PapaImagem traz mostra com total interação

PapaImagem traz mostra com total interação

Tudo que se toca vira arte envolve o espaço e os visitantes para a ampliação das obras durante a exibição da exposição

   Com curadoria de Lúcia Avancini, a mostra de vídeos do Coletivo PapaImagem traz obras realizadas com celular. A novidade é a forma como são apresentados: numa busca pela integração, os vídeos ultrapassam as telas dos monitores, abrangendo no processo criativo a arquitetura ao redor, incluindo os espectadores num chamado ao diálogo com a obra de arte. 

O conceito

   Nas obras dessa exposição, o Coletivo explora quatro correntes conceituais: o vídeo como escrita, o vídeo como performance (corpo), o vídeo plástico e a espacialização da imagem. Pretende-se romper com o estabelecimento para conhecer novos rumos do que é visto. Assim, são representados quatro conceitos básicos de pesquisa do PapaImagem: o olhar, o corpo, a escrita e o espaço.

As obras

   Nesta exposição, são apresentadas seis videoinstalações. Criadas a partir de exercícios de leituras, reflexões e discussões do grupo sobre as temáticas, que estão no cotidiano, as obras abordam questões como a realidade visual, censura, natureza, poesia e urbanismo. Tudo sempre tendo o fazer artístico como linha mestre. 

O PapaImagem

   O Coletivo PapaImagem tem como proposta conceitual a experimentação e a pesquisa em videoarte e videoinstalação. Busca um espaço comum para interação, difusão e os cruzamentos possíveis entre arte, tecnologia e espaço.

Textos

   A seguir reproduzimos o texto da curadora e artista visual Lucia Avancini.

   "tudo que se toca vira arte

   O vídeo é um estado do olhar. É assim que entendemos a convergência entre arte e
vídeo. A criação do artista gera novos sentidos a imagens capturadas, articulando
novos significados, onde realidade e imaginário se confundem. Não há limites para a
arte e qualquer simbiose entre diversas linguagens exponencia as possibilidades de
representação artística. Compete ao artista, criar valores novos; '... Criar valores é
intervir na história pessoal do espectador. Criar-lhe um gosto, dar-lhe um novo ponto
de vista...' César Aira.

   Na videoarte, como na pintura e na fotografia a imagem vincula o pensamento do
artista ao do espectador. Uma proposta que o artista envia para ser lida e refletida."

   O escritor Silviano Santiago preparou o seguinte texto sobre a mostra:

   "Tudo que se toca vira arte. A faixa pintada ou estendida no chão da galeria ou
do museu anuncia o limite do olhar dos presentes. O que se lhes mostra os atrai,
embora lhes seja proibido tocar. Se o espectador tocar o que o toca, vira transgressor.
Expulso do recinto e, se usar objeto pontiagudo, preso pela polícia. Espectador é
quem não pode tocar a obra de arte, ainda que tenha sido profundamente tocado por
ela. Seu corpo é sensibilizado, emocionado, tomado. A experiência da arte, se somada
à proibição de tocar, torna-o romântico, inexoravelmente.
   Tudo que toca vira arte. Na vertente radicalizada por Marcel Duchamp (o
Marchand du Sel, para usar o jogo de palavras de Robert Desnos) e levada a cabo
pela Lygia Clark em Caminhando, tudo o que o ser humano toca – mesmo com objeto
pontiagudo e cortante, como uma tesoura − vira arte. Artista é quem, ao caminhar pela
vida, põe a mão na massa. Todas e todos. Apalpam a superfície do papel, da pedra,
da madeira ou do ferro. E os trabalham. Vendem seu sal (marchandent son sel) a
quem possa interessar."

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"Tudo o que se toca vira arte"
Abertura dia 25 de maio de 2018, às 19h, com ação performática do artista e músico Gustavo Torres
Término dia 08 de julho de 2018
Centro Cultual Justiça Federal, Rio de Janeiro
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