Erwin Wurm faz primeira individual no Brasil

Erwin Wurm faz primeira individual no Brasil

Com curadoria de Marcello Dantas, "O corpo é a casa" apresenta obras do artista contemporâneo no Brasil

 Wurm trabalha com a reconfiguração de objetos do cotidiano, valorizando conceito e interação, com humor, sugerindo novas interpretações ao que nos cerca no dia a dia. Na foto feita no estúdio do artista para divulgação, "Conversível gordo", 2004. Ele tem feito sucesso na Europa com obras instigantes como as da série “Esculturas de um minuto”, onde o público – por exemplo, no metrô - é convidado a tornar-se parte da escultura por pelo menos um minuto para fazer ou não uma foto. Wurm utiliza mídias variadas – esculturas, vídeos, instalações, performances e intervenções – para desafiar e distorcer formas tradicionais, objetos comuns, como um carro, que ganham aspectos distorcidos e expandidos.

Crítica ao consumismo

O humor permeia completamente a obra do austríaco. Ele faz uma crítica feroz à sociedade de consumo e à cultura contemporânea. Segundo ele, o humor leva as pessoas a olharem para as coisas com mais cuidado. Com cerca de 40 obras, “O corpo é a casa” apresenta importantes trabalhos do artista. “Casa Gorda” (2003) tem grandes dimensões e pesa cerca de duas toneladas; a série “O artista que engoliu o mundo” (2006) discute a presença do artista em sua obra; 13 vídeos foram espalhados pelo espaço da exposição em lugares inusitados como banheiros, corredores e elevadores. E até a fachada do prédio foi usada para uma intervenção com móveis, chamando a atenção dos passantes.

Wurm cria objetos antropomórficos, explorando a "ressignificação da nossa energia corpórea"

Wurm cria objetos antropomórficos, explorando a "ressignificação da nossa energia corpórea"

Arquitetura e Escultura

Ao percorrer o conceito de corpo e elementos domésticos e do cotidiano, esse conjunto de obras de Wurm explora tanto noções arquitetônicas, para as quais o artista olha a partir do ponto de vista escultórico, quanto "a natureza transformativa da escultura em suas muitas encarnações", como aponta o curador. O conjunto antropomórfico e obeso sugere algumas atribuições biológicas ao objeto artístico, como o ato de consumir, tornando-o capaz então de "preencher" o seu próprio interior. Seguindo essa lógica, obras envolvendo comida também estão presentes como as roliças salsichas que mimetizam atividades humanas da série “Esculturas abstratas”, 2014 e “Grande Beijo”, 2015; a instalação de 37 pepinos de acrílico pintado sobre pedestais “Auto-retrato como Pickles”, criada em 2008 e apresentada em diversos países desde então, e “Cuspa na Sopa de Alguém”, 2003. "Entendo que a matéria-prima de qualquer escultura é energia e a unidade de medida de energia, que é a caloria, é o mesmo elemento que irá alterar a forma, o volume e a densidade dos materiais. E estes irão explorar a ressignificação da nossa própria energia corpórea em obras de arte simbólica, desafiando a noção de performance, escultura e arte", comenta Marcello Dantas.

Casa gorda, de 2003, pesa duas toneladas e integra a mostra no Brasil - Foto Jesse  Willemsen/Divulgação

Casa gorda, de 2003, pesa duas toneladas e integra a mostra no Brasil - Foto Jesse  Willemsen/Divulgação

Deformados e redimensionados

Como desdobramento das investigações das estruturas arquitetônicas, Wurm olha também para os interiores dos objetos domésticos os quais ele deforma e redimensiona. Exemplos são obras como a prateleira derretida feita de bronze e pátina “Dodge”, 2012, a “Cadeira prensada” e “Vaso sanitário”, ambos de 2014;  o relógio agigantado “Perdido”, 2015; o armário que parece ter sido esmurrado “Primeira Ascenção – Parede Norte”, 2016; entre outras.

