “Sua postura generosa, atenta a atitudes novas, procura se opor não só ao que se faz de convencional em termos de arte, mas também em termos de crítica. É comum encontrarmos depoimentos de artistas sobre suas obras, discursos referidos, tentativas de elaboração e aprimoramento de caminhos próprios“, diz Aristóteles Angheben Predebon.

Disparos de letras

Francisco Bittencourt não escrevia somente sobre a produção dos artistas contemporâneos da época, ele comentava eventos importantes, como bienais e salões. E difundia a programação de instituições, principalmente o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu Nacional de Belas Artes. Mas Bittencourt tinha o lado crítico e não informava simplesmente. Dos espaços expositivos, ressaltava os problemas administrativos e precariedades nas instalações. Costumava questionar a ausência de alguns artistas em certas coletivas. Dele não escapava nem a própria Imprensa, que ele atacava quando importantes notícias não eram publicadas ou não recebiam o merecido destaque. 

O título do livro foi retirado de um texto de Francisco Bittencourt sobre a exposição de Artur Barrio, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, publicado no jornal Correio do Povo, em 3 de dezembro de 1978, onde ele destaca os Cadernos livros do artista. Ele termina a crítica, com um comentário ousado, sugerindo que aquela seria uma boa exposição para ser apresentada no Museu de Arte do Rio Grande. “Esses textos, (...) Em comum todos eles têm um olhar urgente e inconformado sobre os anos 1970 do Brasil, partindo do contexto artístico, mas que a ele não se limitam. E é isso que essa organização procurou enfatizar”, afirma Fernanda Lopes, que diz, ainda, que esses textos em conjunto “revelam um crítico comprometido, que não desassocia ética e estética, e que com seu humor ácido dedica-se a pensar não só a produção artística, mas também a produção da crítica de arte”.

Vida intensa

Francisco Badaró Bittencourt Filho nasceu em Itaqui (RS, 1933). Mudou-se com a mãe para Porto Alegre em 1948. Lá publica, em 1952, o livro de poemas “Vinho para Nós”. Passa a contribuir com revistas como a “Província de São Pedro”, da Editora Globo, e em suplementos literários. Aos vinte anos, muda-se para o Rio de Janeiro. Lança seu segundo livro de poemas, “Jaula Aberta”, em 1957. Vive no exterior durante quatro anos, de 1964 a 1968, contratado pela Rádio do Cairo. Volta ao Brasil e passa a exercer a atividade de crítico de arte, além de ter um emprego na Embaixada da Inglaterra – onde trabalhou por dez anos.  Escreve semanalmente, durante a década de 1970, para jornais como a Tribuna da Imprensa e Correio do Povo e contribui como interino no Jornal do Brasil, escrevendo eventualmente também para revistas como a Vozes. Publica artesanalmente dois números do “Budum”, com a colaboração de Artur Barrio, Caio F. Abreu e outros. Trabalha como tradutor do francês e do inglês; é sua a primeira tradução em língua portuguesa de “Germinal”, de Émile Zola. Em 1978, ao lado de Agnaldo Silva e de outros intelectuais homossexuais, funda o “Lampião de Esquina”, jornal dedicado sobretudo às questões de sexualidade, mas que também procura abarcar questões feministas, raciais, indígenas e ligadas às minorias de modo abrangente, além de questões artísticas e culturais. Sua atividade como crítico de arte é interrompida em 1980, ano em que também se debela um inócuo processo contra o “Lampião de Esquina”. Durante toda sua vida foi poeta, tendo publicado ainda outros livros, como “Pequenos deuses”, em 1995, “A vida inédita”, em 1996, e “Aquela mulher”, também em 1996. Faleceu em 1997, deixando diversos livros de poemas ainda inéditos, duas peças de teatro e o romance memorialista “O Homem dos Outros” ou “Bico!”, gíria que significa “cale-se!”.

Walmir Ayala no segundo volume

Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite (550 páginas/R$ 60) é o primeiro livro de uma série que será lançada pela editora Tamanduá Arte, visando o resgate da memória da critica de Arte no Brasil, especialmente da obra de importantes nomes desde a década de 1950. O segundo a ser lançado será sobre o crítico Walmir Ayala, com organização do professor da UFPE, Carlos Newton Junior, e do crítico literário Andre Seffrin.

"Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite"

Lançamento com debate no dia 10 de dezembro de 2016, às 16h, com participação

do crítico de arte Frederico de Morais e dos organizadores do livro

Paço Imperial, Rio de Janeiro

 

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