Chico Diaz estreia nas Artes Plásticas

Chico Diaz estreia nas Artes Plásticas

Artista mostra silenciosa produção de 20 anos em individual no Rio de Janeiro

   A exposição “Real imaginário – Risco! Traços e Gestos” cumpre duas funções. Traz a público o trabalho inédito de um artista que processa a Pintura há pelo menos duas décadas e marca com essa iniciativa o primeiro ano de abertura da galeria na Casa de Paulo Branquinho. “Ainda tenho muito a estudar. Nessa altura do campeonato, com tantos trabalhos feitos, mostrar meus quadros é uma graduação, uma possibilidade. As imagens chegam e tento trabalhar as ideias possíveis, elas vêm de dentro e trabalho para transmiti-las”, revela o artista. Com curadoria assinada pelo prestigiado Xico Chaves, a individual apresenta obras em tinta acrílica sobre tela, papel e madeira. “Não é possível estabelecer uma classificação formal para a pintura de Chico Diaz, mas há em sua obra uma coerência comportamental e estética na aplicação de cores e distribuição intensa da tinta sobre a superfície, de forma singular”, afirma o curador.

Tempo ganho

   Sem pretensões, a obra de Chico Diaz tem se constituído durante horas vagas ao longo de 20 anos. Formado em Arquitetura pela UFRJ, Chico chegou a trabalhar no escritório do arquiteto Helio Pellegrino. Mas nessa época ele também estava circulando pelo Tablado, referência na formação teatral, e optou por seguir a carreira de ator. Porém, nunca abandonou o talento com os traços e manteve a Pintura como um hobby. Pode-se afirmar que sua produção é intensa, porque era desenhando que ele “passava o tempo” entre um intervalo e outro de gravação. E “horas vagas” não faltaram para quem tem mais de 40 anos de carreira. No currículo, são pelo menos 60 filmes, entre produções nacionais e internacionais, curtas e longas. No teatro, são 18 peças, com destaque para a montagem de “Moby Dick” dirigida por Aderbal Freire-Filho e para o monólogo “A lua vem da Ásia”, adaptação do próprio com direção de Moacir Chaves. Na televisão, mais de 20 novelas. E durante todo esse tempo, Chico Diaz também esteve desenhando, misturando cores, desenvolvendo ideias. Para ele, “o que acontece é que no embate com a matéria, com o material ou com o imaterial, as cores, as manchas, as camadas passam a exigir um significado. Aí está a graça! Procurar ver que imagem ganha o direito de emergir”.

Estudos técnicos

   Chico Diaz é apaixonado pelo Jardim Botânico, bairro cartão postal do Rio de Janeiro. E essa é uma antiga paixão. Segundo dos seis filhos do intelectual paraguaio Juan e da tradutora brasileira Maria Cândida, Chico nasceu na Cidade do México, mas foi registrado na embaixada brasileira e muito jovem mudou-se para o Jardim Botânico. Ao longo de sua carreira, entre uma temporada e outra de trabalho, Chico costuma ir a pé ao Parque Lage e fez cursos livres na Escola de Artes Visuais, referência no setor. Cauteloso e exigente, Chico Diaz nunca exibiu sua produção antes. Mas, Xico Chaves, um dos poucos amigos que visita o reservado ateliê do artista, o convenceu a exibir sua produção silenciosa.

Harmonia anárquica

   Xico Chaves foi quem levou a proposta de realização da exposição ao galerista e produtor cultural Paulo Branquinho que, logo, abraçou a ideia. Em texto escrito especialmente para esta individual de estreia de Chico Diaz nas Artes Plásticas, Xico Diaz resume suas impressões com entusiasmo: “A pintura de Chico Diaz nasce de uma abstração aleatória, como se fosse uma nuvem de pinceladas que vai adquirindo forma ao longo do tempo, em um processo de climas superpostos. Dessa argamassa em movimento, emergem figuras e personagens que sugerem uma transmutação contínua, como se procurassem uma feição definitiva, mas que, em sua natureza mutante, revelam certa impermanência.  Ou deixa em aberto sua própria metamorfose, a natureza de sua gênese não definitiva, mas que ao final assume seu protagonismo. Para ele, certamente não existe obra acabada (como toda obra de arte). Existe, sim, um estado de conclusão, um desfecho temporário que sugere continuidade a qualquer instante. Poderá surgir outra nova fisionomia e outra interpretação sobreposta ou intermitente, mimetizada na turbulência pictórica, ou calcada com absoluta evidência. Afinal, essas figuras nascidas do imaginário são incorporações que parecem não ter fim e dão a impressão de que traduzem infinitas expressões simultâneas. Não é possível estabelecer uma classificação formal para sua pintura, mas há em sua obra uma coerência comportamental e estética na aplicação de cores e distribuição intensa da tinta sobre a superfície, de forma singular, resultando em uma anárquica harmonia, fluida, gestual e incisiva, ora com suavidade e organicidade, ora etérea e drástica,ao se apropriar de associações figurativas e simbólicas”.  

Trajetória densa e intensa

   Chico Diaz começou a trilhar o mundo das artes bem jovem. Iniciou seus estudos artísticos no Colégio Souza Leão, no Rio de Janeiro, com Carlos Wilson, que também era professor de O Tablado, de Maria Clara Machado, referência na formação de Teatro. Passou a frequentar O Tablado e juntou-se, então, a outros jovens para formar o “Manhas e Manias”, grupo de esquetes e linguagem circense que, durante anos, fomentaria e rediscutiria a linguagem do teatro infantil, ousando voos também no cenário adulto. Enquanto atuava no Grupo, formou-se em Arquitetura pela UFRJ. Chico Diaz foi fundador e um dos professores do movimento Circo Voador, no Arpoador e, posteriormente, na Lapa. Em 1980, visto por Sergio Rezende em "Diante do Infinito", o ator foi convidado a participar do filme "O Sonho não acabou", em Brasília, iniciando a partir dali uma sólida carreira cinematográfica com vários prêmios nacionais e internacionais.

“Real imaginário – Risco! Traços e Gestos”

Abertura dia 17 de março, às 19h

Término dia 8 de abril, às 19h

.Casa do Paulo Branquinho, Rio de Janeiro

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