Retrospectiva da obra de Jorge Salomão

Retrospectiva da obra de Jorge Salomão

“No meio de tudo isso” comemora os 70 anos do artista multimídia, um dos responsáveis pela Cultura no Brasil

 Com curadoria de Alberto Saraiva, a exposição reúne textos, como “Parecer”, um dos destaques: “Sou de um país maravilhoso e também cheio de boçalidades. Uns fazem beição. Outros beicinhos para qualquer um que queira pular as cercas da linguagem, levantar a voz num tom distante do normal. Chamo o que quero de poesia, pois sempre me permiti a absoluta liberdade frente às coisas. Assim sou, assim serei. E isso é poesia ou não, se eu quiser”. Jorge Salomão simplesmente se manifesta. Nos últimos 30 anos, a “Poesia Total” aglutinou pessoas como Torquato Neto, Waly Salomão, Jorge Salomão, Oscar Ramos, Luciano Figueiredo, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros que deram origem à famosa e icônica Revista Navilouca. “Eles construíram um formato que atravessou várias mídias, desde aquelas especificamente visuais até a música popular brasileira, que fundiu o erudito e o popular. A MPB foi o grande eixo responsável por reunir artistas visuais, poetas, músicos e intérpretes”, acrescenta o curador do Alberto Saraiva.

 Jeca Total

 Salomão foi responsável por batizar a música “Jeca Total”, de Gilberto Gil, em“Refazenda”, de 1975, um dos mais cultuados da discografia do cantor baiano. “Usei essa expressão para o Caetano, na casa dele, quando cheguei e todos estavam de frente pra televisão vendo a cena em que Sonia Braga sobe no telhado na novela “Gabriela”, (TV Globo, 1975, adaptada da obra de Jorge Amado). Eu disse: “O Brasil é jeca total mesmo”. Caetano ficou paralisado. “Adorei isso”, disse ele, que contou a história pro Gil. Passados três dias, fui novamente à casa do Caetano, e o Gil estava lá e cantou a música pra mim. “Fiquei dias sem dormir pensando nessa expressão”, disse Gil. “Ao que respondi: eu tenho dormido muito. É a primeira vez que conto isso”, gargalha o espirituoso e certeiro Jorge Salomão, que também é homenageado na letra: “Jeca Total deve ser Jeca Tatu Jorge Salomão”.

 Sete décadas de tudo isso

 A mostra traz, além das poesias dispostas pelas paredes, livros “Mosaical”, “O olho do tempo”, “Campo da Amerika”, “Sonoro”, “A Estrada do Pensamento” e “Conversa de Mosquitos”; e áudios, como o do CD “Cru Tecnológico”; e vídeos, como “Call me Hellium”, de 2014, direção de Cesar Oiticica Filho, no qual Salomão revive cartas trocadas entre Hélio Oiticica e os realizadores Andreas e Thomas Valentin. Durante a exposição, foi lançado o novo livro de poemas, “Alguns poemas e mais alguns” (Rubra Editora), com orelha assinada pelo poeta e amigo Antônio Cícero. E gravado documentário durante performance na abertura da exposição com performance de Salomão e depoimentos. 

Sobre Jorge Salomão

 Estudou Ciências Sociais e Filosofia em Salvador e Teatro (direção), com Luiz Carlos Maciel, na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Dirigiu várias peças teatrais em Salvador, entre as quais, “O macaco da vizinha”, de Joaquim Manuel de Macedo, “A boa alma de Setchuan”, de Bertold Brecht, e ainda vários shows musicais, entre os anos de 1967 e 1969. Nesse ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde marcou presença na cena cultural da cidade. Dirigiu o espetáculo “Luiz Gonzaga volta pra curtir” e trabalhou na revista “Navilouca”.

“No meio de tudo isso”
Término dia 8 de janeiro, às 21h
Oi Futuro-Ipanema, Rio de Janeiro
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