França inaugura o primeiro Museu Camille Claudel

França inaugura o primeiro Museu Camille Claudel

Construído na casa onde a artista nasceu, o Museu é forma de reconhecer sua influência na obra de Rodin

   Finalmente, dentro da programação de centenário de morte de Auguste Rodin (1840-1917), é inaugurado o primeiro Museu Camille Claudel, ao leste de Paris, em Nogent-sur-Seine. Camille Claudel (1864-1943) viveu uma história de amor conturbada com Rodin, teve uma sua carreira ofuscada por causa deste relacionamento, sofreu a negação completa da sociedade e morreu esquecida internada de forma perpétua como louca. Mas a história recente revelou todo o seu magnífico talento e sua influência sobre a obra do escultor. Acima, detalhe de "A valsa", 1889-1905.

O projeto do Museu começou a ser desenvolvido em 2008 e a construção foi realizada entre 2013-2016. O Museu Camille Claudel reúne obras, documentos, fotografias, moldes, projetos, esculturas inacabadas, coleção de cartas escritas por ela durante o longo período em que esteve internada.   

Camille Claudel, A valsa, 1889-1905, detalhe

Camille Claudel, A valsa, 1889-1905, detalhe

Paixão e Arte

   Aos 20 anos, Camille Claudel iniciou seus estudos na oficina de Rodin. Ele trabalhava no mesmo estúdio aonde dava aulas a jovens artistas, desenvolvendo novas técnicas para a produção e reprodução das esculturas através de investigações, experimentações. Logo, Camille - inteligente, bela, ousada, contra os valores conservadores da época, talentosa – conquistou o mestre e também se apaixonou por ele. Camille tornou-se musa inspiradora de Rodin e era sua confidente e conselheira, dividindo com ele todas as dúvidas que iam surgindo no processo criativo das obras. E havia uma reciprocidade e suas obras foram se misturando irreversivelmente.

Camille e Rodin no estúdio, onde viveram história conturbada de amor entre 1886 a 1893

Camille e Rodin no estúdio, onde viveram história conturbada de amor entre 1886 a 1893

Negação social

   Ao mesmo tempo em que era uma mulher avançada na sociedade da época, Camille apostou tudo no romance com Rodin. Sua família não aceitou o seu envolvimento amoroso, principalmente sua mãe que, desde o início, foi contra os investimentos que o pai fazia em sua carreira de artista. Foi por reconhecer o talento de Camille – que já brincava com o barro na infância, que o pai dela resolveu mudar-se para Paris. E ela realmente se destacava entre os demais artista que frequentavam o estúdio de Rodin.

Nos anos em que esteve internada, de 1909 a 1943, Camille escreveu sobre seus sentimentos

Nos anos em que esteve internada, de 1909 a 1943, Camille escreveu sobre seus sentimentos

Reconhecimento póstumo

   Para enfrentar os escândalos envolvendo um aborto, Camille produziu intensamente para apresentar uma mostra individual. Mas, surpreendeu-se ao ser acusada pela crítica de plagiar Rodin, que também a desprezou. Nessa época também enfrentou dificuldades financeiras. Furiosa, destruiu parte de suas obras e adoeceu. Após a morte do seu pai, seu irmão Paul a internou como louca de forma perpétua.  Sua obra só obteve reconhecimento a partir da década de 1980, quando sua história e obras foram apresentadas em catálogo pelo Museu Rodin. Depois, com o lançamento do primeiro filme cinematográfico em 1988, dirigido por Bruno Nuytten – com Isabelle Adjani e Gérard Depardieu – sua história recebeu conhecimento internacional.

Inauguração dia 26 de março de 2017, às 15h

Museu Camille Claudel, Nogent-sur-Seine, França

 

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