Megamostra marca 200 anos da EBA/UFRJ

Megamostra marca 200 anos da EBA/UFRJ

A história da Escola e de seus ex-alunos integra de forma primordial a História da Arte Brasileira

A historiadora Angela Âncora da Luz, que dirigiu a Escola de Belas Artes da UFRJ entre 2002 e 2010, assina a curadoria da exposição comemorativa dos dois séculos da Escola, um dos mais importantes organismos culturais do Brasil. A mostra "Escola de Belas Artes: 1816-2016 – Duzentos anos construindo a arte brasileira" reúne obras de alguns dos que estudaram na Escola, passaram pelas suas oficinas e tornaram-se reconhecidos no cenário das Artes. O objetivo do evento é reafirmar a importância da EBA e da maior universidade pública do Brasil, a UFRJ. E o local escolhido para abrigar a Mostra não poderia ser outro, sua primeira sede, o Museu Nacional de Belas Artes.

A mostra ocupa dois salões do Museu. Segundo a curadora da exposição, "a presença da Escola no contexto da sociedade brasileira revelou sua identidade por aspectos pouco conhecidos, mas de grande interesse social e político, além de seu princípio norteador fundamental: o ensino artístico. Uma escola de grande peso no Império e que esteve aberta a todos os que desejassem buscar o caminho das artes, sendo aceitos pelos grandes mestres dos ateliês. O que contava na hora da seleção era o talento, sem restrição ao grau cultural, à raça ou situação econômica. Cândido Portinari, por exemplo, mal havia completado o terceiro ano do ‘curso primário’ quando foi aceito pela instituição, tornando-se a grande referência da pintura brasileira".

Apenas uma parte da excelência

A curadora selecionou obras de artistas que se destacam na História da Arte Brasileira: Abelardo Zaluar | Adir Botelho | Alfredo Galvão | Almeida Reis | Amés de Paula Machado | Anna Maria Maiolino | Antonio Manuel | Antônio Parreiras | Arthur Luiz Pizza | Augusto Müller |Bandeira de Mello | Barbosa Júnior | Batista da Costa | Belmiro de Almeida | Bruno Miguel | Burle Marx | Cândido Portinari | Carlos Contente | Celeida Tostes | Décio Vilares | Eduardo Lima | Eliseu Visconti | Estêvão da Silva | Felipe Barbosa | Franz Weissmann | Georgina de Albuquerque | Glauco Rodrigues | Grandjean de Montigny | Henrique Cavaleiro | Hugo Houayeck | Isis Braga | Ivald Granato | Jarbas Lopes | Jean-Baptiste Debret | João Quaglia | Jorge Duarte | Kazuo Iha | Lourdes Barreto | Lygia Pape | Manfredo de Souzanetto | Marcos Cardoso | Marcos Varela | Marques Júnior | Mauricio Salgueiro | Maurício Dias & Walter Riedweg | Newton Cavalcanti |Oscar Pereira da Silva | Oswaldo Goeldi | Patrícia Freire | Paulo Houayek | Pedro Américo | Pedro Varela |Quirino Campofiorito | Renina Katz | Ricardo Newton | Roberto Magalhães | Rodolfo Amoedo | Rodolfo Chambelland | Ronald Duarte | Rui de Oliveira | Vítor Meireles | Zeferino da Costa. "São incontáveis os pintores, escultores, desenhistas, gravuristas, cenógrafos, indumentaristas, designers, restauradores e paisagistas que saíram dos ateliês e salas da escola. O grande desafio que a presente exposição nos trouxe foi o de apresentar apenas alguns destes artistas e suas obras. Mesmo se ocupássemos todas as salas deste museu (...) ainda assim seria impossível apresentar a excelência de tudo que aqui se produziu", completa a curadora.

EBA, uma História do Brasil

Durante o Brasil Colônia (1500-1822), o ensino de artes cabia às ordens religiosas católicas e era de caráter elementar e prático, aplicado ao uso cotidiano (artesanato, etc.), à catequização (teatro, etc.) e à atividade militar (desenho arquitetônico e de engenharia). Em 20 de novembro de 1800, por carta régia, foi estabelecida no Rio de Janeiro, por ordem do Príncipe Regente, a Aula Prática de Desenho e Figura - primeira medida concreta para a evolução do ensino de artes na Colônia, dada por meio de sua sistematização e pela difusão e fixação da arte em si. Em 12 de agosto de 1816, D. João, já soberano do Reino Unido, por Decreto, criou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, sob orientação da Missão Artística Francesa, sendo implantada oficialmente a educação artística no Brasil. A partir de 8 de novembro de 1890, a antiga Academia Imperial foi transformada na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1931, a Escola passou a integrar a Universidade do Rio de Janeiro e, em 1937, a Universidade do Brasil. Em 1965, a instituição passou a se chamar Escola de Belas Artes incorporando-se a Universidade Federal do Rio de Janeiro, constituindo-se através dos anos num centro universitário inovador que se dedica a renovar a cultura artística da época e desenvolver, de forma integral e harmoniosa, a capacidade e a criatividade dos estudantes.

"Escola de Belas Artes: 1816-2016 – Duzentos anos construindo a arte brasileira"
Término em 12 de fevereiro de 2017
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
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