"Olamapá", individual de Scherpenberg, resgata sentimentos

"Olamapá", individual de Scherpenberg, resgata sentimentos

Com curadoria de Gabriel Perez-Barreiro, a exposição apresenta vídeos, fotografias e uma instalação 

Nessas obras, articulam-se questões sobre a vida, o tempo, a matéria e a arte. Katie van Scherpenberg tornou-se fonte de estudos e sua obra é referência na arte contemporânea. “A obra de Katie nos ensina ou nos faz lembrar que a arte e a vida não são categorias distintas – a arte não é uma reflexão sobre a vida, mas uma parte inseparável dela, feita da mesma materialidade e dos mesmos rumos. Olhar um trabalho de Katie van Scherpenberg é entregar-se a uma experiência de pathos no seu sentido mais exato, gerando uma resposta emocional por meio de um sentimento de rendição. Um trabalho que registra um processo implacável de decadência inevitável que nos faz conscientes da nossa própria mortalidade, um fato, aliás, da mais profunda indiferença para o mundo que nos cerca", afirma o curador. Na reprodução acima, “Esperando por papai”, Rio Negro, 2004.

Katie van Scherpenberg, Síntese

Katie van Scherpenberg, Síntese

Inspiração e intervenção

Em 1980, Katie van Scherpenberg iniciou seus trabalhos experimentais de intervenção em cenários naturais como praia, rio, jardim e floresta, usando-os como uma espécie de suporte para suas pinturas. Ela diz: “_Tudo o que faço é pintura. Os trabalhos não são feitos no sentido happening ou uma instalação. Em cada intervenção examino aspectos, técnicas e problemas estéticos da pintura: o preto e branco em Síntese, a questão da luz em Esperando Papai, a aquarela em Menarca (pigmento se dissolvendo na água).  No vídeo Landscape painting, fiz intervenções na própria natureza lembrando as expedições artísticas e cientificas do século XIX. A pintura é a técnica que eu uso para pensar e sentir. Uma busca constante de crescimento, alastramento, densidade, absorção e profundidade. Eu nunca sei exatamente o que vai acontecer, o conceito e a poesia vem depois. Quando comecei estas obras, nunca pensei em mostrá-las. Eram ensaios que eu realizava para mim. Depois, quando associei os estudos com minhas pinturas é que decidi expô-las”.

Katie van Scherpenberg, Menarca, 2000-2017

Katie van Scherpenberg, Menarca, 2000-2017

Menarca

A artista utiliza-se de pigmento vermelho para “pintar” a água, fazendo referência à menarca, primeiro fluxo menstrual feminino. Usando a água como tela a artista deixa uma marca passageira na natureza que se encarrega de dissolvê-la. Trabalho realizado na praia de Boa Viagem em Niterói.

Katie van Scherpenberg, Esperando por papai, 2004

Katie van Scherpenberg, Esperando por papai, 2004

 Esperando por papai 

Sequência de fotos realizadas no rio Negro (Amazonas). A personagem está sentada ao lado de uma mesa, num final de tarde com a água pela cintura. Sobre a mesa, também parcialmente encoberta pela água, um lampião aceso. As imagens captam o pôr do sol e a substituição da luz natural pela iluminação de uma lamparina, enquanto se aguarda...

Katie van Scherpenberg, Síntese, 2004-2019

Katie van Scherpenberg, Síntese, 2004-2019

 

Síntese

Remontagem do trabalho realizado em uma pequena praia ribeirinha do rio Negro (Amazonas). Quadrados de sal grosso dispostos à margem do rio são dissolvidos aos poucos pelas águas. Gradativamente ficam cobertos de gravetos de carvão, arrastados pelas águas, vindos das árvores destruídas pelas queimadas. O sal muito branco em contraste com a areia negra da praia amazônica e a fuligem oriunda da floresta.

 

Katie van Scherpenberg, Landscape painting, 2004

Katie van Scherpenberg, Landscape painting, 2004

Landscape painting 

Registro da artista pintando folhas de árvores da floresta Amazônica às margens do rio Negro, fazendo da paisagem sua tela e a própria obra. 

Sobre a artista

Katie Van Scherpenberg é filha de pai alemão naturalizado holandês e mãe norueguesa, nasceu em São Paulo em 1940. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É pintora, desenhista, gravadora e professora. Passou a infância na Inglaterra e veio com a família para o Brasil em 1946. Entre 1958 e 1960, estudou pintura com Catherina Baratelli, no Rio de Janeiro. Em 1961, ingressou na Academia de Belas Artes da Universidade de Munique, na Alemanha. Foi aluna do pintor Oscar Kokoschka (1886-1980), em 1963, em Salzburg, Áustria. De volta o Brasil, em 1966, estudou gravura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Foi uma das fundadoras da ABAPP – Associação Brasileira de Artistas Plásticos Profissionais e do Núcleo Experimental de Arte, em Petrópolis. Foi professora da Universidade Santa Úrsula e da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Também deu aulas na Universidade do Texas (EUA) e realizou conferências no Brasil e no exterior (Estocolmo, Roma e Madrid). Participou de inúmeras exposições e das Bienais de São Paulo de 1981, 1989 e 1998. Recebeu prêmios, bolsas e seus trabalhos fazem parte de importantes coleções no Brasil e no exterior.

Olamapá - Katie Van Scherpenberg

Abertura, dia 4 de fevereiro de 2019, às 19h

Término em 31 de março de 2019

Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro




Luciana Caravello faz recorte com 50 recentes do acervo

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Em São Paulo, obras diretamente do Zentrum Paul Klee

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