Festival de Berlim 17 traz política e polêmicas

Festival de Berlim 17 traz política e polêmicas

A 67ª edição da Berlinale de cinema mundial oferece um panorama do que está acontecendo no Planeta

Durante dez dias a capital alemã se transforma na vitrine da produção cinematográfica. Este ano, a seleção caprichou na escolha de filmes questionadores de temáticas que envolvem reflexões das mais variadas, incluindo eventos históricos. A condição dos refugiados, por exemplo, é um dos temas que tem lugar marcado no evento. O assunto é trazido em todas as línguas e ocupa a “Panorama”, seção paralela do Festival.  Das produções ligadas à exclusão racial, destacam-se o documentário “I am not your negro”, de Raoul Peck, e o drama histórico brasileiro sobre escravidão, “Vazante”, de Daniela Thomas.

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Urso de Ouro

Um dos 18 longas que concorrem ao Prêmio de melhor filme, programado para a abertura do Festival, é um drama biográfico do músico belga Jean “Django” Reinhardt (1910-1953) de origem cigana que fugiu dos nazistas na Segunda Guerra Mundial durante a ocupação da França pelos nazistas. “Django” é um filme de estreia do produtor francês Etienne Comar como diretor, estrelado pelo argelino Reda Kateb. A perseguição política e a restrição às liberdades individuais também estão no roteiro de outros filmes do Festival. Na mostra da seleta “Panorama”, por exemplo, disputando o Teddy, prêmio especialmente criado no Festival para a luta em prol da homoafetividade, está o chinês “The taste of Bebel nut, de Hu Jia, sobre poliamor. Seguindo esta linha de gênero,” The Misandrists”, do canadense Bruce LaBruce, trata de um levante de mulheres contra o machismo.  

Os brasileiros

Como em todas as outras edições, é acentuada no Festival a participação da América Latina. Este ano, o Brasil se destaca com 13 títulos: nove longas, três curtas e a produção Brasil-Itália-França-EUA, de Guadagnino. Na competição oficial, concorre “Joaquim”, de Marcelo Gomes, sobre os bastidores da Inconfidência Mineira. Na seção “Panorama”, entraram “Como nossos pais”, de Laís Bodanzky; “Pendular”, de Julia Murat; e “Vazante”, de Daniela Thomas. Na mostra “Geração”, estão “Mulher do pai”, de Cristiane Oliveira; “As duas Irenes”, de Fábio Meira; e “Não devore meu coração”, de Felipe Bragança. Para o “Fórum”, foi selecionado “Rifle”, de Davi Pretto. Depois de dez anos sem lançar filmes, João Moreira Salles – consagrado com “Santiago” - vai participar desta edição com o documentário “No intenso agora”, sobre uma viagem de sua mãe pela Europa e pela China, em 1968. Entraram ainda no festival os curtas “Estás vendo coisas”, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca; “Em busca da terra sem males”, de Anna Azevedo; e a animação “Vênus - Filó, a fadinha lésbica”, de Sávio Leite.

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

“Joaquim”

O diretor pernambucano Marcelo Gomes está concorrendo ao Urso de Ouro com o longa que trata de um dos períodos mais instigantes da História do Brasil. A coprodução Brasil-Portugal, “Joaquim” tem base num dos momentos de maior tensão da História Colonial: a Inconfidência Mineira, revirando o passado de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, vivido pelo ator Julio Machado. O cineasta representa o Brasil na competição oficial do Festival de Berlim. Há três anos, ele e o cineasta mineiro Cao Guimarães passaram por Berlim com “O homem das multidões”, em seção paralela.

Time de jurados  

O Júri do Festival é presidido pelo diretor holandês Paul Verhoeven, que recebeu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro por “Elle” neste 2017. O time reúne a produtora tunisiana Dora Bouchoucha Fourati, o artista plástico islandês Olafur Eliasson, as atrizes Maggie Gyllenhaal (EUA) e Julia Jentsch (Alemanha), o ator e diretor mexicano Diego Luna e o cineasta chinês Wang Quan'an. Já a escolha dos curtas a serem premiados será feita por um time de jurados composto por Christian Jankowski, professor na Stuttgart State Academy of Art and Design; Kimberly Drew , curadora do Metropolitan Museum of Art de Nova York;  e por Carlos Núñez, pesquisador, que é director artístico do Santiago International Film Festival.

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Sem limitações

Desde a sua inauguração, em 1951, com uma sessão de “Rebecca, a mulher inesquecível”, de Alfred Hitchcock, o Festival de Berlim é uma espécie de mostra autoral que reúne temas instigantes. Mas não precisando ser somente assim, também abraça filmes de cunho mais comercial.  O diretor artístico, Dieter Kosslick acolheu a première mundial da terceira aventura solo do mutante Wolverine, “Logan”, de James Mangold. Pela cidade inteira há biombos do filme, com a imagem envelhecida de Wolverine, interpretato por Hugh Jackman. Também estão na programação do Festival, a versão inédita 3D de “Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final”, de 1991; uma cópia inédita de dois clássicos do horror “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1968, de George Romero; e “O Iluminado”, de 1980, de Stanley Kubrick.

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Joaquim, de Marcelo Gomes, 2017

Confira os títulos em disputa pelo Urso de Ouro 2017:

Lista dos longas

Joaquim, de Marcelo Gomes (Brasil)

Ana, Mon Amour, de Calin Peter Netzer (Romênia)

On The Beach At Night Alone, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)

Beyus, de Andres Veiel (Alemanha) - documentário

Colo, de Teresa Villaverde (Portugal)

Django, de Etienne Comar (França)

The Dinner, de Oren Moverman (EUA)

Félicité, de Alain Gomis (Senegal)

Have a Nice Day, de Liu Jian (China) Desenho animado

Bright Nights, de Thomas Arslan (Alemanha)

Mr. Long, de Sabu (Japão)

Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lélio (Chile)

The Party, de Sally Potter (Reino Unido)

Spoor, de Agnieska Holland (Polônia)

The Other Side of Hope, de Aki Kaurismäki (Finlândia)

Return to Montauk, de Volker Schlöndorff (Alemanha)

On Body and Soul, de Ildikó Enyedi (Hungria)

Wild Mouse, de Josef Hader (Áustria)

Somente brasileiros

Na competição de curtasEstás Vendo Coisas, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca.
Na mostra PanoramaComo Nossos Pais, de Lais Bodanzky; No Intenso Agora, de João Moreira Salles; Pendular, de Julia Murat; Vazante, de Daniela Thomas; Venus Filó, a Fadinha Lésbica, de Sávio Leite.
Na mostra ForumRifle, de Davi Pretto.
Na mostra GenerationAs Duas Irenes, de Fabio Meira; Mulher do Pai, de Cristiane Oliveira; Não Devore Meu Coração, de Felipe Bragança; Em Busca da Terra Sem Males, de Anna Azevedo.

“Festival de Berlim”
Término dia 19 de fevereiro
Berlim, Alemanha
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