Metrô carioca marca 100 anos do muralista “Gentileza”

Metrô carioca marca 100 anos do muralista “Gentileza”

A mostra itinerante resume vida e obra de José Datrino, autor da famosa “Gentileza gera gentileza”

   São 13 painéis com reproduções fotográficas dos murais, documentos e objetos pessoais do acervo guardado pela família nesta exposição itinerante que foi inaugurada na estação de São Conrado do Metrô no Rio de Janeiro. Há ainda um totem interativo que conta a trajetória de Gentileza. Seu verdadeiro nome era José Datrino, nascido em 1917. Antes de tornar-se “Profeta Gentileza”, Datrino possuía uma empresa de transporte de cargas e residia, com sua família, no bairro de Guadalupe, Rio de Janeiro.

A frase com as letras e cores criadas por Gentileza tornou-se popularmente conhecida

A frase com as letras e cores criadas por Gentileza tornou-se popularmente conhecida

Nascido das cinzas

   A história conta que foi a partir da tragédia do incêndio no Gran Circus que ocorreu em 17 de dezembro de 1961 onde morreram mais de 500 pessoas na antevéspera do dia de Natal em Niterói, Rio de Janeiro, que José Datrino passou a destinar a vida a dizer e pintar mensagens de solidariedade. Ele largou família e trabalho e resolveu morar no local do incêndio onde viveu por quatro anos, tornando-se um consolador voluntário de familiares das vítimas da tragédia. Ele dizia que seis dias após o acidente, acordou ouvindo "vozes astrais" que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. No local do incêndio, plantou jardim e horta sobre as cinzas e passou a se chamar "José Agradecido" ou "Profeta Gentileza". Ao contrário do propagaram, ele tinha cinco filhos e não perdeu nenhum conhecido no incêndio do circo.

Andarilho

   A partir de 1970, Gentileza tornou-se um andarilho entre as ruas e praças próximas das estações das barcas de travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói e pregava palavras de amor e bondade. Entre 1977 e 1978, também morou na cidade de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, onde fazia pregações em frente ao prédio onde está instalado o INSS.

   A partir de 1980, começou a produzir os murais no Rio de Janeiro, embaixo do viaduto da Avenida Brasil numa extensão de quase dois quilômetros entre o Caju e a Rodoviária. São mais de 50 pilastras que ele preencheu com frases, versos em verde e amarelo, sobre diversos temas da sociedade em tom crítico. Os murais são tombados desde 2000 pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Painéis mostram trajetória do muralista andarilho que deixou inscrições pelas cidades

Painéis mostram trajetória do muralista andarilho que deixou inscrições pelas cidades

   A mostra é itinerante e depois de São Conrado, seguirá para as estações Coelho Neto, Central e Jardim Oceânico. Vagner Datrino, neto de José Datrino, disse que a ideia é deixar uma “semente de paz e gentileza” no coração de todos que circularem pelas estações. Para a filha mais velha de Datrino, Maria Alice Datrino, de 73 anos, a homenagem ao centenário lembra que “sem paz, gentileza e compreensão” não é possível viver.

“Gentileza faz 100 anos” 

Término dia 11 de maio, na Estação São Conrado

Itinera dia 12 de mio até 25 de maio na Estação Coelho Neto

Itinera dia 26 de maio até 8 de junho, na Estação Central

Itinera dia 9 de junho e termina no dia 23 de junho, na Estação Jardim Oceânico

Metrô, Rio de Janeiro, mesmo horário de funcionamento das Estações

Obra imersiva de Fabiano Mixo resgata primórdios do Cinema

Obra imersiva de Fabiano Mixo resgata primórdios do Cinema

“A Arte do Rio” faz 17 anos e apresenta obras de oito artistas

“A Arte do Rio” faz 17 anos e apresenta obras de oito artistas