Brasil ganha MUMO - Primeiro museu público da Moda

Brasil ganha MUMO - Primeiro museu público da Moda

Belo Horizonte inaugura o Museu por iniciativa Municipal com plano estratégico para funcionamento

Durante os últimos nove meses, foi instituída uma comissão para a criação do Museu. Foram reunidos profissionais e funcionários do Centro de Referência da Moda (CRModa), funcionários da Fundação Municipal de Cultura e colaboradores da sociedade civil para a elaboração de um plano museológico - um planejamento estratégico para os próximos cinco anos, no qual consta sua missão, visão, valores, além de programas e metas. O MUMO ocupa o belo prédio com estilo manuelino, popularmente conhecido como Castelinho da Bahia, onde até então funcionava o CRModa.

Moda: bem cultural de BH desde 2012

O projeto do Museu da Moda surgiu há sete anos, no Museu Histórico Abílio Barreto - MHAB, quando coleções de diversos períodos da história da cidade começaram a ser reunidas. Em 2012, nasceu o Centro de Referência da Moda, que agora, transformado em museu, terá, além do acervo guardado no MHAB, sua própria reserva, e poderá abrigar mais peças.

Entre as doações que foram feitas, na época, destacam-se as coleções de Priscila Freire, Luis Augusto de Lima, Marília Salgado, Laila Kierulff, Eny Vargas, Astrid Façanha e Alceu Penna, oferecida pela família do mineiro ilustrador da coluna “As garotas do Alceu”, na revista “O Cruzeiro”. São cerca de 900 itens entre objetos, textual, bibliográfico e fotográfico. Alguns deles já foram apresentados em exposição no CRModa, inclusive na mostra “A Fala das roupas”, que inaugurou a instituição.

Com o reconhecimento da Moda como bem cultural da cidade, o CRModa de Belo Horizonte tornou-se um centro de design, criação, polo lançador de tendências e de negócios reconhecido nacionalmente. Foi responsável por inúmeros eventos culturais e educativos, consolidando uma posição de projeto bem-sucedido que possibilitou, em apenas quatro anos, sua transformação em Museu.

A conversão do CRModa em MUMO traz um ganho significativo para a capital mineira e para o meio da Moda, já que isto possibilita, entre outras vantagens, que a instituição entre para o catálogo do Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM, participando de suas atividades e com sua programação divulgada nacionalmente e internacionalmente.

Além do fato de, com esse status, possuir acervo próprio, garantindo, assim, a preservação da memória.

Valores socioeconômicos e culturais

A inauguração do MUMO contempla a exposição “=33 voltas em torno da terra – memória da indústria têxtil de Minas Gerais”, que foca a indústria têxtil mineira e sua relevância, contribuindo, não só para as economias locais, mas interferindo também socialmente e culturalmente nas comunidades onde se instalou, inclusive em Belo Horizonte. “O valor socioeconômico cultural dessa indústria foi comprovado ao longo da sua história. O objetivo de abordarmos esse tema é trazer para o público a importância que ela teve, merecendo ser resgatada através de investimentos e do produto nacional, para que volte a ser competitiva. Ainda hoje, esse é o segundo segmento que mais emprega no país”, explica Marta Guerra, gestora do MUMO.

Ela lembra que, ao longo da exposição, serão promovidos debates e palestras para provocar novas discussões e propostas sustentáveis de incentivo ao setor, berço da indústria de Minas, que, juntamente com a siderurgia, trouxe o desenvolvimento para o estado.

Uma intensa programação cultural, com entrada franca, de 6 a 15 de dezembro, foi especialmente montada para a inauguração do Museu. “É um presente para a população no aniversário da cidade. A cultura tem a obrigação de provocar mudanças e unir segmentos para influenciar novos comportamentos que sejam positivos para a sociedade. O Museu da Moda tem por obrigação pensar no futuro e seu papel no mundo contemporâneo”, afirma Marta Guerra.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas de Oliveira, “um museu moderno de moda deve falar do acervo e da vanguarda, e sua força para o setor faz parte dessa política – guardar, proteger, divulgar e fomentar os novos profissionais da área, que têm no amparo da cultura um lugar essencial para a pesquisa e desenvolvimento da moda, além dos negócios. Tudo isso dentro do macroprojeto da FMC e da Belotur de incentivar a indústria criativa”.

Exposição inaugural traz o Tecido como protagonista

Com curadoria de Antônio Fernando Batista Santos, a exposição “=33 voltas em torno da terra – memória da indústria têxtil de Minas Gerais” traz o tecido, elemento base da indústria da moda, com destaque para o algodão e a tecelagem plana. “Como o universo da indústria têxtil é muito amplo, resolvemos fazer um recorte focando o algodão. Estamos usando parte do acervo da Cedro Têxtil e do Museu de Artes e Ofícios – MAO, que foram emprestados para a montagem”, explica o curador, Antônio Fernando Batista Santos, doutor em Artes Visuais e coordenador do curso de Design de Moda da Fumec.

A exposição, com pesquisa da historiadora Doia Freire, foi montada de forma a apresentar a história por meio de mapas, gráficos e vídeos. Há referências à carta de Pero Vaz de Caminha, que comenta o uso de “panos enrolados ao peito” pelas mulheres, o que comprova que a indígena brasileira já usava o algodão em 1500; e às observações do botânico Saint Hilaire sobre tramas, teares e tingimentos, em sua passagem por Minas Gerais, onde a maioria das casas tinha teares ou rocas de fiar.

Com projeto expográfico do arquiteto Alexandre Rousset, cada sala, composta por instalações, promete remeter o público a uma fábrica de tecidos.

“Para a Cedro, parceira máster deste Projeto, que tem o algodão como principal matéria-prima, é muito gratificante poder compartilhar parte do seu acervo nessa primeira exposição do Museu da Moda, uma iniciativa que valoriza a cidade, a história e todo o mercado. Esse resgate ajuda a vislumbrar o quanto avançamos ao longo de nossa trajetória de 144 anos para chegarmos ao patamar atual, como uma das principais indústrias da moda hoje”, comenta Marco Antônio Branquinho, presidente da empresa.

“=33 voltas em torno da terra – memória da indústria têxtil de Minas Gerais”
Abertura dia 6 de dezembro
Término dia 30 de maio
Museu da Moda, Belo Horizonte
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