Retratos e paisagens de coleções do MAM Rio em duas exposições

Retratos e paisagens de coleções do MAM Rio em duas exposições

Uma terceira mostra vai encerrar o ciclo em 2019, dedicada ao tema natureza-morta

Com curadoria assinada por Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, as duas exposições reúnem 200 obras do acervo do MAM Rio. São trabalhos de pelo menos 140 artistas, brasileiros e estrangeiros, em várias técnicas: pinturas, objeto, vídeos, desenhos, instalações, fotografias, gravuras e esculturas. Para completar o ciclo, o Museu vai apresentar em 2019 uma terceira exposição dedicada especificamente a obras de natureza-morta. Na reprodução acima, B 33, de Hélio Oiticica, Bólide caixa 18 / Homenagem a Cara de Cavalo, 1965-1966.

 Enxame de consciência, 2004. Cabelo, fotografia e cabelo, 73 X 196 cm

Enxame de consciência, 2004. Cabelo, fotografia e cabelo, 73 X 196 cm

Constelações – O Retrato 

Contemplar o retratismo aproxima-se de discutir a Pintura e proporcionar releituras contemporâneas.

 Autorretrato, Glauco Rodrigues, 1984

Autorretrato, Glauco Rodrigues, 1984

Nesta mostra, o MAM Rio apresenta 120 obras e abrange outras técnicas como objeto, vídeo, desenho, instalação, fotografia, gravura e escultura. São trabalhos de mais de setenta artistas, de diferentes gerações, como Anna Maria Maiolino, Tunga, Anita Malfatti, Carlos Vergara, Rosangela Rennó, Hélio Oiticica, Vania Mignone, Vicente de Mello, Maria Leontina, Wesley Duke Lee e Wilson Piran. 

 Autorretrato, Antonio Bandeira, 1950

Autorretrato, Antonio Bandeira, 1950

Horizonte – A Paisagem 

Revisitar e repotencializar as obras que sofreram influência da paisagem no processo de criação.

 Eu só vendo a vista, Marcos Chaves, 1998

Eu só vendo a vista, Marcos Chaves, 1998

São pelo menos 100 obras de mais de 60 artistas de diferentes gerações, como Regina Vater, Carlos Zilio, Alfredo Volpi, Thereza Simões, José Pancetti, Daniel Murgel, Wanda Pimentel, Lucia Laguna, Cícero Dias, Ernesto de Fiori e Eduardo Coimbra. 


 Projeto A casa, José Bechara

Projeto A casa, José Bechara

Coleções

As obras integram o acervo do Museu, pertencentes à coleção própria, à de Gilberto Chateaubriand e à de Joaquim Paiva. “Entre os trabalhos mais antigos está um conjunto de cartes de visite (cartões de visita fotográficos), produzidos a partir de 1860 e um dos grandes

 Dom Pedro II, morte, Félix Nadar, 1891, fotografia

Dom Pedro II, morte, Félix Nadar, 1891, fotografia

modismos da segunda metade do século 19; além da fotografia feita por Nadar, em 1891, de D. Pedro II morto”, destacam os curadores Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. 

 Autorretraro, Félix Nadar

Autorretraro, Félix Nadar

Nadar é o pseudônimo de Gaspard-Félix Tournachon (1820-1910) que tornou-se notável por retratar personalidades do seu tempo. Caricaturista e jornalista, quando investiu tempo na Fotografia, Nadar já era consagrado como caricaturista.

