Em homenagem a Damião, “O Ateneu” traz nova geração de atores

Em homenagem a Damião, “O Ateneu” traz nova geração de atores

Espetáculo resgata a obra de Raul Pompéia e um Teatro feito com jovens e para jovens no Rio de Janeiro

   O capixaba Carlos Wilson (1950-1992), mais conhecido como Damião, foi ator, diretor teatral, cenarista e coreógrafo. Em 1984 recebeu o Troféu Candango de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, pela atuação no filme Noites do Sertão. E tornou-se um dos maiores no Teatro brasileiro. Damião inovou no Teatro por montagens feitas em horários alternativos e por jovens atores. Na montagem de “O Ateneu”, baseado no romance de Raul Pompéia (1863-1895), em 1987, Damião revelou uma geração inteira de atores. “Queremos homenagear o Damião, um dos maiores encenadores e formadores de plateia, que fez teatro com jovens e para jovens. Vamos seguir a sua direção 30 anos depois, mostrando o quanto os assuntos do espetáculo continuam atuais nos dias de hoje”, afirma Oberdan Júnior, que assina a direção desta remontagem. Na equipe, estão pelo menos cem pessoas. São 37 atores no elenco, figurinos assinados por Biza Vianna e música original de Milton Nascimento e Fernando Brant.  Em destaque, uma das fotos de divulgação assinadas por Julio Ricardo. No final desta postagem, veja a foto completa. 

 A primeira edição foi lançada em 1888, surpreendendo os intelectuais daquela época

A primeira edição foi lançada em 1888, surpreendendo os intelectuais daquela época

Romance magistral

   “O Ateneu” foi editado pela primeira vez em 1888. A vivência detalhada de Sérgio em um internato no final do século XIX, revelou com profundidade um mundo injusto e sentimentos que passam por amor e amizade. O romance é considerado um dos mais importantes da literatura brasileira, tendo sido considerado “psicológico”, dando a Pompéia a classificação de precursor de uma nova escola literária pertencente a um grupo acima do comum dentro do naturalismo da época.

 O singular Raul Pompéia 

O singular Raul Pompéia 

130 anos depois = atual

   Estudado profundamente desde sua primeira publicação, entre outras obras de Pompéia, o romance é exaltado como uma obra de arte magnífica que marcou a produção literária no Brasil. Na trajetória particular de escritor que também circulou como jornalista, Raul Pompéia deixou um legado de crônicas que em muitos casos ainda são muito atuais. 

 Jovens talentos - que precisam apenas de oportunidades - compõem o elenco de 37 atores

Jovens talentos - que precisam apenas de oportunidades - compõem o elenco de 37 atores

Novos no palco

   Seguindo os passos do Damião, que apostava em fazer Teatro com jovens para jovens, tendo sido um dos formadores de plateia também, a montagem não é apenas um resgate da obra de Raul Pompéia, mas apresenta uma nova geração de talentos. Para o diretor Oberdan Júnior, trata-se de “levar ao palco um dos dez romances mais importantes da nossa história e apresentar uma geração de atores que já começa a aparecer com destaque no cenário artístico atual”. No passado, Damião revelou talentos de uma geração que só precisa de uma oportunidade como Selton Mello, Du Moscovis, Marcelo Serrado, Leonardo Brício, Paulinho Moska, Otavio Muller, André Mattos, Guilherme Piva, Fernando Fernandes, Marcelo Valle, Paulinho Serra, Enrique Diaz e Bianca Comparato, entre outros. Desta vez, o espetáculo - dedicado à memória de Damião - traz novos talentos. Confira a lista do elenco e a ficha técnica completa a seguir: 

 Cena da peça que faz homenagem à montagem de Damião em 1987 

Cena da peça que faz homenagem à montagem de Damião em 1987 

Arthur Brasiliano (Franco)

Breno Brizola (Rui)

Caio Graco (Lourenço)

Caio Manhente (Bernardo)

Caio Pozes (Malheiro)

Danilo Lobo (Samuel)

Diego Cruz (Domingos)

Diogo Tarré (Bento Alves)

Rafael Aguirre (Rebelo)

Felipe Janer (João)

Felipe Sampaio (Joaquim)

Gabriel Borgongino (Jorge)

Gabriel Neto (Icaro)

Gabriel Savelli (Gregório/Roupeiro)

Gabriel Terra (Cruz)

João Fernandes (Pedro Paulo)

Jorge Hissa (Raimundo)

Gabriel Oliveira (Romulo)

Gustavo Weikersharmer (Tobias)

Henrique Lott (Sanchez Alternante)

João Pedro Celli (Gualtério)

Luis Felipe Dal-Cól (Sanchez/Bernardo Alternante)

Matheus Faria (Mata)

Matheus Santelli (Almeidinha)

Paulo Ernesto Maradona (João Numa)

Pedro Soares (Moisés)

Rafael Telles (Stand-in)

