Monumentais e tridimensionais marcam 60 anos de José Bechara

Monumentais e tridimensionais marcam 60 anos de José Bechara

O artista repaginou obras antigas e explorou o espaço arquitetônico singular do Museu

   Com curadoria de Beate Reifenscheid, a mostra reúne trabalhos tridimensionais em grande escala, realizados em alumínio, mármore, madeira e vidros planos, além de pinturas sobre lona. O conjunto é formado por trabalhos inéditos, alguns deles desenvolvidos a partir de obras anteriores, que ganharam “novas ativações, contaminados pelas demais peças e pelo espaço arquitetônico”, comenta o artista. José Bechara diz que “Fluxo Bruto” propõe uma “mirada para trabalhos em permanente alteração. Em estado bruto, esses trabalhos movimentam-se no curso da produção, e devem se concluir na obra a seguir”.  “Com exceção das pinturas, todos os demais trabalhos serão ‘construídos’ no espaço expositivo durante os dias de montagem, a partir de escolhas frente às relações espaciais e de vizinhança entre as obras”, explica o artista. Na grande parede branca do Salão Monumental, com trinta metros de comprimento, estarão três diferentes trabalhos com vidros planos, pertencentes ao que o artista chama de “pesquisa recente”. Para os curadores do Museu, Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, são “tridimensionais que se confundem com pinturas e bidimensionais que se aproximam de esculturas”. São “trabalhos inéditos por estarem, de fato, sendo vistos pela primeira vez ou por reunirem peças realizadas em anos anteriores em outros arranjos, pensados a partir da relação com o espaço arquitetônico ou do diálogo com o conjunto da exposição”, comentam. Na imagem acima, a obra "Angelas", 2017.

Concreto e não concreto

Beate Reifenscheid é curadora e diretora do Ludwig Museum,
Koblenz, Alemanha. Ela afirma que “José Bechara é um dos artistas
mais interessantes da cena de arte contemporânea brasileira”. Bechara
iniciou a carreira como pintor e comprometeu-se com a arte concreta no
sentido mais amplo da palavra. Para Reifenscheid, a noção e o
entendimento profundos das estruturas construtivas formam o esqueleto
interno das pinturas, que modulam cores num tipo de espaço flutuante,
ilimitado e fica claro também que o foco do artista está sempre em
penetrar o espaço e compreender suas dimensões em percepção. O
concreto e o não concreto estão fundamentados diretamente no nível
das perspectivas possíveis”. A curadora destaca no conjunto de obras
desta exposição, as obras em vidro: “essas obras de José Bechara
salientam a percepção conceitual do construtivismo brasileiro e a
transferem para uma abordagem contemporânea”.

 José Bechara, Rabiscada, 2017.

José Bechara, Rabiscada, 2017.

Obras

“Rabiscada (2017)” utiliza cerca de dez placas – transparentes e leitosas – algumas suspensas e outras apoiadas no piso com cerca de 3,5 m de altura e dez metros de largura. Em meio às placas, uma linha geométrica formada por cerca de 20 varas finas, com 2m cada, na cor laranja percorre toda a extensão do trabalho desenhando por vezes à frente, por trás e também suspensas ou apoiadas na parede. “Sobre amarelos (2017)”, compreende placas de vidro e um cubo amarelo suspensos do teto, formando vários planos sobre uma pintura também em amarelo feita diretamente na parede do Salão Monumental.  “Angelas (2017)” é o que exige maior logística na montagem e demanda um guindaste para içar três esferas maciças de diferentes mármores, pesando a maior cerca de 1,6 tonelada e as duas menores 250 quilos cada, aproximadamente. Todos os elementos (vidros e esferas) ficam suspensos a alturas variadas. Na grande parede de concreto, ao fundo do Salão monumental do Museu está uma nova versão de “Miss Lu” criada em 2007, com volume ampliado e elementos “intrusos” em alumínio, chegando ao tamanho aproximado de 10m x 10m x 3m. Na parede que faz face ao terraço, duas pinturas inéditas, cada uma com 1,70 m x 3,30 m, e um díptico “Musa e abismo“, de 1,80 m x 5 m (Coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz) e duas outras pinturas
(Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio).

 José Bechara, Sobre Amarelos, 2017.

José Bechara, Sobre Amarelos, 2017.

“José Bechara – Fluxo Bruto”

Prorrogada até dia 6 de maio de 2018

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Arquivo digital de Tranchesi em mostra na Estação

Arquivo digital de Tranchesi em mostra na Estação

Basquiat na coleção Mugrabi

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