Fotos, pinturas e livros de Lena Bergstein no MNBA

Fotos, pinturas e livros de Lena Bergstein no MNBA

"Ficção" apresenta 80 obras, quase todas inéditas, com curadoria assinada por Laura Abreu 

   Para a criação de boa parte das obras, Lena promove um diálogo imaginário com o poeta russo Osip Mandelstam. “Sempre trabalho partindo de um texto poético. Há uns dois anos li o poema Verk, de Osip, num texto de Giorgio Agamben. Achei coincidência encontrá-lo ali e como sou fascinada pelo seu trabalho, voltei aos seus livros”, recorda a artista. Na imagem acima, detalhe da obra "Reflexos da Noite", 2017, fotografia, impressão em papel, 45 cm x 85 cm, reproduzida de forma integral no final desta postagem. 
   Em "Ficções", a artista reafirma sua poética, desenvolvida a partir de questões da arte e da escrita, dos espaços em branco, dos silêncios das margens.  Ela trabalha com várias fotos impressas num mesmo plano, que se somam e se juntam num só e único trabalho, e as complementa com sequências narrativas. “Acrescento escritas, desenhos de estrelas, pontos luminosos, luas e intervenções com riscos e traços, que levam algum humor à seriedade das imagens”, diz a artista. 

Fotografias 

  Lena Bergstein, fotografia da série Setembro, 2017/2018, impressão em papel, 57 cm x 67 cm

 Lena Bergstein, fotografia da série Setembro, 2017/2018, impressão em papel, 57 cm x 67 cm

   A artista expõe obras de três séries inéditas: Reflexos da Noite, Setembro e Galáxias. Na primeira, ela utiliza 15 fotos tiradas durante a madrugada, que se revelam entre sombra e luz, noite e dia. As imagens são superpostas por desenhos e frases ou diálogos com o poeta Osip. Setembro, produzida entre 2017 e 2018, são fotografias abstratas, e incluem fragmentos de desenhos, de palavras e um imenso espaço. Galáxias são trabalhos abertos, inquietos, plenos de investigação. 

Pinturas

   A exposição também apresenta 20 pinturas em acrílico, inéditas, que são como páginas nas quais a escrita se mostra em relação íntima com o desenho, trazendo até o espectador a memória do tempo de origem, quando desenho e escrita perfazem uma coisa só.   

 Lena Bergstein, Reflexos da Noite, 2017, fotografia, impressão em papel, 45 cm x 85 cm

Lena Bergstein, Reflexos da Noite, 2017, fotografia, impressão em papel, 45 cm x 85 cm

Livros-arte

   Selecionadas do acervo da própria artista, as obras estão expostas em mesas. “São obras múltiplas, abertas, inacabadas. Neles, afetos e sentimentos são vividos de página em página. A escrita sussurra. Compõe frases, espaços, planos, riscos, onde cada página difere da outra a fim de que se crie sua própria legibilidade”, resume Lena Bergstein.

 Lena Bergstein, fotografia da série Setembro, 2017/2018 impressão em papel, 57 cm x 67 cm

Lena Bergstein, fotografia da série Setembro, 2017/2018 impressão em papel, 57 cm x 67 cm

Trajetória 

   Lena Bergstein trabalhou com gravura em metal durante muitos anos. Os textos eram escritos e apagados, desfeitos e refeitos. Quando passou para a pintura, as palavras e os textos continuaram elementos presentes na sua obra. Desde 1989, a artista vinha se debruçando sobre os escritos do filósofo francês Jacques Derrida, fazendo leituras poéticas e plásticas de seu pensamento.  Essa relação ficou evidente na Tenda, instalação montada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1992. Em 1998, ambos editam um livro em parceria. O filósofo lhe ofereceu o texto Forcener le Subjectile, que deu origem a Enlouquecer o Subjétil, livro vencedor do prêmio Jabuti em 1999. Hoje trabalha com pintura, fotografia e livros de artista. E desenvolve uma pesquisa a partir de sua própria obra, A arte e a Escrita na História da Arte. Ganhou uma bolsa para apresentar essa pesquisa no Departamento de Artes da Unicamp, Campinas, 2015. E em novembro de 2017, deu o curso A Arte e a Escrita, um relato contemporâneo no Centro Universitário Maria Antonia, USP. Entre as principais exposições dos últimos dez anos estão Marcas da Memória (2007), no Paço Imperial, representou o Brasil na coletiva Europalia, na Bélgica (2009), apresentou Lena Bergstein, no MAM – RJ (2013), Narrações no Mube, no Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo (2015).  Participou da SPFoto/Arte (2015/2016) e expôs Cartas de Odessa no Centro Cultural Midrash (2017).

 Lena Bergstein, Reflexos da Noite, 2017, fotografia, impressão em papel, 45 cm x 85 cm

Lena Bergstein, Reflexos da Noite, 2017, fotografia, impressão em papel, 45 cm x 85 cm

"Lena Bergstein - Ficções"
Abertura, dia 20 de março de 2018
Término, dia 20 de maio de 2018, às 18h
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
PapaImagem traz mostra com total interação

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