"A carne do mar" traz inéditos de Brígida Baltar

"A carne do mar" traz inéditos de Brígida Baltar

Na busca pela intimidade com o oceano, a artista se inspira no seu memorial infantil

   Com curadoria de Marcelo Campos, a exposição individual apresenta série que remete às memórias da infância da artista carioca, que, na busca por conchas perfeitas na areias de Copacabana, encontrava apenas fragmentos. “Foi a partir dos fragmentos - cacos da decepção - que descobri as formas orgânicas e aprendi sobre a potência da incompletude”. Baltar acrescenta ainda que, enquanto desenvolvia estas obras pensava nos significados da palavra quimera: devaneio, ficção, monstro mítico, peixe. 

 Brígida Baltar, Irmãs, 2017

Brígida Baltar, Irmãs, 2017

  Em sua produção, a artista costuma explorar o universo feminino, extraindo as camadas escondidas nas arquiteturas do mundo, frequentemente a partir de elementos orgânicos e naturais. Já trabalhou com materiais retirados da sua própria casa, como tijolos, saibro, poeira e cascas de tinta, investigou o sistema das abelhas e capturou a neblina e o orvalho. Agora, ainda no rastro devaneante da memória, Baltar faz do oceano seu espaço íntimo. “Pensado no mar e na palavra quimera descobri que nas profundezas todos os seres são híbridos”, diz. 

Obras

   Em a Carne do Mar, Brígida Baltar apresenta 12 esculturas de cerâmica ou porcelana esmaltadas, produzidas em 2017. As obras imprimem narrativas diversas em elementos do universo marinho. As conchas recebem diferentes significados, como em A concha triste, O berro da concha, A concha fantasma ou na série Vaginas. Em outras, como em As lambidas do mar, é evidente a influência da porcelana portuguesa na criação de tais obras. 

 As conchas vagina, 2017

As conchas vagina, 2017

   “Das experimentações, além do interesse por buscar cores abissais, as peças apresentam uma riqueza nos avessos rosas e azuis profundos. Aproximam-se, então, formas e elementos corpóreos, quase-órgãos, como vaginas, bocas, narizes, olhos. A artista se coloca a perscrutar as queimas do material e suas surpresas, a mudança de brilho e tonalidade, as fissuras, a transparência”, afirma o curador. 

"Brígida Baltar – A Carne do Mar"

Abertura, dia 24 de fevereiro, às 11h

Término, dia 24 de março de 2018

Galeria Nara Roesler - SãoPaulo

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