Dragão do Mar abre retrospectiva de Cela

Dragão do Mar abre retrospectiva de Cela

Com curadoria de Denise Mattar, a exposição chega ao Ceará, apresentando a trajetória do artista

“Raimundo Cela - Um mestre brasileiro” foi concebida a partir de momentos-chave na trajetória do artista: o prêmio da Escola Nacional de Belas Artes, a viagem à Europa, o retorno a Camocim, a mudança para Fortaleza e a volta ao Rio de Janeiro. Na reprodução acima, "A venda do peixe", 1947, óleo sobre tela, 121 x 163 cm. São desenhos, gravuras, aquarelas e pinturas de todas essas fases que permitem compreender o processo criativo do artista. “Raimundo Cela é um dos principais criadores da visualidade cearense, ao destacar em sua obra pescadores e jangadeiros e a intensa luz das praias cearenses e as nuvens rosadas do céu equatorial. Cela descartou a representação do nordestino como o sertanejo miserável e faminto, para mostrar o trabalhador forte e decidido do litoral. Suas composições, minuciosamente construídas, são plenas de ritmo e emoção. Elas reúnem a precisão do engenheiro à sensibilidade do artista, o épico ao cotidiano, a precisão do desenho à energia da cor”, afirma a curadora.

Memória e obra preservadas

A exposição reúne obras do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, do Instituto Dragão do Mar, do Palácio da Abolição, do Palácio Iracema e do Museu Nacional de Belas Artes. Há também obras selecionadas de 15 coleções particulares de Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. O Projeto contribui para a preservação da memória do artista e de sua obra, tendo realizado o restauro de quatro obras: “Rendeira”, 1931, óleo sobre madeira, 32 x 40,5 cm; “Cabeça de vaqueiro”,1931, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm; “Cabeça de Jangadeiro”, 1933, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm e “Catequese”, 1933, óleo sobre tela, 190 x 200 cm. A exposição chega ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura-Museu de Arte Contemporânea do Ceará, depois de passar por São Paulo no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado e pelo Rio de Janeiro no Museu Nacional de Belas Artes.

Beleza solene

Raimundo Cela, sendo um moderno, nunca foi um modernista. O valor da arte de Raimundo Cela deve-se ao fato de ter sido concebida à margem das escolas. Nas palavras do crítico de arte Cláudio Valério Teixeira, “na obra de Cela nada é inocência, tudo é fruto de planejamento, economia e técnica. Mas tudo é também movimento, força, agilidade e graça. Sua arte não procura simplesmente imitar as coisas representadas, é de uma beleza solene, meio melancólica, mas luminosa”.

O reconhecimento em Paris

Por causa da Primeira Guerra, a viagem acontece para Paris apenas em 1920, onde Cela dedica-se aos estudos da gravura em metal, dando uma nova perspectiva à sua obra, não apenas na técnica, como também na temática. Ao longo dos anos em que permanece na Europa, seus desenhos, óleos e gravuras retratam cenas da paisagem francesa, como “Paisagem de Saint-Agrève”, de 1921, e da realidade parisiense e de seus tipos, em estudos de nus e em desenhos. Esses trabalhos de Cela despertam a atenção da crítica parisiense e ele tem obras selecionadas para o “Salon des Artistes Français”. Nesse momento, o artista sofre um AVC que o impede de pintar. Retornando ao Brasil, reside em Camocim, onde vive sete anos sem pintar.

Retratos e magistério

A partir de 1929, retoma a pintura. Reproduz cenas da vida cotidiana em suas pinturas em grandes dimensões. Um dos grandes destaques do conjunto da obra de Cela é o painel “Abolição”, de 1938, que pintou por encomenda e está reproduzido nessa mostra. Em 1945, Cela resolve viver no Rio de Janeiro, onde torna-se professor de gravura em metal da Escola Nacional de Belas Artes, cargo que ocuparia até a sua morte, em 1954. Nesta última fase da carreira, ele foi duas vezes premiado com a medalha de ouro do Salão Nacional de Belas Artes.

“Raimundo Cela - Um mestre brasileiro”
Abertura dia 17, às 19h
Término dia 26 de março, às 19h
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza

 

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