Silvia Cintra faz retrospectiva de Amilcar de Castro

Silvia Cintra faz retrospectiva de Amilcar de Castro

A exposição comemora três décadas de representação da Galeria do acervo do artista mineiro

   Um dos artistas mais conceituados do Brasil, Amilcar de Castro (1920-2002) construiu conjunto particular de obras em trajetória de sessenta anos. A Galeria reuniu peças representativas nessa exposição retrospectiva. Na imagem, Amilcar de Castro, escultura de vidro, 216 cm de altura, base de madeira e seis lâminas de vidro, produzida na década de 1980.

Esboços

   Além de obras de Amilcar de Castro, a exposição inclui dez desenhos sobre papel que registram o processo criativo do artista na década de 1980. Nesse material, estão esboços de obras, estudos variados como cálculos, nomes sugestivos para as peças e até contatos de fornecedores. Curiosidade especial fica por conta de dois desenhos maiores e uma maquete que mostram os testes do artista para a famosa “escultura de vidro”, que integra esta retrospectiva. 

A exposição inclui esboços feitos por Amilcar de Castro em processo criativo na década 1980

A exposição inclui esboços feitos por Amilcar de Castro em processo criativo na década 1980

Duas pinturas

   Amilcar de Castro considerava os 15 tampos de mesa que realizou ao longo da carreira como apoio suas únicas pinturas, pois denominava de desenhos suas pinturas sobre tela. Nesta exposição, dois desses tampos será exibido. Depois que a superfície estava completamente suja de tinta, o artista realizava uma pintura final sobre a memória de camadas. 

Destaques

   A exposição traz como destaque, entre as esculturas, a obra "Shiva", uma de suas primeiras criações em grandes formatos, feita com aço, na década de 1950. E uma pequena escultura em granito - a única feita nesse material em toda a trajetória de Amilcar de Castro.

Amilcar de Castro, Shiva, escultura, 1955, aço, 90 x 150 x 155 cm

Amilcar de Castro, Shiva, escultura, 1955, aço, 90 x 150 x 155 cm

Resumo da trajetória do artista

   Formado em direito pela UFMG em 1945, Amilcar de Castro começou a aprofundar seu interesse pelas artes na mesma época em que termina a graduação. Ele frequentou o curso livre de desenho e pintura com Alberto da Veiga Guignard e de escultura figurativa com Franz Weissmann. Começa a ser conhecido no meio artístico por seus desenhos e logo depois com as esculturas e aproxima-se do grupo concretista, em 1956, e assina o Manifesto Neoconcreto, em 1959. Amilcar trabalhava em seu ateliê em Belo Horizonte, mas estava sempre circulando no Rio de Janeiro e passou um período também nos Estados Unidos. Como professor, pesquisou inúmeras formas e técnicas, desenvolvendo facetas próprias no processo criativo. Tornou-se referência como escultor fundamentando corte e dobra sobre ferro e madeira. Inovou ao substituir o pincel por trincha e vassoura para criar o que sempre denominou de desenhos. Fez pinturas sobre tampos de mesas que usava para trabalhar. Experimentou e criou sobre inúmeros suportes de forma pioneira no Brasil. Assina diversas esculturas públicas. 

Atelier impresso

Na edição 61, o Atelier publicou entrevista exclusiva com Amilcar de Castro 

Na edição 61, o Atelier publicou entrevista exclusiva com Amilcar de Castro 

Na versão impressa, o Atelier recebeu uma das últimas entrevistas de Amilcar, publicada em agosto de 2002. Na época, havia duas exposições dele em cartaz no Rio de Janeiro. Uma no Armazém do Rio (que ocupava o antigo Armazém 5 na Praça Mauá) e outra justamente na Silvia Cintra. Ele nos recebeu com imensa simpatia e vontade de contar sobre sua trajetória artística e nos mostrou um poema que escreveu em 1978. Inesquecível!

Recorte com poema do artista, página 9 do Atelier 61  que publicou  entrevista com Amilcar de Castro 

Recorte com poema do artista, página 9 do Atelier 61  que publicou  entrevista com Amilcar de Castro 

 

 Amilcar de Castro
Abertura dia 19
Término dia 27 de maio, às 18h
Silvia Cintra + Box4, Rio de Janeiro
MIS de São Paulo faz homenagem a Allan Porter, editor da revista Camara

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Começa a quinta edição da Peru Arte Contemporânea

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