João Farkas documenta Carnaval em Maragojipe

João Farkas documenta Carnaval em Maragojipe

"Série Azul - Caretas de Maragojipe" apresenta 30 fotos sobre alumínio

Um muro azul achado numa das ruas da cidade serviu de fundo para os "caretas" de todos os tipos. Fotógrafo e pesquisador da cultura popular, João Farkas – que é paulista, mas vive entre São Paulo e Salvador, conheceu há três anos o Carnaval em Maragojipe, pequena cidade no Recôncavo da Bahia, há cerca de 130 quilômetros de Salvador. “Essa era a forma das pessoas curtirem o carnaval incógnitas. Esta maneira de brincar o carnaval acontecia em toda a Bahia, havendo registros inclusive em Salvador, mas com o tempo a tradição foi se perdendo e só se manteve nessa pequena cidade”, conta Farkas. Nesta individual, “Série Azul - Caretas de Maragojipe”, ele apresenta seleção de trinta fotografias, 60 x 40 cm, impressas digitalmente em altíssima qualidade, jato de tinta, sobre alumínio, garantindo permanência e conservação.

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

Patrimônio da Bahia

O Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia classificou o Carnaval do município de Maragojipe como patrimônio imaterial da Bahia depois de uma série de pesquisas e estudos feitos sobre a tradicional festa desde 2007. O Carnaval de Maragojipe tem inspiração nas festas que ocorriam na Europa no século XIX, onde havia forte predominância de fantasias de figuras folclóricas. Chegando na Bahia, a festa recebeu fortes influências das culturas africana e dos indígenas, tornando-se  retrato do caldeirão cultural brasileiro.

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

Cultura “escondida e revelada”

A região de pesquisa de Farkas nesta Série foi habitada pelos índios da tribo Maragós.  O fotógrafo desenvolve trabalho de pesquisa da cultura popular, já tendo lançado livros sobre a cidade de Trancoso e sobre a Ocupação da Amazônia. João Farkas ressalta que as fotografias que serão apresentadas na exposição “registram o carnaval popular em toda exuberância criativa, que é própria do brasileiro em geral e dos baianos especialmente”. Nas fotos, os “caretas” aparecem em um fundo azul, que foi descoberto pelo fotógrafo na cidade. O muro, de um azul intenso, virou uma espécie de estúdio fotográfico, onde ele registrou os “caretas” que passavam durante o Carnaval. Durante três anos, o fotógrafo frequentou e registrou o carnaval de Maragojipe, até chegar nas fotos que serão apresentadas na exposição. “No inicio registrei toda riqueza e variedade da festa em Maragojipe, mas aos poucos fui percebendo e focando nos ‘caretas’ e, finalmente, no grande insight percebi tratar-se de retratos mascarados, com suas expressões e personalidades, num jogo fascinante e simultâneo entre esconder e revelar”, diz.

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

João Farkas, Caretas de Maragogipe-Série Azul, 2015-2016, fotografia

Fotógrafo pesquisador

Em 2015, o fotógrafo doou a sua documentação sobre a Vila de Trancoso onde foi instalado um Memorial do Povo, da Paisagems e da Cultura de Trancoso. Filho do também fotógrafo Thomaz Farkas (1924-2011), as obras de João integram importantes coleções no Brasil e no exterior, como Maison Européenne de la Photographie, na França; International Center of Photography (ICP), nos EUA; Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), e Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto. João Farkas nasceu em São Paulo, em 1955, e formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo e continuou sua formação como fotógrafo em Nova York, no International Center of Photography (ICP) e na School of Visual Arts. Seu trabalho-documento “Retratos da Ocupação da Amazônia” recebeu a bolsa Vitae e o Prêmio Aberje, em 1988. Seu trabalho “De Trancoso ao Espelho da Maravilha” que retrata a vida naquele vilarejo baiano antes da invasão turística, foi objeto de publicação em três livros: “Museu Aberto do Descobrimento”, “Nativos e Biribandos”, “Trancoso”. Também lançou o livro “Amazônia Ocupada”. Dentre suas exposições mais recentes estão: “A cor do Brasil” (2016), no Museu de Arte do Rio (MAR); “Amazônia”, na Galeria Marcelo Guarnieri, São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, ambas em 2015; “Amazônia ocupada”, no SESC Bom Retiro, em São Paulo, também em 2015; “Histórias Mestiças” (2014), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; “Órbita” (2014), na Galeria Marcelo Guarnieri, em Ribeirão Preto, entre outras.

“Série Azul - Caretas de Maragojipe”
Abertura dia 9 de fevereiro, às 19h
Término dia 11 de março, às 15h
Galeria Marcelo Guarnieri, Rio de Janeiro
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