Ensaio de Batchelor inspira coletiva na Roesler

Ensaio de Batchelor inspira coletiva na Roesler

Galerista expõe no Rio de Janeiro parte dois da coletiva que esteve na sede em São Paulo 

“Cromofilia vs Cromofobia: continuação" é inspirada no ensaio “Cromofilia” do livro “Cromofobia” do escritor e artista plástico inglês David Batchelor. A exposição apresenta obras de artistas contemporâneos que exploram o uso das cores com curadoria é de Alexandra Garcia Waldman, diretora artística da Galeria. Para essa versão carioca da coletiva que esteve em cartaz em São Paulo, “Cromofilia vs Cromofobia: investigações da cor”, houve pequena troca de alguns nomes, mas a maioria permaneceu, como Tomie Ohtake, acima, sem título, 2009, acrílica sobre tela, 150 x 150 cm. 

Cores descartáveis

São 23 obras de Abraham Palatnik, Angelo Venosa, Antonio Dias, Artur Lescher, Bruno Dunley, Carlito Carvalhosa, Daniel Buren, Eduardo Coimbra, Hélio Oiticica, José Patrício, Karin Lambrecht, Laura Vinci, Marcelo Silveira, Marco Maggi, Melanie Smith, Milton Machado, Rodolpho Parigi, Sergio Sister, Tomie Ohtake, Vik Muniz e Virgínia de Medeiros. A curadora segue investigação sobre a cor, tomando por base teórica as publicações de Batchelor. Waldman selecionou as obras para esta coletiva de artistas contemporâneos que “brincam, destroem e se deleitam com a tensão entre o uso das cores industriais pós-1960 e o advento da tabela cromática”. Batchelor descreve a tabela cromática como uma lista descartável de cores prontas. “Cada tira de papel é uma pintura abstrata perfeita em miniatura, ou um exemplo compacto de serialismo cromático, ou uma página de um vasto catálogo raisonné de monocromos”, afirma o inglês.

Vik Muniz, pictures of pigment, monochrome, pink-blue-gold, after yves klein, 2016, c-print digital, 230 x 540 cm

Vik Muniz, pictures of pigment, monochrome, pink-blue-gold, after yves klein, 2016, c-print digital, 230 x 540 cm

Liberdade de experimentação

“Os artistas da exposição brindam os visitantes com o espectro completo do drama cromático. Daniel Buren rejeitou a ideia de que a eliminação da cor produziria uma forma mais pura de arte; ao contrário, a cor para ele é essencial e não pode ser substituída por palavras ou ações. Rodolpho Parigi, com cores explosivas tece formas geométricas planas, em composições que evocam paisagens urbanas semi-abstratas e fragmentadas. Já Vik Muniz, cuja obra se relaciona à percepção e à representação de imagens do mundo, desta vez

explora a força da cor sozinha, a partir de uma pintura monocromática do consagrado artista Yves Klein. Enquanto Eduardo Coimbra e Marco Maggi constroem com a cor particulares geometrias, Artur Lescher a introduz como elemento em sua escultura formal. De outro lado, Sérgio Sister e Bruno Dunley recontextualizam ideias clássicas relativas à tela no sentido de janela, investigando a intrincada relação entre as cores quando estas interagem com o espaço e o ar. Entre os trabalhos bidimensionais, ainda, as obras de José Patrício e Marcelo Silveira tangenciam a arte cinética ao criar com a cor e material certa ilusão ao olhar e as pinturas de Karin Lambrecht definem paisagens por uma monocromia vibrante. Diferentemente de Carlito Carvalhosa, cujo desenho orgânico contrasta com a aplicação de um único tom pálido e dos suaves tons do desenho de Antonio Dias. Por sua vez, Angelo Venosa introduz a cor em suas estruturas que investigam o interior dos corpos”, diz o texto da divulgação.

Bruno Dunley, sem título, 2014, óleo sobre tela, 24 x 30 cm

Bruno Dunley, sem título, 2014, óleo sobre tela, 24 x 30 cm

Livro discute o uso das cores

O argumento central da cromofobia é que um impulso cromófobo - um medo de corrupção ou contaminação através da cor - espreita dentro de muito pensamento cultural e intelectual ocidental. Isso se evidencia nas muitas e variadas tentativas de purgar a cor, quer fazendo dela a propriedade de algum corpo estranho - o oriental, o feminino, o infantil, o vulgar ou o patológico - ou relegando-o ao reino do superficial, o complementar, o não-essencial, ou o cosmético. A cromofobia tem sido um fenômeno cultural desde a antiguidade grega. Este livro está preocupado com as motivações por trás da cromofobia e com formas de resistência a ele. Batchelor considera o trabalho de uma vasta gama de escritores e artistas e explora diversas imagens, incluindo "Big White Whale" de Herman Melville, Reflections on Mescaline de Aldous Huxley, Journey de Le Corbusier para o Leste e L Frank Baum's Wizard of Oz. Batchelor também discute o uso da cor no Pop, Minimal e nos contemporâneos mais recentes. “Cromofobia”, editado em 2000 pela Reaktion Books, em Londres, está na quarta edição e ganhou traduções em francês, espanhol, italiano, alemão, coreano, português, grego e japonês.

“Cromofilia vs Cromofobia: Continuação”

Abertura dia 26, às 19h

Término dia 18 de março, às 19h

Galeria Nara Roesler, Rio de Janeiro

Pinturas e objetos em retrospectiva de Abraham Palatnik

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