Obras inéditas de Delson Uchôa na Anita Schwartz

Obras inéditas de Delson Uchôa na Anita Schwartz

Depois de 13 anos, o artista apresenta individual no Rio com resultado de amplo processo de criação 

   Pitura, corte, composição, recorte, pintura, transposição, raspagem, costura. São inúmeras as investidas de Delson sobre o suporte, mas antes ele cria o seu próprio suporte, uma espécie de pele. “Eu me alimento de mim mesmo, do meu próprio tempo, e a pintura se alimenta dela própria”, explica o artista, num processo de criação, denominado por ele próprio, como autofágico. Das seis obras em grandes formatos nesta Mostra, a maioria têm dupla face. O público vai poder tocar e manusear as obras nesta exposição que já tem no título a instigante proposta de Delson Uchôa: “Autofagia – Eu Devoro Meu Próprio Tempo". Na reprodução acima, detalhe da obras "Oitava Horizonte", que pode ser vista por inteiro no final desta postagem.

Pintura sobre pintura 

   Delson Uchôa, vive e trabalha em Maceió, onde nasceu em 1956, e começou a pesquisar tipos de suportes para sua pintura a partir de experimentos vários. Colorista por essência, nessa pesquisa começou a produzir pinturas sobre uma camada de resina aplicada no chão de lajotas de cerâmica crua de seu ateliê. Depois de alguns meses, Delson descola esses trabalhos do chão. Surgem finas camadas que podemos comparar a uma espécie de "pele". E sobre esses "mantos de pele", Delson produz novas pinturas num investimento de novas ações que podem incluir mais pedaços do "suporte" ou até mesmo outras obras do artista. Por exemplo, “Flor do Cerrado”, com quase quatro metros de altura por cinco de largura, pesando 44 quilos, possui aplicada, por costura, uma pintura de 1985, “Murano com Flores”, do próprio Delson Uchôa.   

 Delson Uchôa, Pequeno Corrupio, 2017, 244 cm x 216 cm (frente)

Delson Uchôa, Pequeno Corrupio, 2017, 244 cm x 216 cm (frente)

 Delson Uchôa, Pequeno Corrupio, 2017, 244 cm x 216 cm (verso)

Delson Uchôa, Pequeno Corrupio, 2017, 244 cm x 216 cm (verso)

Costura cirúrgica

   A formação em Medicina trouxe ao grande artista Delson Uchôa conhecimentos que ele explora a cada pincelada. Neste conjunto que traz ao Rio, compara as finas camadas que usa como suporte ao maior órgão do corpo humano, a pele. Ao produzir suas obras, Delson usa pedaços variados que escolhe em detalhes para recompor novas pinturas e finaliza com a costura para fechar a obra-prima.

 Delson Uchôa, Instalação Pintura Objeto, 2017

Delson Uchôa, Instalação Pintura Objeto, 2017

Instalação e vídeos 

   Além de cinco pinturas recentes em grandes formatos, o artista apresenta nesta Exposição, no segundo andar da Galeria, a instalação Pintura-Objeto, deste ano. No terraço da Galeria, vídeos sobre o processo criativo de Delson Uchôa. 

 Delson Uchôa, Flor do Cerrado, detalhe

Delson Uchôa, Flor do Cerrado, detalhe

Trajetória 

   Delson Uchôa nasceu em 1956 em Maceió. Formou-se em Medicina em 1981, quando paralelamente iniciou seus estudos de pintura na Fundação Pierre Chalita. Viajou para a França, onde conheceu as pinturas dos grandes mestres. Ao retornar ao Brasil, viveu por um período em Belo Horizonte e chegou a fixar residência no Rio de Janeiro na década de 1980. A partir daí, passou a fazer parte dos artistas da Galeria Saramenha, onde realizou duas individuais: em 1985 e em 1988, com texto do pintor Jorginho Guinle. Depois, a Galeria Thomas Cohn realizou outras duas individuais, em 1990 e em 1993. Em agosto de 1993, recebe Bolsa de estudos e realiza exposição em Berlim.

 Delson Uchôa, A linha alinha o chão,

Delson Uchôa, A linha alinha o chão,

 Delson Uchôa, A linha alinha o chão, detalhe

Delson Uchôa, A linha alinha o chão, detalhe

   Ao retornar ao Brasil, Delson passou a morar em Maceió e, em1996, realizou individual comemorativa de 15 anos de pintura. Em 1998, participou da XXIV Bienal de São Paulo sob curadoria de Paulo Herkenhoff. Em 2001, a TV Senac realizou um documentário sobre sua obra, exibido na série Arte brasileira. Em 2002, participou do histórico programa de residência artística Faxinal das Artes, com curadoria de Agnaldo Farias e Fernando Bini, na vila serrana Faxinal do Céu, distante mais de 300 quilômetros de Curitiba. Em 2003, por convite de Agnaldo Farias, expôs no Instituto Tomie Ohtake em uma grande mostra junto a outros dois pintores, Caetano de Almeida e Cássio Michalany. Em 2005, ocupou os espaços do MAMAM, sob curadoria de Moacir dos Anjos, mesmo ano em que passa a integrar o acervo do Museu de Belas Artes (MNBA).  Para o Aeroporto Internacional de Maceió, a Infraero adquiriu um painel de Delson Uchôa.

 Delson Uchôa, Jardim Inventário, 2017, 175 cm x 240 cm

Delson Uchôa, Jardim Inventário, 2017, 175 cm x 240 cm

Tempo presente, sempre  

   Apesar de não fazer uma individual no Rio de Janeiro desde 2005, debruçado em pesquisa no ateliê, as obras de Delson Uchôa estão sempre incluídas em mostras coletivas não somente em cidades brasileiras, mas também no exterior.  Os trabalhos do artista estão em instituições, como Inhotim, na Fundação Edson Queiroz, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), na Coleção Gilberto Chateuabriand/MAM Rio, na Coleção João Sattamini/MAC Niterói e no Museu Nacional de Belas Artes. Na Alemanha, suas obras integram em Berlim as coleções York Stack e Vogt, e, em Koblenz, o acervo do Ludwig Museum. Em 1993, fez uma residência artística na Alemanha, onde expôs na galeria
Springer, em Berlim. Participou da XXIV Bienal de São Paulo, em 1998, com curadoria de
Paulo Herkenhoff, e da mostra "Como vai você, Geração 80", organizada por Marcus de
Lontra Costa e Paulo Roberto Leal, na EAV Parque Laje, em 1984.

 Delson Uchôa, Oitavo Horizonte, 2017, 210 cm x 220 cm

Delson Uchôa, Oitavo Horizonte, 2017, 210 cm x 220 cm

“Autofagia – Eu devoro meu próprio tempo"
Abertura, dia 20 de junho de 2018, às 19h, com performance inédita do coletivo Loba, das artistas Flora Uchôa e Laura Fragoso. Dentro da pesquisa que fazem em torno da experiência sonora “como um resgate da experiência primitiva do ser humano”, elas apresentarão “Intratosfera”, com participação do guitarrista Victor Nogueira
Término, dia 18 de agosto de 2018

Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio de Janeiro
 
"Villa nos Correios" em altíssimo nível

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Derlon mostra pinturas poéticas na Artur Fidalgo

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