"O nome do medo" apresenta 32 peças de Rivane Neuenschwander

"O nome do medo" apresenta 32 peças de Rivane Neuenschwander

A artista trabalhou em colaboração com o designer de Moda Guto Carvalhoneto a partir de um processo de criação com o público infantil

 Com curadoria de Lisette Lagnado, a mostra apresenta o resultado de obras que começaram a ser desenvolvidas em diversas oficinas no Rio de Janeiro: com crianças de escolas públicas,  com crianças de escolas particulares, com crianças de unidades de reinserção social (URS), com o público espontâneo do Museu de Arte do Rio e com o público da Escola de Artes Visuais Parque Lage. Para a artista, o projeto permite questionar as origens psíquicas e sociais do medo: “A oposição entre brincadeira e violência faz com que esse trabalho ofereça condições singulares para que a criança manifeste seus anseios e temores, para que os adultos reavaliem tanto a infância quanto a exposição cotidiana da criança à brutalidade, e, ainda, para repensarmos como o medo decorre de um tipo de afeto coercitivo dentro da sociedade”.

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Yanghyun - Prêmio coreano

Rivane já fez exposições individuais e coletivas na Suécia, Irlanda, Japão, África do Sul e França, entre outros países.  Suas obras são produzidas a partir de processos colaborativos com o público.O projeto que dá nome a esta mostra, "O nome do medo", foi concebido por Rivane, porque ela recebeu o prêmio Yanghyun, em 2013. O prêmio coreano contempla artistas com obras reconhecidas internacionalmente e, por meio deste, a Fundação Yanghyun oferece aos ganhadores um sistema de apoio para realização de uma mostra em um museu renomado.

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Temores londrinos

 Em 2015, Rivane foi convidada para colaborar com o evento "Children’s Comission", realizado anualmente pela galeria de arte Whitechapel, em Londres.  O evento foi criado para promover a interação das crianças com a arte. Na ocasião, a artista se propôs a investigar o medo a partir do olhar das crianças, que foram estimuladas a listar e a desenhar seus maiores temores e a construir capas com materiais ricos em texturas e cores, como algodão, organza, fitas, plásticos e linhas - trabalhando com uma simbologia para ajudá-las a se protegerem de seus medos. A partir dessa produção, a artista criou capas estilizadas com a colaboração do designer de Moda Lucas Nascimento, brasileiro radicado em Londres.

Uma das oficinas reuniu crianças na Escola de Artes Visuais Parque Lage, Rio de Janeiro

Uma das oficinas reuniu crianças na Escola de Artes Visuais Parque Lage, Rio de Janeiro

Experiência carioca

 A artista desenvolveu no Rio de Janeiro, a experiência das oficinas públicas e realizou 12 oficinas, cada uma com duração de três horas, recebendo pelo menos 240 crianças, com idades entre seis e 13 anos. Rivane escolheu lugares conhecidos por agregar Arte e Cultura, como a Escola do Olhar e a EAV Parque Lage, e trabalhou com artistas renomados, como Laura Lima, Anitta Boavida, Chiara Banfi, Daniel Steegmann-Mangrane, entre outros, como auxiliares do público nas confecções de peças.  Como em Londres, as capas desenhadas e construídas durante essas oficinas ganharam um novo formato pelas mãos de Rivane, desta vez com a colaboração do designer de Moda Guto Carvalhoneto. E a curadora Lisette Lagnado fez o acompanhamento do processo.

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Rivane Neuenschwander, uma das capas no projeto "O nome do medo"

Carvalhoneto faz sucesso

 Guto Carvalhoneto formou-se em design de moda pela Universidade Cândido Mendes, em 2008. Já em 2009 foi viver em Paris para aprofundar os seus conhecimentos. Durante esse período, trabalhou como visual merchandising para uma marca de prêt-à-porter francesa e paralelamente desenvolveu sua pesquisa focada na precisão e técnicas da alta costura parisiense. Em 2011, lançou sua marca, buscando experimentar materiais e formas não comuns à moda comercial, unidas às semelhanças estéticas entre o sertão e o oriente, contaminando-se também pelo cinema e pelas artes visuais.

"O nome do medo" 
Abertura dia 21 de fevereiro, com conversa na Galeria, às 16h
Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro
O olhar, o poder e as performances de Monica Barki

O olhar, o poder e as performances de Monica Barki

Onze países participam do "Soy mujer, soy latinoamericana" 

Onze países participam do "Soy mujer, soy latinoamericana"