 Sem título, Horizontes, Iberê Camargo, 1953, pintura

Sem título, Horizontes, Iberê Camargo, 1953, pintura

A seguir, confira os textos dos curadores para as mostras

“Constelações — o retrato nas Coleções MAM Rio” apresenta uma reflexão sobre a prática e o significado de um dos gêneros mais antigos e mais produzidos da pintura: o retrato. Do latim retractare (copiar), ele tem como definição a representação de uma figura individual ou de um grupo, elaborada com base em modelo vivo, documentos, fotografias, desenhos ou mesmo com o auxílio da memória. Até o século 18, não era qualquer um que podia ser retratado. Apenas reis (e suas famílias), militares de alta patente e com grandes vitórias em guerras, membros da igreja e os mais importantes comerciantes tinham a oportunidade de eternizar suas imagens (seja em pintura ou em monumentos) e com elas afirmar e legitimar sua posição de autoridade e poder. Só a partir da segunda metade desse século, tendo a Revolução Francesa e a invenção da fotografia como motores de mudança, os retratos (e autorretratos) ganharam novos contornos, incorporando figuras de segmentos sociais mais amplos (e não apenas dos círculos aristocráticos), e também maior liberdade na construção da imagem. Além de pintura, “Constelações” apresenta também objeto, vídeo, desenho, instalação, fotografia, gravura e escultura, todos pertencentes ao acervo do MAM Rio, realizados por cerca de 60 artistas, brasileiros e estrangeiros, de diferentes gerações. Entre os trabalhos mais antigos está um conjunto de cartes de visite (cartões de visita fotográficos), produzidos a partir de 1860 e um dos grandes modismos da segunda metade do século 19; além da fotografia feita por Nadar, em 1891, de D. Pedro II morto. Há também retratos de importantes nomes do nosso modernismo como Anita Malfatti, Milton Dacosta, Oswaldo Goeldi, Djanira, Di Cavalcanti, Maria Leontina, Guignard, Ismael Nery e Vicente do Rego Monteiro. A mostra revela ainda, para além de uma dimensão mais histórica, a possibilidade de releituras contemporâneas da prática do retrato. Nesses trabalhos o que vemos são quase peças de um quebra-cabeça: partes (algumas vezes irreconhecíveis) do corpo ou marcas deixadas nele ou por ele; peças de roupas; objetos e outros dados pessoais capazes de revelar as particularidades de uma personalidade; ou mesmo pessoas que são lembradas por sua ausência ou somente apenas pelo seu nome, como a instalação de Wilson Piran que reúne os nomes de dezenas de artistas brasileiros de diferentes gerações, e serviu de inspiração para o título desta mostra.”

 O Louco, Waltercio Caldas, 1971

O Louco, Waltercio Caldas, 1971

“Para muitos a pintura de paisagem caracteriza-se pela representação de grandes espaços reais (agrícolas, urbanos ou naturais) destinada à contemplação estética – em que o quadro se torna uma espécie de janela, um belvedere. Seus precedentes históricos, entretanto, remontam à pintura italiana da segunda metade do século XIII quando o fundo dourado e plano, de influência bizantina, símbolo da esfera celestial naquelas pinturas religiosas, começou a incorporar ambientes terrestres em que os santos, a Sagrada Família e o próprio Jesus teriam vivido. Entre os séculos XIII e XIV, a pintura de paisagem começou a conquistar progressivamente um lugar de destaque nos gêneros em que foram divididas as atividades pictóricas até constituir-se, na Holanda do século XVII, um gênero específico. Ao abandonar a perspectiva em prol da efetiva planaridade da tela, a pintura moderna conseguiu fundar novos sistemas espaciais não mais voltados para o ilusionismo, meta pictórica dominante na pré-modernidade clássica. O foco agora incidia sobre a invenção poética de novas composições espaciais em sistemas alternativos. Era de se esperar que tal ruptura com o espaço perspectivado tivesse revogado o futuro da paisagem na arte moderna. Entretanto, não foi isso

 Paisagem, Tomie Ohtake_1952

Paisagem, Tomie Ohtake_1952

que ocorreu. A modernidade conseguiu preservar, modificados, os gêneros da pintura posto que, diferentemente do teor narrativo das telas religiosas e históricas, essas pinturas já celebravam uma visualidade não temática, mundana, típica da autorreferência modernista. A paisagem sobreviveu renovada no mundo moderno, porque se tornou um ponto de inflexão de sua própria história. Entre seus primórdios, evocados por meio do suporte retangular horizontal e pelo transbordamento poético e multimidiático por ela experimentado nas últimas seis décadas de produção contemporânea, a paisagem seguiu seu curso. Para mostrar parte dessa história, a curadoria do museu organizou a exposição “Horizontes – a paisagem nas coleções MAM Rio”, que apresenta uma seleção de obras de nossos acervos produzidas por meio da utilização de diferentes meios e suportes. Os trabalhos expostos formam, portanto, um panorama das transformações da pintura de paisagem desde a modernidade até hoje. Não apenas daquelas no âmbito essencialmente pictórico em que se consagrou como um gênero, mas também daquelas possibilidades transmidiáticas características da produção contemporânea – pintura, gravura, fotografia, vídeo, escultura, objeto, maquetes, ações performáticas e instalações ─, além dos novos pontos de observação do mundo (aéreos, satélites, deslocamentos em novos transportes humanos, etc.) decorrentes da expansão tecnológico-científica. Trata-se de uma mostra que não foi concebida como um mero agrupamento ou soma de paisagens independentes umas das outras, já que seu objetivo é o de constituir uma rede de repertórios icônicos e indiciais cujo conjunto esboça um panorama da arte da paisagem.”

 Paisagem de Santa Tereza, Victor Arruda, 1978

Paisagem de Santa Tereza, Victor Arruda, 1978


“Constelações - O Retrato nas Coleções MAM Rio” e

“Horizontes - A Paisagem nas Coleções MAM Rio”

Abertura dia 10 de novembro, às 15h

Termine dia 10 de março de 2019

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

O MASP de Lina - 50 anos do edifício na avenida Paulista

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