Coloridas e inéditas de Robert Capa

Coloridas e inéditas de Robert Capa

O acervo contrasta com os registros de guerra que notabilizaram o fotojornalista

São 140 raros registros coloridos de artistas famosos com a família ou no trabalho (na imagem acima, Picasso com o filho Claude, 1948, França). Itinerante do International Center of Photography (ICP) de Nova York, fundado pelo irmão de Robert, o também fotojornalista Cornell Capa (1918-2008), a exposição “Capa em cores” apresenta fotografias até então desconhecidas do público. A curadoria é assinada por Cynthia Young, responsável pelo Acervo Capa no ICP. "Capa em cores" surpreende ao apresentar um outro lado de Robert Capa (1913-1954). Notável por ter registrado imagens de guerra em preto e branco, ele fez essas incríveis fotos coloridas, com filmes Kodachrome e Ektachrome, de personalidades do Cinema, Moda, Arte, Literatura.

Capa, 1941, Ernest Hemingway em momento particular com o filho Gregory

Capa, 1941, Ernest Hemingway em momento particular com o filho Gregory

Momentos íntimos

“Capa em cores” apresenta imagens de nomes como Humphrey Bogart, Hemingway, Ingmar Bergman, Roberto Rossellini, Pablo Picasso. São cenas íntimas de renomados com a família ou no trabalho em raro registro. Na exposição, fica evidente a capacidade do fotógrafo de se reinventar profissionalmente. Neste lado de seu trabalho, que contrasta com o percurso feito no registro de guerra, Capa aplica o que aprendeu com as experiências anteriores. A capacidade técnica e a sua preocupação em retratar as emoções humanas, que revelou nas imagens captadas nos conflitos, contribuíram para reafirmar o seu talento e olhar particular também na fotografia colorida. 

Filmes coloridos

A partir da década de 1940, Capa utilizou com frequência o filme colorido, mas o acervo estava esquecido diante de sua obra principal de cobertura de guerras. “Capa é considerado um mestre da fotografia de guerra em preto e branco, o homem que documentou alguns dos principais eventos políticos da Europa Ocidental em meados do século XX. Nenhuma das retrospectivas póstumas de seu trabalho incluía fotos coloridas, com raras exceções”, relata Cynthia Young, curadora da exposição. O interesse pelas imagens com cor começou em 1938. Enquanto cobria a Guerra Sino-japonesa, escreveu a um amigo de sua agência em Nova York solicitando 12 rolos de filme Kodachrome e instruções sobre como usá-los. Da primeira experiência com filme colorido, apenas quatro impressões foram publicadas. Mas o entusiasmo de Capa com a cor havia nascido. Segundo Cynthia, "começar a utilizar filme colorido demandou uma nova disciplina, mas também criou novas oportunidades. O trabalho em cores era uma tentativa importante de manter a agência Magnum (fundada por ele) no mercado, já que as revistas queriam mais cores no período pós-guerra". E completa, “(as fotos em cores) fez com que ele permanecesse relevante para os editores”.

Capa, 1951, a atriz Geraldine Brooks experimenta vestido no ateliê de Emilio Schuberth,  Roma

Capa, 1951, a atriz Geraldine Brooks experimenta vestido no ateliê de Emilio Schuberth,  Roma

Objetos pessoais

Além das imagens, a mostra apresenta objetos e registros pessoais como cartas, revistas que publicaram as suas fotos e até o áudio de uma entrevista – a única gravação existente da voz dele. Entre as cartas, várias correspondências com a equipe da agência Magnum sobre as suas coberturas fotográficas; com o irmão, Cornell, que o ajudava a vender as fotos, e, em especial, uma carta para a mãe contando sobre a vida em Londres, que revela o lado bem-humorado e divertido do fotógrafo.

Itinerância chega ao Brasil

“Capa em Cores” foi organizado pelo International Center of Photography e se tornou possível graças ao Comitê de Exposições do ICP e graças ao Departamento de Assuntos Culturais da Cidade de Nova Iorque em parceria com sua Câmara Municipal. Inaugurada em janeiro de 2014, em NY, a exposição já seguiu para Budapeste, Tours, Lille e Madrid, chegando agora ao Rio de Janeiro com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

Robert Capa

O fotógrafo nasceu em 1913 na Hungria. Tornou-se conhecido por suas lendárias imagens, em preto e branco, e suas coberturas de momentos dramáticos da História, como o desembarque aliado na Normandia, em junho de 1944. Ganhou reputação internacional por sua cobertura da Guerra Civil Espanhola, em 1936. Depois fotografou a resistência chinesa à invasão japonesa (1938); Itália, Inglaterra, França e Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1941-1945); a Guerra da Independência de Israel (1948). Fundador da Agência Magnum, Capa morreu em 25 de maio de 1954, fotografando a Guerra da Indochina, ao pisar em uma mina terrestre.

O Arquivo Robert Capa no ICP

Desde 2000, trabalh com a coleção no International Center of Photography (ICP), onde se encontra o Arquivo Robert Capa. Em 2007, trabalhou na retrospectiva “This Is War! Robert Capa at Work” e, desde então, atua quase que exclusivamente no Arquivo Capa. A obra tem inicio com fotografias da Inglaterra e do Norte da África, com tropas britânicas e americanas. Depois disso, Capa deixa a cor por alguns anos, por diversas razões técnicas e financeiras, e volta a usá-la novamente em 1947, para uma viagem à União Soviética, com John Steinbeck. “A Guerra Civil Espanhola (1936-39) foi coberta por Capa junto com seus parceiros Gerda Taro e David “Chim” Seymour. Os negativos ficaram desaparecidos por décadas, até serem enviados para o ICP em uma valise vinda do México. Recriar a sequência original de seus negativos sobre a Espanha a partir das transparências em cor, quase desconhecidas desde a sua publicação, foi um processo fascinante”, diz a curadora. Quase todas as suas obras sobre a Europa do pós-guerra e sua última viagem ao Japão e à Indochina foram fotografadas a cores e preto e branco. O trabalho é mostrado em algumas das maiores de revistas do final da década de 1940 e início da década de 1950. A cor é informação, por isso é interessante comparar fotografias a cores com imagens em preto e branco. Entretanto, a maior parte de seu trabalho mais conhecido não foi exibido em cores.

 “Capa em Cores”
Abertura, dia 6 de fevereiro, às 19h30; a partir das 18h, bate-papo com a curadora
Término dia 9 de abril, às 20h
Oi Futuro Flamengo

 

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