"Scorzelli" apresenta inéditas de Roberto e Marcos em galeria carioca

"Scorzelli" apresenta inéditas de Roberto e Marcos em galeria carioca

O designer Marcos Scorzelli finalizou esculturas criadas com o pai e faz exposição para mostrá-las ao público 

A exposição reúne 16 obras de Roberto Scorzelli (1938-2012), entre telas e papéis em acrílica, mas principalmente exibe quarenta esculturas inéditas que foram criadas no papel por Roberto e concluídas por seu filho, o designer Marcos Scorzelli. São obras inspiradas em animais e desenvolvidas em aço a partir do conceito de não haver perda de material, nem recorte, nem solda. Marcos decidiu finalizar a série após adquirir o conhecimento sobre processo produtivo que respondeu às expectativas que tanto ele quanto Roberto desejavam início do desenvolvimento do projeto.

Lembranças retomadas

Os desenhos dessas esculturas inéditas partiu das lembranças de quando Roberto fazia dobraduras de papel para que os filhos pudessem brincar. Ao encontrarem algumas dessas recordações, pai e filho começaram a buscar uma forma de reproduzir as dobraduras defendendo o conceito do uso total da matéria, sem desperdícios, numa exploração minimalista para o resultado final. Após a perda do pai, em 2012, o projeto de criação das peças ficou parado. Somente em 2018, Marcos Scorzelli voltou a desenvolvê-lo após aprofundar conhecimentos sobre o uso de chapas de aço.

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Marcos Scorzelli conta que, em 1998, encontrou o desenho técnico original dos anos 1960 em um envelope. O acervo era oriundo de “Bestiário”, uma série de desenhos litográficos de diversos animais feitos por Roberto. O artista ainda estava vivo e os dois imediatamente começaram a rememorar o contexto em que tudo se originou: a infância de Marcos e Isabella, os dois filhos do artista que inspiraram a criação dos bichinhos em papel espalhados ludicamente pela casa do Joá no Rio de Janeiro. Iniciou-se, assim, a brincadeira entre pai e filho que trabalhavam juntos no escritório de arquitetura e design. Durante 14 anos, criaram novos modelos para além dos originais e passaram para os programas de computador, sempre pensando a execução do projeto em papel e ligada à editoração gráfica. O desafio era não perder o conceito. A concepção original era em papel e o rigor conceitual de Roberto o fez perseguir a ideia de não perder material durante a confecção, ou seja, não se poderia romper as matrizes dos bichos durante a execução. Foram anos pensando formatos editoriais diferentes, entre livros, folhetos e cartões de natal, com propostas mais didáticas ou mais lúdicas.

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Até que no ano 2000, quando reformavam a sede da OAB-RJ, cujo projeto envolvia o uso de alumínio, Marcos foi à Alcoa (Camaçari, BA) e teve a percepção de tentar desenvolver os bichos neste material. Havia, contudo, a exigência conceitual de não se perder material em cortes. O conceito original se dava em dobraduras.

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Em 2012, Roberto faleceu sem ver o resultado da brincadeira apaixonada dos bichos. Desmotivado diante dessa perda, Marcos interrompeu a realização desse projeto, que é extremamente afetivo. Mas em julho de 2018, ao conhecer uma nova tecnologia a laser capaz de dar forma à chapa de aço, material

O designer Marcos Scorzelli usou chapa maleável para moldar e dobrar as esculturas minimalistas

O designer Marcos Scorzelli usou chapa maleável para moldar e dobrar as esculturas minimalistas

maleável, que se permite moldar e dobrar, sem perdas nem remendos, o designer entusiasmou-se e as dobras duras de animais tão queridos foram se ampliando em suas mãos criativas. Assim nasceu a bicharada - em memória do grande artista Roberto Scorzelli, reafirmando o talento de Marcos, que desponta agora no mercado com este conjunto surpreendente de esculturas.   

O polvo é um dos bichos que saiu dos desenhos de Roberto para ganhar forma nas mãos de Marcos

O polvo é um dos bichos que saiu dos desenhos de Roberto para ganhar forma nas mãos de Marcos

É importante destacarmos que Roberto Scorzelli foi um paraibano que chegou ao Rio de Janeiro ainda bebê. Em 1955, cursou a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) e, em seguida, Arquitetura na Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Começa a expor da década de 1960, começando na OCA (1963).

A geometria no processo de Roberto está na obra para o “Amigos da Gravura”

A geometria no processo de Roberto está na obra para o “Amigos da Gravura”

Nos anos 70, esteve em Berna (Suíça) trabalhando como arquiteto no Itamaraty onde desenvolveu o projeto da Embaixada do Brasil e conviveu com a artista Mary Vieira. Segundo ele próprio dizia, foi bastante influenciado pela obra dela, captando o rigor geométrico, o uso de papéis finos e transparências em superposições fortes mas singelas em seu trabalho.

Capa original da edição de “Bestiário” - reunião de litografias de animais

Capa original da edição de “Bestiário” - reunião de litografias de animais

Cabra - uma das litografias em “Bestiário”

Cabra - uma das litografias em “Bestiário”

Foi em 1976 que Roberto Scorzelli criou o seu espetacular Bestiário, um volume que reuniu litografias de diversos animais, expondo-o na Galeria Bonino e iniciando uma trajetória artística também dedicada aos bichos, vivida à luz de muita observação. Ainda nesta época, sempre antenado às tendências artísticas, criou a loja de design Senha, em Ipanema.

Roberto Scorzelli

Roberto Scorzelli

Na década de 1980, se aprofundou na pintura a óleo, buscando na paisagem a observação das transparências naturais. Desta fase, destacam-se as exposições na Galeria Saramenha (1978, 1981), dentre outras experiências importantes, inclusive internacionais. Nos anos 1990, retorna às composições geométricas, agora na técnica contemporânea da tinta acrílica.

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“Scorzelli”

Término em 16 de fevereiro de 2018

Galeria Evandro Carneiro Arte, Rio de Janeiro











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