Rosângela Rennó reedita a individual “Espírito de tudo” em formato livro

Rosângela Rennó reedita a individual “Espírito de tudo” em formato livro

Com textos da própria artista e da curadora Evangelina Seiler, as obras passaram por releitura para a publicação

   “É importante ressaltar que eu não lanço um catálogo, mas um livro em que as obras ganham um tratamento especial por estarem em outro meio. O que na exposição era vídeo, por exemplo, agora apresenta imagens gráficas. É um desdobramento do trabalho”, explica Rosângela Rennó. As obras da individual “Espírito de tudo” foram criadas por Rosângela Rennó com o objetivo de “provocar um mundo de conexões, lembranças embaralhadas e ressignificação de objetos e ideias”. A produção explora as possibilidades sensoriais e as memórias de cada um.  A exposição ficou em cartaz entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, no espaço Oi Futuro Flamengo. A publicação, editora Cobogó, é bilíngue e, além dos textos da curadora Evangelina Seiler e da própria Rosângela Rennó, contém citações de nomes públicos como Walter Benjamin, Marcel Proust e Ítalo Calvino. “Rosângela Rennó é uma artista consumada, inteira, completa. Ela é a arte em si, mais o discurso refinado em torno. Pensadora e artífice em uma só pessoa, manuseia a teoria e a prática em um só movimento, deixando ainda assim um imenso espaço para a sutileza, para a transição, nos intervalos de seu discurso”, define a curadora Evangelina Seiler.

Capítulos provocam olhares

   As 168 páginas do livro obedecem a uma lógica que foi determinada pela artista, mantendo a montagem da exposição. Per fumum, Lanterna mágica, As águas viajantes, Turista transcendental, Realismo fantástico e Círculo mágico são os seis capítulos da publicação, que envolvem o leitor em uma jornada poética, por novas formas de olhar, compreender e reagir a variadas experiências. “Muita gente imagina que eu seja essencialmente benjaminiana pelo meu olhar para objetos antigos e fica surpresa por não ser nostálgica, mas sim provocativa e às vezes irônica”, observa a artista se referindo ao trabalho de Walter Benjamin sobre as causas e consequências da destruição da “aura” que envolve as obras de arte. “Meu trabalho dialoga com a história, a memória, a comunicabilidade e a perda da comunicabilidade”, acrescenta.

Per fumum

   Obra que abre o livro, Per fumum apresenta a pesquisa da artista com resinas naturais, os incensos, e propõe uma reflexão sobre os odores com os quais o homem se relaciona da antiguidade até os dias de hoje – cada um com seu uso indicado e suas sensações próprias. O que este ou aquele aroma, esta ou aquela resina provoca, ao primeiro contato? 

Lanterna Mágica

   Enquanto o olfato desperta sensações, Lanterna Mágica remete ao tempo da pré-imagem, entre fotografias trabalhadas à base de sais de prata e gelatina e projeções feitas com as tradicionais lanternas mágicas – projetores antigos, do final do século XIX e início do século XX. “Gosto de colocar um ruído na contemporaneidade para propor a reflexão. Quando uso um objeto anacrônico, como uma lanterna mágica, mas com funcionalidade, desperto o interesse, mudo a maneira como aquela obra vai ser absorvida”, reflete Rosângela Rennó.

Rosângela Rennó, Per fumum, 2016

Rosângela Rennó, Per fumum, 2016

As horas viajantes 

   A partir da coleção da artista de vidros de perfume, nasceu As horas viajantes com mais de 300 frascos cheios ou vazios. O sentir despertado pelas "imagens das essências" conduz à memória dos perfumes e de tudo que vem com ela. E mais uma vez o espectador é tocado pela viagem, magnetizado pelo ato de lembrar-se. No livro, nomes e datas de lançamento original dos perfumes estão catalogados.

Turista Transcendental

   A obra seguinte, Turista Transcendental, reúne textos da artista (na exposição acompanhados de vídeos) que documentam, de forma bastante peculiar, suas viagens a pontos tão distintos quanto as ilhas Reunião (no Oceano Índico, a leste de Madagascar) e Gomera (no arquipélago das Canárias), Teotihuacán (México), a cabeça da Estátua da Liberdade (Nova Iorque), o Salar do Uyuni (a maior planície de sal do mundo, na Bolívia), o estreito de Bósforo (em Istambul), a cidade mística de Allahabad (Índia), Lagos (Nigéria), Montevidéu (Uruguai) e a Chapada dos Veadeiros, no planalto central brasileiro. Os trabalhos Realismo Fantástico e Círculo mágico fecham o livro. “Esse conjunto de obras promove um turbilhão de conexões e coerências, uma voragem de recorrências que adentram todos os âmbitos da arte e do mundo concreto e inclusive abstrato”, afirma Evangelina Seiler.

Trajetória da artista 

   Rosângela Rennó nasceu em Belo Horizonte, em 1962, e vive no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em Arquitetura pela UFMG, e é Doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua obra é marcada pela apropriação de imagens descartadas, encontradas em mercados de pulgas e feiras, e pela investigação das relações entre memória e esquecimento. Em suas fotografias, objetos, vídeos e instalações trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados. Dedica-se também à criação de livros autorais. Em 1994, participou da 22ª Bienal Internacional de SP e, em 2003, da Bienal de Veneza. Em 2013, ganhou o prêmio Paris Photo de melhor livro fotográfico. Realizou diversas exposições individuais, entre elas, na Fundação Gulbenkian, Lisboa, Fotomuseum, em Winterthur, em 2012 e Photographers’ Gallery, em Londres, 2016. Seus trabalhos estão em alguns dos principais museus de arte do mundo, como o Reina Sofia, em Madri, o Tate Modern, em Londres, o Arts Institute of Chicago, o Guggenheim, em Nova York, e o Stedelijk, em Amsterdã.

“Espírito de tudo”

Lançamento dia 11 de abril, às 18h30,  no Oi Futuro Flamengo

Lançamento dia 25 de abril, às 20h, na Galeria Vermelho, com exibição do vídeo Círculo Mágico

 

Niggaz – ícone do Grafite paulista - é homenageado em coletiva

Niggaz – ícone do Grafite paulista - é homenageado em coletiva

Maria Inêz Ribeiro denuncia massacre dos elefantes em pinturas

Maria Inêz Ribeiro denuncia massacre dos elefantes em pinturas