"Franz Weissmann (1911-2005)" exalta o processo criativo do escultor

"Franz Weissmann (1911-2005)" exalta o processo criativo do escultor

Pelo menos 80 obras - desenhos, estudos e maquetes - foram selecionadas para esta mostra em homenagem ao artista

   Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Max Perlsngeiro, a exposição remonta o processo criativo do escultor Franz Weismann que é parte essencial da História da Arte no Brasil. No início da década de 2000, o ATELIER fez entrevista de capa da versão impressa com Weissman, quando ele fez questão de salientar a importância do artista se debruçar sobre o processo criativo. Nesta mostra, hoje em homenagem ao escultor, estão não apenas materiais, moldes e peças acabadas, mas um percurso que resultou do pensamento plástico neoconcreto de Weissmann. Acima, detalhe da obra Três pontos, 1957, escultura, que pode ser revista ao final desta postagem.

Neoconcretismo

   Weismann foi um manifesto neoconcreto. A exposição apresenta rascunhos que contêm os princípios básicos de sua escultura: modularidade, ortogonalidade, eliminação de bases, apoio em três pontos, enlaces infinitos, etc. Os fios de aço deram origem ao Cubo Vazado (1951), trabalho criado a partir de uma pequena maquete de arame e considerado uma das primeiras esculturas construtivas brasileiras. Dos quadrados planos unidos em fitas surgiria o Cubo Aberto.

Inovação

    Weismann fez história por utilizar materiais de forma inovadora através de soluções surpreendentes. Sem duvidar de possíveis usos de barras, perfis, chapas e chapas, o escultor experimentava e criava peças únicas por vezes monumentais. Em 1957, foi premiado uma de suas torres, como “Melhor Escultor” na 4ª Bienal de São Paulo, em 1957.  

Wissman, Sem Título, da série de amassados que data da década de 1960

Wissman, Sem Título, da série de amassados que data da década de 1960

Golpes

   Não sem estar envolvido no que se passava no Brasil na década de 1960, Franz Weismann produziu uma série de esculturas criadas a partir de inúmeros golpes em chapas metálicas até o limite da destruição de sua superfície que chega algumas vezes a romper o suporte.  Os amassados foram iniciados por volta de 1964, quando o artista estava na Espanha apoiado pelo Prêmio de Viagem ao Exterior conferido anualmente pelo Salão Nacional de Arte Moderna, então realizado no Rio de Janeiro. O curador destaca Fernando Cocchiarale analisa que “as esculturas geométrico-construtivas e os planos metálicos martelados por Weissmann têm liames espaciais discursivamente estabelecidos e, portanto, invisíveis para o olhar comum. A dissolução da planaridade de cada parte que compõe os trabalhos de estruturação da construção equivale à dissolução do plano de alumínio para torná-lo coisa. Praticamente inéditos, os amassados, antípodas morfológicos das esculturas geométricas podem ter novos sentidos, se tratados como paisagens diferentes de uma mesma estrada, de um mesmo caminho poético.” 

Coloridos

   A exposição inclui, ainda, os inéditos blocos de alumínio prensados com experiências de introdução da cor. E completam o conjunto peças que indicam o retorno ao construtivo e a cor, de formas livres, porém, fiéis à geometria, nas cores verde, vermelha, amarela, azul e as ferrugens, que ocupam a área externa da galeria.

Weismann projetou cerca de 30 obras públicas, como os geométricos coloridos

Weismann projetou cerca de 30 obras públicas, como os geométricos coloridos

Complementos à mostra

   A exposição traz - além das obras, a preocupação em informar mais sobre o artista. Na programação tem exibição do curta-metragem: “Franz Weissmann vive e fala sobre Lygia Clark”, de Lucia Novaes; um catálogo ilustrado bilíngue, com textos de Fernando Cochiaralle; um ensaio inédito sobre os “Amassados” de autoria do arquiteto espanhol e professor da Universidade de Zaragoza Ignacio Moreno Rodríguez e uma entrevista com o artista feita pela critica de arte e jornalista Angélica de Moraes publicada no O Estado de São Paulo em 20 de maio de 1995.

O artista

   Franz Weissmann nasceu na Áustria em 1911 e veio com os pais para o Brasil quando tinha dez anos. Tornou-se carioca, escultor e professor. A partir de 1950, começa a abandonar a execução de estátuas representando figuras humanas e passa a elaborar esculturas abstratas e geométricas. Substitui os materiais que se podem esculpir (mármore, pedra sabão, madeira) ou moldar (gesso, cerâmica, bronze) pelo emprego dos que permitem construir, como os fios, vergalhões, barras, tubos, cantoneiras e chapas de metais como o alumínio, cobre, latão ou aço, de origem e uso industrial. Refletindo a mudança do país de agrícola a industrial o escultor se transformou de artesão em projetista, elaborando maquetes e estudos que eram levados a oficinas e fundições para serem executados ampliados. Nos anos 70 instala seu atelier dentro da gigantesca fábrica de ônibus Ciferal em Ramos, da qual seu irmão era sócio. Faleceu em 2005. 

Franz Weissmann, Três pontos, 1957, escultura

Franz Weissmann, Três pontos, 1957, escultura

"Franz Weissmann (1911-2005)"
Abertura dia 12 de agosto, das 11 às 15 horas
Término dia 7 de outubro de 2017
Pinakotheke, São Paulo
 
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