Rodrigo de Castro faz primeira individual no Rio de Janeiro

Rodrigo de Castro faz primeira individual no Rio de Janeiro

Artista apresenta pinturas recentes e inéditas com curadoria de Vanda Klabin

   São 15 pinturas, todas em óleo sobre tela, concluídas neste ano. “Ao longo de dezessete anos de atividade artística, a sua gramática pictórica se transformou em um campo fértil de pesquisa e inovações. Rodrigo de Castro investiga a relação fluida dos campos cromáticos, contrapõe ritmos e problematiza o espaço interno aliado a um rigoroso jogo de derivações geométricas”, afirma a curadora Vanda Klabin. Na imagem acima, Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 8 0 x 55 cm

Obras recentes

   Rodrigo é mineiro, mas vive em São Paulo. Ele destaca que suas pinturas possuem poucos elementos, mas que estes “conversam entre si”, sendo cada um deles fundamental para a construção do quadro. Seu processo de trabalho é longo. “Uso tinta a óleo, que demora para secar, então é um trabalho lento. Além disso, antes de pintar, há uma fase de estudo das cores, que não saem direto do tubo de tinta. O azul, por exemplo, misturo muito até chegar na tonalidade que quero, assim como o amarelo”, conta o artista.

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 120 x 100 cm

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 120 x 100 cm

   Nesta produção recente, Rodrigo continua pesquisa com cores e espaço, que vem desenvolvendo desde o início de sua trajetória. As linhas, as cores e as formas são elementos que compõem suas pinturas. “São diálogos com as áreas de cor, com a proporcionalidade delas. As linhas não dividem as áreas, elas na verdade marcam ou delimitam mais a geometria, o estudo das áreas, as formas”, afirma o artista. A curadora Vanda Klabin completa: “A constante presença das linhas negras ou coloridas, dispostas de forma horizontal ou vertical, não representa linhas de força, mas serve para acentuar as relações métricas proporcionais e amplificar as zonas cromáticas. Todos os elementos que compõem o quadro tendem a se contrair ou a se dilatar até encontrar o seu equilíbrio, formando uma superfície homogênea, um verdadeiro plano geométrico”.

Proximidades

   Rodrigo é filho do escultor Amilcar de Castro (1920-2002) e esteve próximo da Arte desde sempre. A curadora acompanha sua trajetória desde o início. Vanda Klabin assinou por inúmeras vezes curadoria de exposições de Amilcar, o que possibilitou que acompanhasse também o desenvolvimento do processo criativo de Rodrigo.  

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 120 x 100 cm

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 120 x 100 cm

   Rodrigo de Castro teve muitas influências em sua trajetória artística. “A formação do seu olhar tem referências culturais no ideário da tradição construtiva e na linguagem geométrica do neoplasticismo. Encontra ressonâncias nas obras de artistas que pontuaram a vanguarda da contemporaneidade, como Kazimir Malevich, Piet Mondrian, Josef Albers, Henri Matisse, Mark Rothko, entre outros. Rodrigo de Castro manifesta sua profunda admiração por Claude Monet e Vincent van Gogh – pela intensidade da cor de um lado e a poesia da luz, de outro. Segundo o artista, ambos realizam a mesma coisa: acordes perfeitos de luz e cor”, conta Vanda Klabin. Rodrigo ressalta que também recebeu influências do pai e de artistas amigos dele com os quais conviveu desde a infância. No entanto, ao longo de sua trajetória, foi criando uma linguagem própria. “Pintura é uma atividade solitária. Com o tempo, você vai deixando de lado as influências e descobrindo um caminho próprio”, diz o artista.

   O artista traz no currículo importantes exposições coletivas no MAM Rio, no Centro Cultural São Paulo e na Funarte, onde foi premiado no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas, na década de 1990. Dentre seus projetos futuros, está a exposição “5 artisti brasiliani geometria”, que será realizada em novembro, no Palazzo Pamphilj, em Roma. Os outros quatro artistas que participam desta coletiva são Maria-Carmen Perlingeiro, Suzana Queiroga, Luiz Dolino e Manfredo de Souzanetto. Depois de Roma, a mostra seguirá para a Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, em 2018.

Geometria sensível

   Rodrigo de Castro nasceu em Belo Horizonte, em 1953. Vive e trabalha em São Paulo. Iniciou sua carreira na década de 1980. Sua pintura é rigorosa, sugere precisão. Mas ele recusa a associação de seu trabalho com o matemático e o científico. Gosta do que chama de geometria sensível. Arte que vem da sensibilidade. Acredita que a vivência essencial do artista é com sua alma e consciência. Considera essencial nesse processo: a importância da prática, defende que o fazer ensina, que teoria só ensina teoria. Seu desafio é ser mais do que reprodução de uma teoria.

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 130 x 130 cm

Rodrigo de Castro, pintura, 2017, óleo sobre tela, 130 x 130 cm

   Artista premiado, no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro e agraciado com o Prêmio Principal, no 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto, Rodrigo de Castro participou de diversas mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas, uma exposição no MAM Rio, na década de 1990, ao lado de artistas como Nuno Ramos, Carlito Carvalhosa, Paulo Pasta, entre outros.

"Rodrigo de Castro"
Abertura dia 9 de maio de 2017, às 18h
Término dia 24 de junho de 2017, às 15h
Um Galeria, Rio de Janeiro
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