Mostra reúne primeiros retratos de Assis Horta

Mostra reúne primeiros retratos de Assis Horta

São pelo menos 200 obras do notável fotógrafo que completou 99 anos

  “Assis Horta: Retratos” é o desdobramento do projeto vencedor do XII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte “Assis Horta: A Democratização do Retrato Fotográfico através da CLT”. Assis Horta fez os retratos de operários legalmente registrados pela recém-criada carteira de trabalho em 1943 com a Consolidação das Leis do Trabalho. Mas, ao desenvolver esse trabalho, Assis Horta construiu um acervo incrível de imagens de pessoas daquela época que se constituem em cenas do patrimônio histórico nacional. Esse acervo riquíssimo tem sido revelado à sociedade brasileira pelo pesquisador Guilherme Rebello Horta através de uma série de exposições já apresentadas em cidades de Minas Gerais (Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes e Belo Horizonte) e em Brasília. Guilherme Horta, que apesar do sobrenome, não tem parentesco com o fotógrafo, afirma que para a maioria daquela população tirar a foto para a carteira significou ter um primeiro contato com uma câmera fotográfica. “A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começou a ser descoberta pela classe operária. O retrato entrou na vida do trabalhador: realizou sonhos, dignificou, atenuou a saudade, eternizou esse ser humano, mostrou sua face”, diz o curador.

Patrimônio: Assis Horta fotografou praticamente toda a sociedade de Diamantina-MG entre 1943

Patrimônio: Assis Horta fotografou praticamente toda a sociedade de Diamantina-MG entre 1943

Simbologia da imagem

  Assis Horta manteve estúdio fotográfico em Diamantina entre as décadas de 1940 e 1970, registrando em chapas de vidro praticamente toda a sociedade diamantinense da época. Para que o público conheça a importância da obra de Assis Horta, a exposição foi dividida em três módulos. O primeiro é representado pelo Decreto Lei que instituiu o uso da Carteira de Trabalho e os primeiros retratos 3x4 datados. As fotografias são impressas em papel “fine art” e montadas em molduras de madeira sem vidro. Em seguida, o visitante encontrará um confronto entre a fotografia de identidade civil e o retrato como gênero artístico. E, na terceira parte, estão apresentadas imagens do trabalhador no estúdio fotográfico em poses sozinho, com os amigos ou com a família.

Depois das fotos para a carteira, os trabalhadores voltavam ao estúdio para fotos pessoais livres

Depois das fotos para a carteira, os trabalhadores voltavam ao estúdio para fotos pessoais livres

“Selfies” no antigo estúdio

  Para trazer o visitante para dentro da mostra, foi criada uma parte interativa. O antigo estúdio fotográfico “Foto Assis” foi reproduzido, permitindo ao visitante fazer suas próprias imagens nos mesmos moldes das antigas fotografias, revivendo todo o cenário e o clima daquela época. A exposição também mostra o processo de trabalho de Assis Horta, apresentando vitrines com materiais do estúdio original: filmes, câmera e materiais de laboratório.

No estúdio, Assis Horta fazia cada foto com apenas um clique como exigência de seu processo criativo

No estúdio, Assis Horta fazia cada foto com apenas um clique como exigência de seu processo criativo

“Assis Horta – Retratos”

Abertura dia 14 de março de 2017, às 18h

Término dia 5 de maio de 2017, às 19h

Espaço Cultural BNDES, Rio de Janeiro

 

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Tridimensionais de Tepedino envolvem MAC Niterói

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