Los Carpinteros abre mostra retrospectiva no Rio de Janeiro

Los Carpinteros abre mostra retrospectiva no Rio de Janeiro

“Objeto Vital: Los Carpinteros” apresenta todas as fases do coletivo cubano fundado em 1992

   Los Carpinteros é formado pelos cubanos Dagoberto Rodríguez, Marco Castillho e Alexandre Jesús Arrechea Zambrano. Em trajetória de 25 anos, o Coletivo tem utilizado processo criativo que passa por três áreas de conhecimento: Arquitetura, Escultura e Design. Com curadoria de Rodolfo de Athayde, esta mostra reúne pelo menos 70 obras em montagem que aborda três eixos temáticos (objeto do ofício, objeto possuído e espaço-objeto). Los Carpinteros tem se destacado por explorar e criticar, de forma original e bem-humorada, o choque entre função e objeto. Esta retrospectiva passeia por todas as fases do Coletivo, começando pela década de 1990. Destaque para obras inéditas que foram feitas especialmente para esta Exposição. Na imagem acima, Los Carpinteros, Lego Tornado. 

Los Carpinteros

Los Carpinteros

Sucesso mundial

   Os cubanos Dagoberto Rodríguez, Marco Castillho e Alexandre Jesús Arrechea Zambrano fundaram o coletivo Los Carpinteros em 1992 e conquistaram reconhecimento internacional. No currículo, há exposições em importantes museus de diversos países, como o Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, e no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Monterrey. “Objeto Vital: Los Carpinteros” chega ao Rio de Janeiro, depois de fazer sucesso em Belo Horizonte, Brasília e São Paulo.

Los Carpinteros

Los Carpinteros

Carpintaria

   A história dos artistas que formam o Coletivo se relaciona com o ofício da carpintaria. Eles criaram as primeiras obras quando eram estudantes no Instituto Superior de Arte de Havana utilizando madeiras que encontravam. Em Cuba, ganharam o nome “Los Carpinteros” do próprio público. O crítico e historiador de arte, também cubano, Gerardo Moquera, acabou consagrando os três com este título, que eles mantiveram.  

Los Carpinteros, Quatro guitarras, 2015, violões acústicos, dimensões variadas

Los Carpinteros, Quatro guitarras, 2015, violões acústicos, dimensões variadas

Objeto vital

   Segundo Marco Castillo, a temática desta exposição se relaciona com uma proposta oposta ao que o Coletivo questiona. O artista ressalta que as gerações passadas não participaram do pensamento recente sobre os objetos. “Nossa geração se tornou muito utilitária, muito fascinada pelo artesanato, pelos ofícios e pela própria produção do objeto de arte”, disse em entrevista ao curador Rodolfo de Athayde. Na Cuba socialista, que enfrentou o embargo estadunidense de envio de produtos para a Ilha – proibindo que outros países o fizessem, muitos objetos e produtos tornaram-se desconhecidos pela população cubana, que foi isolada do mundo por ser socialista. Mas, esta tragédia política, não impediu os artistas de expandirem sua Arte para o mundo. Justamente por muitos artigos e materiais estarem distantes de suas realidades em Cuba, ao conhecê-los eles passaram a questionar a vitalidade do objeto e do objeto como fruto da arte.

Los Carpinteros, Duas camas, 2008, colchões, travesseiros, fronhas e ferro, 90 x 240 x 280 cm

Los Carpinteros, Duas camas, 2008, colchões, travesseiros, fronhas e ferro, 90 x 240 x 280 cm

Outras sociedades

   Ao discutir na própria obra de arte questões sociais, provocando reflexões sobre função e objeto, o Coletivo notabilizou-se no meio artístico. A inquietação dos artistas é levada de forma regular para o processo criativo. Quando Cuba viveu a derrocada da União Soviética – único país que se relacionava com a Ilha socialista, a crise passou a ser para o Coletivo um valioso aprendizado através da forma como Cuba mantinha seus costumes tradicionais, exercendo importante papel na formação artística de “Los Carpinteros”. No início da década de 1990, os três se concentravam em sobreviver com o que sabiam fazer. “A missão era nos salvar. Sobreviver como seres humanos e depois como artistas. A escola propiciava a perfeição dentro da busca do ofício e das tradições, houve um olhar voltado para o passado”, revela Dagoberto Rodríguez em conversa com o curador.

Los Carpinteros

Los Carpinteros

A Ilha como observatório

   Com a Revolução Cubana, a população abastada abandonou a Ilha. E Los Carpinteros decidiu explorar as muitas mansões e locais que essa classe frequentava, como um Country Club. O Coletivo começou usando as madeiras que encontrou nessas construções como matéria-prima. “Não nos interessava a Cuba do presente, mas sim olhar para o passado. Fomos pesquisar essa classe social que saiu de Cuba e o Country Club era isso. Íamos ao que eram o bar e o refeitório do Country Club, víamos a madeira e como era trabalhada e tudo isso nos servia de inspiração”, relembra Dagoberto Rodríguez.

Os três eixos da exposição

   O primeiro, “Objeto de Ofício”, volta ao passado, ao começo da trajetória dos cubanos, para trazer a questão da manufatura artesanal de objetos, que tanto os inspiraram. No segundo eixo, “Objeto Possuído”, a territorialidade é um dos temas explorados, e está associada à representatividade do grupo, que desponta de Cuba para o mundo, falando, através de suas obras, de questões existenciais universais. Já na terceira apresentação, “Espaço-Objeto”, as questões anteriores são abordadas e inseridas dentro da realidade urbana. A funcionalidade do objeto é problematizada. Neste núcleo, é dedicada atenção especial à Arquitetura e às estruturas, temáticas constantes na obra dos artistas.

“Los Carpinteros: Objeto Vital”

Abertura dia 3 de maio de 2017, às 18h30, com Palestra dos artistas Marco Castillo e Dagoberto Rodriguez

Término dia 2 de agosto, às 21h

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro

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