Mostra de Picasso no Reina Sofia marca 80 anos de “Guernica”

Mostra de Picasso no Reina Sofia marca 80 anos de “Guernica”

A exposição reúne obras de mais de 30 instituições de todo o mundo 

   “Piedade e terror em Picasso - O caminho até Guernica” tem o apoio excepcional do Museu Nacional Picasso, em Paris. São cerca de 150 obras. Para montar a exposição, o Reina Sofia fez seleção no próprio acervo e recebeu obras vindas da coleção do próprio Museu e de mais de 30 instituições de todo o mundo, como o Centro Georges Pompidou, de Paris, o Tate Modern, de Londres, o Museu de Arte Moderna (MoMA) e o Metropolitan Museum, de Nova York, entre outros. Na fotografia de Dora Maar, Picasso posa em frente ao mural "Guernica", 1937.

Picasso depois de “Guernica”

A exposição promove algumas perguntas a partir do fato de que “Guernica” é um emblema da condição moderna ao longo de oito décadas, tornando-se a cena trágica da nossa cultura. É evidente que o tratamento épico e compassivo de violência que vemos em “Guernica” se desenvolve mais além no conjunto de características das obras realizadas por Picasso a partir daquele final daquele final dos anos 1930, mas isso teria acontecido se ele não tivesse pintado esse mural? Como é possível trazer a violência, de forma "fascinante" e ao mesmo tempo “repulsiva”? Como uma pintura pode transformar-se em representante do terror público?

História: os nazistas testam bombardeio aéreo em Guernica, na Espanha, 26 de abril de 1937

História: os nazistas testam bombardeio aéreo em Guernica, na Espanha, 26 de abril de 1937

A atualidade em “Guernica”  

   No início de 1937, ao ser convidado pelo Governo espanhol para pintar um painel realista, Pablo Picasso disse aos delegados que não tinha certeza se poderia oferecer-lhes o que eles queriam. É que sua produção artística, até então, havia sido intimista, limitada ao seu estúdio, seus próprios pensamentos e vontades de o que e como apresentar no suporte. Ele não se orientava explicitamente por temas políticos ou eventos sociais, mas não era possível alguém viver naqueles tempos sem se importar com os efeitos causados pelos sistemas dominantes. E com o pintor Picasso não era diferente. Desde 1925, a produção dele começou a mostrar uma introversão - os pesadelos.

Pablo Ruiz Picasso, Guernica, 1937,  óleo, 349,3 cm x 776,6 cm 

Pablo Ruiz Picasso, Guernica, 1937,  óleo, 349,3 cm x 776,6 cm 

Ao aceitar o convite da Espanha, sem saber bem o que iria construir durante seu processo criativo, Picasso aproveitou-se de todo o seu sentimento sobre todas as imagens públicas da guerra para criar uma obra-prima. Em “Guernica”, ele resumiu as atrocidades que a humanidade é capaz de cometer e a pintura carrega o símbolo do que pode ser a humanidade nos últimos 80 anos se confirmando a cada bomba que é atirada sobre inocentes.

Obra-prima

   A pintura a óleo sobre tela, de 349,3 cm de altura e 776,6 cm de largura, mostra os horrores do bombardeio à cidade basca de Guernica, por aviões alemães do regime nazi, apoiando o ditador Francisco Franco, em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil espanhola. A ação é considerada na História como um teste dos bombardeios aéreos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Alguns anos antes de morrer, Picasso (Málaga, Espanha, 1881 - Mougins, França, 1973) pediu para que o mural só fosse devolvido à Espanha quando as liberdades públicas fossem lá restauradas. “Guernica” chegou a Espanha em 1981, depois da morte do ditador Francisco Franco (1939-1975) e da restauração da democracia, em 1977.

A pedido de Picasso, "Guernica" só retornou à Espanha ao final da Ditadura de Franco em 1975

A pedido de Picasso, "Guernica" só retornou à Espanha ao final da Ditadura de Franco em 1975

“Piedade e terror em Picasso - O caminho até Guernica”
Término dia 4 de setembro de 2017
Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia
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