Grand Palais abre “Rodin - A exposição do centenário”

Grand Palais abre “Rodin - A exposição do centenário”

A mostra é o principal evento nos 100 anos de morte do mundialmente famoso escultor francês

   Pelo menos a metade das 300 obras nesta exposição são de Auguste Rodin (1840-1917) . As outras são de artistas que, de alguma forma, no processo criativo, foram influenciados por Rodin e dialogaram com suas obras, como Picasso, Matisse, Bourdelle e Giacometti. Esse perfil foi escolhido pela historiadora de Arte, Antoinette Le Normand-Romain, especialista em Rodin e conservadora do patrimônio francês, que assina a curadoria. Para abrir o salão expositivo, ela escolheu as esculturas cultuadas pelo público como “O Pensador” (acima, 1902, bronze, 186 cm de altura) e “O Beijo”. A curadora explica que Rodin atrai muito público, porque soube, naquela época, usar meios que o tornassem popular, buscando novas formas de não apenas produzir Arte, mas também de apresentá-la.

Auguste Rodin, O beijo, 1882-1889, mármore, 182  x 112  x 117 cm

Auguste Rodin, O beijo, 1882-1889, mármore, 182  x 112  x 117 cm

Rodin - Pesquisador e inventor

   Se no estúdio, Rodin se preocupou em desenvolver pesquisas para fazer mais e melhor, inventando montagem e experimentando materiais, a cada geração que surge seu trabalho é observado de uma nova maneira. Ao longo de décadas, Rodin é descoberto por novos olhares que enriquecem o conhecimento e a compreensão de sua arte.

O alemão Anselm Kiefer (1945) mostra obras recentes inspirado em Rodin como "Auguste Rodin: as catedrais da França", 2016, 380 x 380 cm, óleo, acrílico, emulsão, goma-laca s/lona

O alemão Anselm Kiefer (1945) mostra obras recentes inspirado em Rodin como "Auguste Rodin: as catedrais da França", 2016, 380 x 380 cm, óleo, acrílico, emulsão, goma-laca s/lona

Eterno inspirador e influente

Os desenhos que Rodin produziu a lápis, caneta de tinteiro e guache revelam sua paixão pelo corpo humano. Paralelamente a estes desenhos, ele criou suas primeiras esculturas. Os desenhos de Rodin muitas vezes inspiram artistas que desenvolvem estilos próximos, como ocorreu com o alemão Joseph Beuys.

   Rodin ultrapassou os limites do naturalismo para a expressão das formas tendo sempre no corpo humano sua maior investigação. Aos 50 anos, ele era o mestre aclamado como um que deu vida à escultura. Sua fama continuou aumentando, atraindo jovens artistas que pagavam para estar em seu estúdio, crescendo ao limite máximo com suas lições. Rodin era contagiante, praticava o exagero, a distorção, a ampliação da modelagem. Nessa época envolveu-se com a jovem artista Camille Claudel que tornou-se sua musa, consultora e amante – responsável direta por parte da construção da poética apaixonante do escultor.

Sonhos e glória

   A historiadora Antoinette Le Normand-Romain explica que os motivos de Rodin ter adquirido sucesso e de forma permanentemente até os dias atuais. Ao investir na produção escultórica, Rodin apostou nas possibilidades desse suporte. Diferentemente da Pintura, na Escultura o artista molda uma matriz que é usada para a realização da peça, permitindo uma reprodução infinita. “Quando uma obra fazia sucesso, Rodin não pensava duas vezes e multiplicava seus bronzes, o que não é possível para um pintor”, compara a curadora, lembrando que foi por causa dessa particularidade que vários museus Rodin puderam ser inaugurados pelo mundo, “contribuindo para a construção da reputação do artista”, completa.

Mensagem popular

   O mais importante motivo, entretanto, foi o que levou Rodin a dividir com Michelangelo, a notoriedade de escultor mais conhecido do mundo. “Rodin liberou a escultura de todas as amarras que a bloqueavam no fim do século XIX, quando os artistas franceses só faziam obras que transmitiam algum tipo de mensagem. Isso não interessava a Rodin, que decidiu dar voz aos corpos”, diz Antoinette Le Normand-Romain. Um bom exemplo é “O Beijo”, que se chamava originalmente "Paolo e Francesca", nome de dois personagens da "Divina Comédia" de Dante, que inspirou "A Porta do Inferno".  Ele opta por representá-los nus, ao invés dos trajes da Idade Média, adotando um discurso universal. “Por essa razão, Rodin pode ser compreendido por qualquer pessoa. Mesmo quem não compartilha a nossa cultura ocidental entende que se trata de um casal de apaixonados. A mensagem se torna eterna”, conclui Antoinette Le Normand-Romain.

Percurso educativo

  A exposição começa pelo mundo criativo do artista, a fase expressionista do experimentador Rodin; passa pelo período das exposições que atraíram colecionadores; e finalmente, a apropriação do seu trabalho por muitos artistas. Além de vida e obra, a exposição apresenta Rodin vivo, sua vida até hoje.

Rodin - A exposição do centenário

Abertura dia 22 de março de 2017

Término dia 31 de julho de 2017

Grand Palais, Museu Rodin, Paris

França inaugura o primeiro Museu Camille Claudel

França inaugura o primeiro Museu Camille Claudel

Gilvan Nunes apresenta nova fase de pinturas

Gilvan Nunes apresenta nova fase de pinturas