Heleno Bernardi usa purpurina no IED

Heleno Bernardi usa purpurina no IED

Após a mostra, a tonelada do brilho será agregada ao concreto da reforma Selo Verde que começa em 2018

   A interferência que o artista promove ao cobrir com brilho paredes, palco e fosso do antigo teatro - com curadoria de Renato Rezende - pretende remeter aos dias de glamour vividos por jogadores nos tempos em que o prédio abrigou o Cassino da Urca, mas principalmente agregar valor de reaproveitamento sustentável ao final da exposição. De forma inovadora e abraçando as demandas atuais do Planeta, a purpurina será retirada das paredes e piso para juntar-se aos resíduos sólidos e misturar-se à massa do concreto que será utilizada na reforma que o IED vai promover no local em 2018 com o carimbo do Selo Verde. Para Bernardi, essa é uma oportunidade de “recuperar a memória afetiva e simbólica de um período importante da cultura carioca e investir na transformação de uma ruína, buscando criar sentido a partir de seus restos, numa forma de agir e de refletir sobre o mundo”. O curador Renato Rezende ressalta que “o uso da purpurina dourada como elemento plástico remete à riqueza dos tempos do jogo e se refere, de maneira mais crítica, ao esfacelamento da memória, dos bens culturais e arquitetônicos e ao soterramento a que a história está sujeita”, completa.  A ousadia do projeto contou com o apoio de compradores da obra de Bernardi. Para conseguir captar recursos e realizar esta intervenção, o artista vendeu em tiragem limitada 45 peças de um múltiplo com o apoio da galeria que o representa atualmente no Rio de Janeiro, a Tal Projects, e a consultoria de arte Brisa Art, de Maria Luz Bridger e Fernanda Sattamini. 

Foto de Heleno Bernardi do espaço antes da intervenção com uma tonelada de purpurina

Foto de Heleno Bernardi do espaço antes da intervenção com uma tonelada de purpurina

Obra urbana

   Heleno Bernardi tem desenvolvido trajetória sobre o enfrentamento do corpo com a cidade. Ele provoca relações interpessoais através de intervenções urbanas, instalações, fotografias, objetos, pinturas e outros suportes. Um de seus projetos mais conhecidos é a instalação “Enquanto falo, as horas passam” que já foi apresentado pelo menos 50 vezes no Brasil e é produzida com colchões em forma de corpos em espaços públicos colocados à disposição do espectador. Bernardi realiza, desde 2003, individuais e tem participado de mostras coletivas em cidades brasileiras e no exterior. Destacam-se o Ano do Brasil na França, com exposição na Galerie Alain Couturier, Nice; o Ano Brasil Portugal, com mostras individuais em cinco instituições portuguesas; “Brésil, Corps et Culture”, no Musée Olympique, na Suiça; o projeto Rio-Hamburg, exposição reunindo artistas brasileiros e alemães em Hamburgo, Alemanha. 

Purpurina no concreto: Heleno Bernardi tem criado obras que se misturam ao espaço urbano

Purpurina no concreto: Heleno Bernardi tem criado obras que se misturam ao espaço urbano

Curadoria estilosa

   A assinatura de Renato Rezende como curador traz sempre algo de imperdível nas exposições. Ele reune o conhecimento de autor de estudos importantes no setor, mas também tem a visão particular própria dos artistas. No currículo, Rezende tem obras que merecem ser citadas: “No contemporâneo: arte e escritura expandidas” (com Roberto Corrêa dos Santos, 2011), “Experiência e arte contemporânea” (com Ana Kiffer, 2012), “Conversas com curadores e críticos de arte” (com Guilherme Bueno, 2013), “Poesia e vídeoarte” (com Katia Maciel, Bolsa FUNARTE 2012), “Poesia brasileira contemporânea – crítica e política” (2014) e “Flávio de Carvalho” (com Ana Maria Maia, 2015). Como artista, tem apresentado trabalhos de artes visuais em diferentes suportes em eventos como a Draw_drawing_london biennale (2006), o festival de poesia de Berlim (com o coletivo GRAP = rap + poesia + grafitti, 2007), o Anarcho Art Lab, em Nova Iorque (2011), e o Urbano Digital, no Parque Lage, Rio de Janeiro (2009). Em 2014 assinou, em parceria com Armando Lôbo, a obra musical “Noiva – esboço de uma ópera”. Em parceria com Dirk Vollenbroich apresentou em 2010 a intervenção urbana “My Heart In Rio”, no Oi Futuro de Ipanema (curadoria de Alberto Saraiva), e em 2015 “S.O.S Poesia”, no MAR – Museu de Arte do Rio (curadoria de Paulo Herkenhoff e Clarissa Diniz).

Reforma em 2018: em ruínas, o prédio guardou histórias de sucesso e fracasso no bairro Urca

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História retomada

   Construído no início do século XX, o Hotel-Balneário da Urca foi inaugurado em 1922, por ocasião da Exposição comemorativa do centenário da independência do Brasil. Pouco tempo depois, em 1933, o empresário Joaquim Rolla inaugurou no local o Cassino da Urca. O Cassino reunia um complexo de diversões e rapidamente tornou-se uma das mais badaladas casas noturnas do mundo. Recebeu uma legião de famosos que vinham ao Rio de Janeiro e por ali cumpriam roteiro turístico obrigatório, como Walt Disney e Orson Welles. No palco, passaram talentos dos mais renomados à época como Carmem Miranda e Dalva de Oliveira, que inclusive residiram no bairro. Mas, a onda de fechamento dos cassinos instaurada em 1946, por Lei, proibiu jogos de azar no Brasil e determinou o fechamento do Cassino. Em 1951, a TV Tupi transferiu seus estúdios do Centro para a Urca, ocupando o edifício até 1980, quando saiu do ar ao ter concessão cassada pelo governo federal. Rodeado de histórias maravilhosas, mas também por decadência, o prédio ficou vazio até 2006. A Prefeitura do Rio de Janeiro alugou o edifício para o Instituto Europeu de Design (IED) em acordo de 17 milhões de reais por uma concessão de uso de 50 anos, agregando a recuperação do prédio. Fundado em 1966, o IED é uma rede internacional de 11 escolas de design em três países - Itália, Espanha e Brasil, com sede em Milão. No Rio de Janeiro, o Instituto foi inaugurado em 2014. No ano que vem, o IED pretende dar sequência às obras de revitalização no complexo da Urca e transformará a construção no IED Lab – Centro Latino-Americano de Inovação em Design. Mas, agora, com muita purpurina!

Heleno Bernardi - “Cassino”

Instituto Europeu de Design

Abertura dia 25 de novembro de 2017, das 18h às 21h

Término em 20 de dezembro, às 20h

Entrada gratuita
              

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