Moles apresenta retratos pós-convivência com povo de Benim

Moles apresenta retratos pós-convivência com povo de Benim

Ensaio humanitário do fotógrafo francês revela facetas da comunidade africana 

   Na individual “Às portas do Benim”, Jean-Jacques Moles apresenta 19 fotografias que exibem a vida cotidiana das pessoas em Benim - país africano pouco fotografado, que mantém costumes culturais e história recente singular na África. “Seja qual for o meu destino, eu estou mais atraído ao cotidiano mundano. E com a certeza de que no final da viagem uma porta será aberta por uma família, algo acolhedor, atento e curioso, por um tempo partilhado e desfrutado com prazer”, diz o fotógrafo. A exposição, com curadoria de Milton Guran, integra o evento FotoRio – que tem por objetivo valorizar a Fotografia através da promoção de inúmeras atividades pela cidade. Na imagem acima, Jean-Jacques Moles, Mulher Peul transportando produtos Natitingou, 1997, Benim (Natitingou é uma cidade a noroeste de Benin que recebe turistas por ficar a 50 km do Parque Nacional Pendjari do Benin, onde é possível observar a vida selvagem no Oeste Africano).

Jean-Jacques Moles, Camille, Cécilee e as crianças e Kotcho, em Adanhondjigon, Benim, 2004

Jean-Jacques Moles, Camille, Cécilee e as crianças e Kotcho, em Adanhondjigon, Benim, 2004

Benim resiste

   As fotografias de Moles foram feitas de forma analógica, em preto e branco, e resultam de pesquisa sobre a relação com o outro e seu cotidiano. O fotógrafo esboça a imagem de um país que resiste sobre os restos de uma longa história em camadas - o antigo Reino do Daomé, a colonização Portuguesa e Francesa, rituais de vodu, o comércio de escravos em Ouidah, a cultura afro-brasileira de Porto Novo e a fortíssima experiência socialista entre os anos 70 e 80. Benim ainda não superou as  problemáticas implantadas no período colonial e pós-colonial impostas pela França. A violência religiosa nos países vizinhosNigéria e Burkina-Faso também afetam a sociedade em Benim. Neste cenário, Moles traz ensaio com abordagem humanitária sobre os beninenses.

Jean-Jacques Moles, Jeanne e Isabelle cristãs celestiais, em Cotonou, Benim, 1998

Jean-Jacques Moles, Jeanne e Isabelle cristãs celestiais, em Cotonou, Benim, 1998

Herança francesa

   A República do Benim é considerada por historiadores como um modelo de democracia perante a realidade na África. Localizado na região ocidental do Continente. A população, segundo censo de 2009, é de nove milhões de habitantes. Conhecida pelos invasores e exploradores de riquezas no século XVII ao século XIX, Benim era chamada de “Costa dos Escravos” e foi devastada culturalmente pela prática de horror do tráfico de humanos transatlântico. E mesmo após o chamado fim da escravidão, a França continuou a dominar o território. Em 1960, a independência superou o reinado de Daomé, mas foi seguida de sucessivos golpes militares. Em 1972, um grupo de oficiais tomou o poder em nome de ideais socialistas, liderados por Mathieu Kérékou, que governou até 1990. Em 1975, por se banhado pela Baía de Benim, o país de 112.622 quilômetros quadrados deixou de ser a República de Daomé, que ainda era uma referência ao domínio francês. Kérékou nacionalizou companhias estrangeiras, estatizou empresas privadas de grande porte e criou programas populares de saúde e educação, mas a agricultura e o comércio permaneceram em mãos privadas. A década de 1980 foi de crise econômica e mesmo recorrendo a empréstimos no exterior, o Governo não consegue evitar os protestos. Em 1989, uma onda de reclamações do povo, leva o presidente Kérékou a promover uma abertura política e econômica. Com a instituição do pluripartidarismo, surgem mais de cinquenta partidos. Benim vive hoje toda essa História marcante do passado, mas está atenta e desejosa de um futuro melhor e é considerada no continente africano como um modelo de democracia.

Produção correspondente

   Moles desenvolve processo particular de registros, numa espécie de diário de suas vivências. Apresenta as imagens em formato quadrado, 50 x 50 cm, ampliações 100 x 100 cm e ainda formatos panorâmicos principalmente verticais de 55 x 132 cm. O fotógrafo se esforça para manter uma relação com seus personagens, revê-los para construir uma história comum e até enviar suas fotografias por correspondência. A realização das impressões analógicas, a edição de livros e as exposições permitem ao fotógrafo dividir o que viveu pelo mundo.

Jean-Jacques Moles, Josiane e as gêmeas, Djanie e Gladys, em Adanhondjigon, Benim, 2004

Jean-Jacques Moles, Josiane e as gêmeas, Djanie e Gladys, em Adanhondjigon, Benim, 2004

Morador viajante

   Em 2016, Moles mostrou “Às portas do Benim” no Centro Cultural Francês, em Contonou, em Benim, e na galeria Vallois, em Paris, durante o evento “Photo Saint -Germain”. Sua necessidade de troca o levou a fotografar Romênia, Cuba e grande parte da África, além de outros países. Sua abordagem à fotografia está intimamente ligada ao turismo. O fotógrafo escolhe realizar trabalho em países fechados, seja por razões políticas ou econômicas. Suas fotografias são pacientemente produzidas ao longo de estadias sucessivas nos mesmos países, com base na troca e confiança. É na Romênia, por exemplo, após a "Revolução" de dezembro de 1989, que aprende a abrandar o ritmo para capturar o mundo com mais profundidade. Passou por Benin, Cuba, na aldeia de Viñales, e Etiópia. Apresentando exposições estende o desejo de compartilhar conhecimento com o público. Já expos mais de 20 vezes na França. A exposição “Je suis Grigore... Un monde rural roumain” prosseguiu até março de 2017 na Abadia de Flaran, no departamento de Gers, na França. Fez exposições na Casa da Cultura da cidade de Cuba e a Torre da Água Toulouse Gallery.

 “Às portas do Benim” 

Abertura dia 17 de maio, 11h às 14h30

Término dia 2 de julho, às 19h

Centro Cultural da Justiça Federal, Rio de Janeiro

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