Oito décadas de Arte Naïf no Memorial da América Latina

Oito décadas de Arte Naïf no Memorial da América Latina

A exposição faz uma espécie de registro da Arte Naïf no Brasil, explorando a diversidade cultural nessa produção. 

O marchand franco-belga estabelecido no Brasil e proprietário da galeria que recebe o seu nome em São Paulo, assina a curadoria da coletiva “Arte Naïf, uma viagem na alma brasileira”. Jacques Ardies organizou a megamostra em ordem cronológica. “Os artistas conseguem superar dificuldades técnicas e criam uma linguagem inédita, pessoal e singular. A Arte Naïf baseia-se nessa liberdade para expressar memórias e emoções, por isso, escolhi uma apresentação que começa pela década de 1940 até os dias atuais, com destaque para características marcantes da cultura brasileira”, observa o curador.

Seleção em três núcleos

O primeiro núcleo da mostra é histórico, composto por nomes reconhecidos neste segmento da Arte; o segundo núcleo abrange artistas da atualidade, cujos trabalhos também sofrem influências de novas técnicas e temas contemporâneos. E complementando a exposição, uma área especial apresenta dez esculturas.

Olhar de vanguarda

A Arte Naïf é definida como ingênua, por não ser acadêmica. O termo Naïf foi pela primeira vez utilizado para identificar os trabalhos de artistas autodidatas. Em 1886, na França, foi organizado o “Salão dos Independentes”, apresentando talentos como Henri Rousseau, que era funcionário de alfândega e teve suas obras admiradas pela vanguarda artística da época, formada por nomes como Picasso, Matisse e Paul Gauguin, entre outros.

Ernani Pavaneli, Cão gato e companhia, 2016, pintura

Ernani Pavaneli, Cão gato e companhia, 2016, pintura

Pesquisa desafiadora

Por ser uma Arte justamente apoiada nas experiências próprias de cada artista, sem qualquer preocupação com linhas e formas, a pesquisa e seleção para uma exposição tornam-se um desafio. Ardies escolheu obras de 70 artistas: Agenor, Agostinho Batista de Freitas, Alba Cavalcanti, Ana Maria Dias, Antônio Cassiano, Antônio de Olinda, Antônio Julião, Antônio Porteiro, Artur Perreira, Bajado, Barbara Rochltiz, Bebeth, Chico da Silva, Conceição da Silva, Constância Nery, Crisaldo Morais, Cristiano Sidoti, Denise Costa, Dila, Doval, Edivaldo, Edna de Araraquara, Edson Lima, Elisa Martins da Silveira, Elza O.S, Ernani Pavaneli, Francisco Severino, Geraldo Teles de Oliveira, Gerson, Gilvan, Grauben, Helena Coelho, Iaponí Araújo, Ignácio da Nega, Iracema, Isabel de Jesus, Ivan Moraes, Ivonaldo Veloso de Melo, José Antônio da Silva, José de Freitas, José Perreira, Lia Mittarakis, Louco, Lourdes de Deus, Lucia Buccini, Luiz Cassemiro, Madeleine Colaço, Magdalena Zawadzka, Maite, Malu Delibo, Mara Toledo, Marcelo Schimaneski, Maria Auxiliadora, Maria Guadalaupe, Miranda, Mirian, Neuton de Andrade, Olimpio Bezerro, Passarinheiro, Raimundo Bida, Rodolpho Tamanini Netto, Rosina Becker do Valle, Silvia Chalreo, Soati, Sônia Furtado, Vanice Ayres, Waldemar, Waldomiro de Deus, Wilma Ramos e Zé do Embu.

 Arte Naïf, Uma Viagem Na Alma Brasileira
Até dia 6 de janeiro de 2017, às 18h
Memorial da América Latina - Galeria Marta Traba, São Paulo
"Eterno retorno" traz obras de Antonia Dias Leite

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MNBA rememora cenário artístico de 1816

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