Luiza Baldan mostra fotogravuras sobre a Baía de Guanabara

Luiza Baldan mostra fotogravuras sobre a Baía de Guanabara

 

A individual apresenta a série “Estofo”, inédita, de 22 obras, matrizes de fotopolímero e uma videoinstalação

  As fotogravuras foram feitas a partir de registros fotográficos da artista em câmeras analógicas e celular durante suas incursões pela Baía de Guanabara. Na imagem acima, detalhe, da série "Estofo", Sem Título, 2016. A videoinstalação “Suspiro” (2017, HD, p/b, áudio em 8 canais) mostra som e imagem captados pela artista do detalhe de um dos pilares da ponte Rio-Niterói, por onde se percebe o movimento das águas dentro da estrutura oca. Para este trabalho, ela contou com a câmera de David Pacheco e tratamento de áudio de Nico Espinoza.

Em busca de conhecimentos específicos

  Estofo significa, na linguagem náutica, um intervalo de tempo sem corrente de maré. E o nome foi escolhido para esta individual, porque foi o que aconteceu na trajetória desta pesquisa de Luiza Baldan. Em 2016, ela desenvolveu o projeto "Derivadores" em parceria com o artista Jonas Arrabal. Eles navegaram durante cerca de nove meses, duas vezes por semana, no barco da equipe que monitora o lixo flutuante, produzindo fotos sobre a deriva com uma câmera pinhole criada a partir de um derivador – artefato usado para o estudo do comportamento das correntes marítimas na Baía.        

Luiza Baldan, Sem Titulo, série Estofo, 2016, 55cm x 85cm

Luiza Baldan, Sem Titulo, série Estofo, 2016, 55cm x 85cm

Beleza e tristeza

  Luiza Baldan vem construindo trajetória com projetos de residência que envolvem espaços exteriores e deslocamentos. Desta vez, o contato com a Baía de Guanabara foi no mínimo poético, e seu interesse abrangeu também a História – passado e presente. Se a Baía foi porta de entrada da cidade para os invasores, ela esteve presente na vida dos indígenas nativos e permanece hoje exercendo presença marcante no dia a dia dos moradores das cidades que estão no seu entorno.  “Ela está na vida de todos, embora talvez sem que tenham noção desta grandeza”, diz a artista.

  Depois de percorrer a extensão da Baía, enquadrada pelo relevo de contornos irregulares, considerada uma das mais belas do Planeta, Luiza Baldan realizou o projeto “Estofo”, um desdobramento de sua pesquisa, uma consequência da sua observação durante aqueles deslocamentos de barco. “Foi um privilégio estar na Baía de Guanabara, fora do roteiro habitual das barcas” diz Baldan. Passeios que lhe renderam diferentes emoções como quando chorou de emoção ao ver o Rio Macacu desembocar na Baía e, por razões opostas, quando entrou na Ilha de Pombeba, em frente à região portuária, onde havia grande concentração de lixo, tanto o carregado pelas marés quanto o depositado pela a extração de metal pesado.

  Durante nove meses, a artista fez o seguinte roteiro: orla da Urca, Aterro até os portos, ponte até a Ilha do Governador, praia do Galeão, canal de Ramos, orla de Niterói até a boca da Baía de volta à Urca – e incluiu neste percurso a área que margeia Magé, a APA de Guapimirim e diversas ilhas, como Jurubaíba, Paquetá e Pombeba.

Projetos exteriores

 Luiza Baldan iniciou sua trajetória em 2002, e poucos anos depois já era reconhecida na cena contemporânea. Em 2009, fez uma residência no Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (conhecido como Pedregulho), projetado por Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), e desde então seus trabalhos envolvem deslocamentos e imersões em residências temporárias diversas. A partir de 2014, com o projeto “Perabé”, realizado entre São Paulo e Santos, seus projetos passaram a ter longa duração. 

Luiza Baldan, SemTitulo, série "Estofo", 2016, fotogravura, 55cm x 85cm

Luiza Baldan, SemTitulo, série "Estofo", 2016, fotogravura, 55cm x 85cm

  Nascida no Rio de Janeiro, em 1980, Luiza Baldan se graduou em belas artes, com foco em fotografia e time-based media, e história da arte pela Florida International University, Miami, em 2003. Cursou e atualmente é professora na EAV Parque Lage. Em 2010, concluiu mestrado. Atualmente, é doutoranda em belas artes (linguagens visuais) na EBA/UFRJ. Dentre as exposições individuais recentes, destacam-se “Perabé” (Centro Cultural São Paulo), em 2015; “Build Up” (MdM Gallery, Paris), em 2014; “Corta Luz” (Pivô, São Paulo) e “Índice” (MAM Rio), em 2013; “São Casas” (CCD/Studio-X, Rio), em 2012; “Algumas séries” (MAC Niterói), em 2011;  e “Sobre umbrais e afins” (Plataforma Revólver, Lisboa). Luiza Baldan ganhou diversos prêmios e bolsas de residência artística, está presente em várias publicações, e seu trabalho integra prestigiosas coleções públicas como as do MAM Rio, MAM SP, IPHAN, e as prefeituras de São Paulo e de Santo André.

LuizaBaldan, SemTitulo, Série Estofo, 2016, 80cm x 100cm

LuizaBaldan, SemTitulo, Série Estofo, 2016, 80cm x 100cm

 Luiza Baldan – “Estofo”

Abertura dia 16 de março de 2017, às 19h

Término dia 28 de abril de 2017, às

Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro

 

A obra sempre emergente de Gianguido Bonfanti

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A exemplar Arte aborígene da Austrália

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