Um minuto para a Arte

A série “Esculturas de Um Minuto” foi criada inicialmente nos anos 1990, transformando os próprios espectadores em esculturas a partir de instruções deixadas pelo artista. Seja vestindo uma peça de roupa ou posicionando a própria cabeça dentro de um armário, o sujeito cria formas efêmeras que logo em seguida se desfazem, como uma espécie de performance não programada. A experiência das obras de Erwin Wurm extrai do espectador deleite e senso de humor. Este último, segundo ele, leva o sujeito a olhar para as coisas com mais atenção e, portanto, com maior engajamento, por isso ambos (humor e espectador) acabaram se tornando os ingredientes mais importantes do seu gesto artístico.

Leve, solto e franco

"Por um período de tempo eu tentei encontrar a forma mais rápida de me expressar. E isso se reflete na minha crença na franqueza. É o mesmo tipo de franqueza que você encontra nos quadrinhos, elemento que eu frequentemente uso em meu trabalho", resume Wurm. Enquanto muitos artistas se concentram em dificultar a banalidade, o austríaco está interessado em fazer da dificuldade algo leve e acessível. Sua trajetória inclui principais eventos mundiais.

Currículo do artista

Nasceu em Bruck an der Mur, Áustria (1954), onde vive e trabalha entre as cidades de Viena e Limberg. O artista apresentará na 57ª Bienal de Veneza, em 2017, a exposição intitulada “Pavilhão de Luz”. É a quarta vez que ele participa desta Bienal. Ganhou exposições individuais em instituições consagradas pelo mundo como o Museum für Moderne Kunst (Berlim), Museum der Moderne (Salzburg), MACRO – Museo d‘Arte Contemporanea (Roma), Museum of Contemporary Art (Sydney), Peggy Guggenheim Collection (Veneza) Palais de Tokyo (Paris), Fundación Joan Miró, (Barcelona), The Photographers Gallery (Londres), MAK - Center for Art and Architecture (Los Angeles), Städel Museum (Frankfurt), entre outros. Participou de dezenas de exposições coletivas, incluindo as mais importantes bienais como Veneza (quatro vezes), Lyon, Sevilha, Lüttich, Bucharest, Taipei, Liverpool, Montreal, Sydney e São Paulo, entre outras.

A inovação por Dantas

Esta exposição é mais uma para a trajetória de Marcello Dantas como responsável por inovar o conceito de Museologia atual. Ele assina as mudanças em museus - como o Museu da Língua Portuguesa, Museu do Caribe na Colômbia, Museu das Minas e do Metal - com vistas a oferecer aos visitantes o que ele chama de "uma experiência de imersão total". Em 2016, assumiu o desenvolvimento do projeto Japan House do governo do Japão em São Paulo, marcado para abrir em 2017. Renomado curador de exposições, diretor artístico e documentarista, Marcello Dantas é o nome por trás de algumas das principais mostras de arte realizadas no Brasil, entre elas Invento: As Revoluções que nos Inventaram; CRU | Comida, transformação e arte; CICLO – Criar com o que Temos; Bossa na Oca, sobre os 50 anos da Bossa Nova; Roberto Carlos - 50 anos de música. Ele também assinou a curadoria de exposições individuais no Brasil de artistas estrangeiros de renome, como Antony Gormley, Patricia Piccinini, Cai Guo Qiang, Christian Boltanski, Anish Kapoor, Jenny Holzer, Gary Hill, Tino Sehgal, Peter Greenaway, Rebecca Horn, Bill Viola e Laurie Anderson, entre muitas outras. Dantas é ainda responsável por inovar o conceito de museologia atual, trazendo doses sem precedentes de inovação, em Museus como o Museu da Língua Portuguesa, Museu do Caribe na Colômbia, Museu das Minas e do Metal com vistas a oferecer aos visitantes o que ele chama de "uma experiência de imersão total". Em 2016, assumiu o desenvolvimento do projeto Japan House do governo do Japão em São Paulo, marcado para abrir em 2017.

Depois da temporada na cidade, que vai até 03 de abril, a exposição segue para Brasília (de 21/04 a 26/06), Belo Horizonte (de 11/07 a 18/09) e Rio de Janeiro (de 11/10 a 08/01/2018).

 “Erwin Wurm – O corpo é a casa”
Abertura dia 25, às 15h, com palestra de Wurm sobre seu processo criativo. Entrada franca, mediante retirada de senha uma hora antes do início do evento
Término dia 3 de abril, às 21h
Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo

 

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