Victor Hugo (Gabriel)

Vinícius Calixto (Cauê/Noivo)

Vinicius Portella (Alexandre Akerman)

Vinícius Turkienics (Egbert)

Victor Mello (Sergio)

Vitor Thiré (Barbalho)

Participações:

Catarina Saibro (Angela)

Daniel Braga (Mânlio/Venâncio)

Isabela Dionísio (Melica)

Nicolai Nunes (Silvino)

Roberta Repetto (D. Ema)

Biografia básica de Carlos Wilson

 História de O Tablado: Angelo Paes Leme, Danton e Selton Mello com Carlos Wilson 

História de O Tablado: Angelo Paes Leme, Danton e Selton Mello com Carlos Wilson 

   Carlos Wilson Coutinho Silveira (Vitória, ES, 1950 - Rio de Janeiro, RJ, 1992) foi diretor e ator. Integrante da companhia O Tablado, torna-se renomado diretor de teatro jovem, na década de 1980, adaptando clássicos da literatura universal. No final dos anos 1960, Carlos Wilson ingressa n'O Tablado, onde estreia, em 1970, em Maroquinhas Fru-Fru, texto e direção de Maria Clara Machado (1921-2001). Durante toda a década de 1970, Carlos Wilson, mais conhecido como Damião, atua nos espetáculos infantis escritos e dirigidos por Maria Clara. Em clássicos da autora, como Pluft, o FantasminhaA Menina e o VentoTribobó City, o ator empresta seu rosto redondo e sua voz cavernosa a personagens singelos. Em 1975, protagoniza o espetáculo adulto O Dragão, de Eugène Schwartz, e atua também em Vassa Geleznova (1974), de Máximo Gorki, ambos com direção de Maria Clara Machado. Em 1978, estréia como diretor, na mesma companhia, realizando também os figurinos de A Visita da Velha Senhora, de Dürrenmatt. Em 1980, dirige Hoje É Dia de Rock, de José Vicente (1945-2007), que marcaria o início de uma série de trabalhos voltados para o público jovem. Dois anos depois, realiza sua primeira direção fora da companhia, adaptando o romance de Jorge Amado (1912-2001), Capitães da Areia. E inova ao levar a obra de Jorge Amado em vesperais, criando um teatro de sucesso junto ao público adolescente. Nos próximos espetáculos, Carlos Wilson consolida uma linha de trabalho em que alia a literatura épica ou dramática, de temas nem sempre populares, a uma linguagem de grande fluência teatral, em que a marcação e a coreografia,  com um elenco numeroso, sustentam a beleza visual e o dinamismo do espetáculo. Adapta Os Doze Trabalhos de Hércules, do livro de Monteiro Lobato (1882-1948), que é encenado em duas partes, com dois anos de intervalo - 1983 e 1985. O primeiro espetáculo recebe o Prêmio Inacen de melhor espetáculo infantil do ano. Depois de encenar Nossa Cidade, de Thornton Wilder, n'O Tablado, Carlos Wilson realiza um de seus mais ousados projetos - adaptar O Auto da Barca do Inferno, escrito pelo português Gil Vicente em 1517, para uma ópera-rock. Carlos Wilson exalta no texto seus aspectos de fábula moralista e de narrativa aventurosa. Uma banda, colocada em um praticável acima do nível do palco, toca ao vivo enquanto os atores dançam e cantam, no palco, o texto transformado em letra musical por Charles Kahn. Em 1986, Carlos Wilson recebe o Prêmio Mambembe, como Personalidade do Ano, e o Prêmio Molière, pelo conjunto de trabalhos. No ano seguinte adapta O Ateneu, de Raul Pompéia, e encena A Odisséia, de Homero, com adaptação de Domingos Oliveira (1936). Em 1988, encena Os 3 Mosqueteiros, adaptado por Ana Maria Machado. Dois anos depois, dirige O Guarani.

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“O Ateneu”

Direção: Carlos Wilson (in memoriam)

Adaptação Teatral:  Adriana Maia e Carlos Wilson (in memoriam)

Direção de Remontagem: Oberdan Junior e Marcelo Cavalcanti

Direção musical: Dody Cardoso

Assistente de direção: Giovanna Maia 

Figurino: Biza Vianna

Assistente de figurino: Paulo Vitor

Iluminação: Luiz Paulo Nenen

Cenário: Jandir Ferrari e Carlos Wilson (in memoriam)

Produção de cenário: Paulo Vitor

Cenotécnico: Seu Humberto e Humberto Junior

Trilha Sonora: Carlos Cardoso

Música: Milton Nascimento e Fernando Brant

Programação Visual: Rafael Aguirre

Produção: MS Arte & Cultura

Idealização: Oberdan Junior e Fala na Cara Produções

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Curta temporada de 20 de março a 04 de abril de 2018
Terças e quartas, sempre às 19h
Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro (21 2511-0800)
 
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