Tema livre na 57ª Internacional da Bienal de Veneza

Tema livre na 57ª Internacional da Bienal de Veneza

Sem impor temática, a exposição principal da Bienal cria novas possibilidades para expressão artística

   Pelo menos 120 artistas representam 51 países no evento. Além da programação oficial, ocorrerão mais de 20 atividades paralelas, como mostras e festas exclusivas. "Que haja livre diálogo entre os artistas e o público", afirmou o presidente da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, decidiu não impor um tema. O objetivo é que as obras de arte retratem os reflexos da sociedade capitalista  atual, como – entre inúmeros – as desigualdades sociais, a crise financeira, o colapso do mercado de trabalho,  a saída do Reino Unido da União Europeia e a imigração. Na imagem, detalhe da obra do português José Pedro Crof, escultura série "Medida Incerta", 2017, espelho, ferro, instalada a 8 metros de altura, peso 1700 quilos.

José Pedro Croft, escultura da série "Medida Incerta", 2017, espelho e ferro, 8 metros, 1700 kg

José Pedro Croft, escultura da série "Medida Incerta", 2017, espelho e ferro, 8 metros, 1700 kg

Mostra principal

   Ao chegar à entrada da exposição “Viva Arte Viva”, o público será recepcionado pelo artista estadunidense Dawn Kaspar, que fará performances e interagirá com os espectadores durante os seis meses de Bienal de Arte de Veneza. A mostra apresenta obras de 120 artistas de várias partes do mundo, sendo que 103 deles participarão pela primeira vez da mostra oficial. Da América Latina, há representantes do Brasil, Chile, Argentina, México, Uruguai, Peru, Cuba, Guatemala, Venezuela e Bolívia. Os brasileiros serão representados por Ayrson Heráclito, Ernesto Neto e Paulo Bruscky. Já no Pavilhão do Brasil, estará a artista mineira Cinthia Marcelle. A curadoria do espaço é de Jochen Volz e a realização, da Bienal de São Paulo. Assim que chegar à mostra, o público será recepcionado pelo artista norte-americano Dawn Kaspar, que fará performances e interagirá com os espectadores durante os seis meses de Bienal de Arte de Veneza. Destaque para as obras do atual primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, que é artista, mas ocupa o cargo político, porém não deixou de trabalhar no ateliê aonde passa o tempo livre das obrigações governamentais.

Pavilhões diversos

   Além dos pavilhões nacionais de países, a Exposição traz nove espaços temáticos que passeiam por lugares comuns em diversos conjuntos de obras como tempo, infinito, alegrias, medos, cores. Assim como o visitante será recebido com uma performance, muitas outras atuações estão inseridas na programação. Por exemplo, um artista que montará em um cavalo seguido por 70 mulheres e um outro artista que vai jantar semanalmente com o público para discutir ideias.  

José Pedro Croft, escultura série "Medida Incerta", 2017, espelho, ferro, 8 m, 1700 kg

José Pedro Croft, escultura série "Medida Incerta", 2017, espelho, ferro, 8 m, 1700 kg

Croft espetacular

   As esculturas do conjunto “Medida incerta” assinadas pelo português José Pedro Croft ocupam o jardim da Villa Hériot e já estão montadas para o público apreciar.  Com oito metros de altura e 1.700 quilos, as seis monumentais sustentadas por vigas de ferro promovem reflexos do entorno, brincam com sentidos, articulam pedaços de vidro espelhado e cor no espaço, criando incógnitas em nosso pensamento, revelando sobretudo a beleza do Planeta e as intervenções do homem.  

Arte forte e leve

   Como convidado, Croft usou o lugar Veneza para referenciar seu processo criativo neste conjunto de esculturas. A cidade construída sobre estacas transita entre Ocidente e Oriente numa Arquitetura única. E o que Veneza carrega de peso histórico, tem também de leveza em beleza artística. Croft quis trazer tudo isto para essas esculturas. Ele explica que as obras relacionam o espaço sentido por cada espectador: “A própria ideia de monumentalidade é quebrada pela componente de leveza que cada uma transporta. Sendo em Veneza, eu me baseei no território geográfico deste lugar e aí os elementos foram surgindo, especialmente a água, o céu, o ar, referenciado pelos aspectos da Arquitetura”.

José Pedro Croft, escultura série "Medida Incerta", 2017, espelho, ferro, 8 m, 1700 kg

José Pedro Croft, escultura série "Medida Incerta", 2017, espelho, ferro, 8 m, 1700 kg

   A Bienal de Arte de Veneza ocorre desde 1895 e inclui todos os segmentos culturais: Arquitetura, Artes, Música, Teatro, Dança e Cinema.

57ª Exposição Internacional de Arte Contemporânea da Bienal de Veneza 2017

Abertura dia 13 de maio de 2017

Término dia 26 de novembro de 2017

Veneza, Itália

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