Tomie Ohtake apresenta individual de Yoko Ono

Tomie Ohtake apresenta individual de Yoko Ono

“O céu ainda é azul, Você Sabe”, com curadoria de Gunnar B. Kvaran, reúne obras da série Instruções

   São pelo menos 60 trabalhos da série que Yoko Ono (1933) vem criando desde os anos 1960. As peças têm o formato de textos em tom imperativo, que sugerem interações ao público. “A exposição pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Yoko Ono – uma viagem pela noção da própria arte, com forte engajamento político e social”, diz o curador, crítico islandês e diretor do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, em Oslo. A exposição também inclui alguns filmes. Na imagem acima, a obra "Árvore dos Pedidos para o mundo", que tem percorrido diversas cidades. 

Yoko Ono, Cut piece, 1965, performance, Carnegie Hall, Nova Iorque

Yoko Ono, Cut piece, 1965, performance, Carnegie Hall, Nova Iorque

Derrubando limites

   A arte de Yoko Ono está presente. Ela mantém um ritmo vertiginoso de experimentação, acompanha o seu tempo bem de perto e se associa à arte conceitual desde sempre. Obras absolutamente experimentais, como as performances, vem sendo desenvolvidas por Yoko desde o início de sua carreira, antes de conhecer e viver uma mundialmente famosa história de amor com o astro da banda The Beatles, John Lennon. Ela é uma das poucas mulheres que se jogou de cabeça como ativista nos movimentos que questionam formatos fechados na sociedade. Rótulos ou “deve ser assim” não fazem parte da trajetória da artista. Os happenings estão no currículo de Yoko Ono que desafia tendências e derruba limites.

Yoko Ono, Árvore dos Pedidos para o mundo, 2011, Guggenheim

Yoko Ono, Árvore dos Pedidos para o mundo, 2011, Guggenheim

O visitante atuante

   Historicamente, ao participar e liderar os movimentos questionadores de conceitos de arte, Yoko Ono participa dos primeiros passos da interatividade com o público. Ela inclui o espectador não apenas como alguém que interage com a obra, mas como ator também no processo criativo.

Visão poética e crítica

   O curador Gunnar B. Kvaran afirma que a obra “Instruções” evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono. São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), "acenda um fósforo e assista até que se apague". Nessa individual, é possível seguir a sua criatividade e produção artística daquela época, passando pelas décadas de 1960, 1970 e 1980 e... Até o presente.

Os pedidos de todos

   As “Instruções” de Yoko Ono, conforme o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada,  oscilam entre sugestões tão sucintas e abertas que se realizam tão logo são lidas, como Respire (1966), Sonhe (1964), Sinta (1963), Imagine (1962). Yoko também criou uma sequência de ações realizáveis na obra, como Pintura para apertar as mãos (pintura para covardes) (1961), “fure uma tela, coloque a sua mão através do buraco, aperte as mãos e converse usando as mãos”; Peça de Toque (1963), “toquem uns aos outros”; Mapa Imagine a Paz (2003), “peça o carimbo e cubra o mundo de paz”.

Os pedidos dos visitantes passam a integrar a obra "Árvore dos Pedidos para o mundo"

Os pedidos dos visitantes passam a integrar a obra "Árvore dos Pedidos para o mundo"

   Há também as sugestões aplicáveis apenas no campo mental, poético ou imaginário, como Peça do Sol (1962), “observe o Sol até ele ficar quadrado”; Capacetes-Pedaço de Céu (2001/2008), “pegue um pedaço de céu, saiba que todos somos parte um do outro”; Peça para Limpar III (1996), “tente não dizer nada negativo sobre ninguém, por três dias, por 45 dias, por três meses”. 

Depoimentos multiplicados

   Nas proposições como Mamãe é linda (1997), “escreva suas memórias sobre a sua mãe”; e Árvore dos Pedidos para o mundo (2011), “faça um pedido e peça à árvore que envie seus pedidos a todas as árvores do mundo”, são casos, como ressalta Miyada, que ao mesmo tempo antecipam e catalisam o poder dos depoimentos pessoais multiplicados pelas redes. Nessas peças, a artista solicita do público as suas histórias e faz de sua obra um algoritmo que os processa, publica e armazena. 

Mulheres brasileiras

   Na instrução Emergir (2013/2017), “faça um depoimento de alguma violência que tenha sentido como mulher”, Yoko apresenta de forma inédita nesta individual a participação das brasileiras. Ela convidou publicamente quaisquer mulheres brasileiras a enviarem depoimentos por mensagem via internet ou celular para que ela incluísse na obra, que também é aberta a inclusões durante a exposição. No caso, um outro realiza a obra junto com a artista. Este processo de Yoko exibe os princípios norteadores da sua produção que visa discutir o que há por trás de uma obra de arte, ressaltando a efemeridade do objeto.

Filmes com Lennon

   Entre as obras da exposição há uma série de filmes, dois dos quais com a participação de John Lennon na concepção. Em Estupro (77’, 1969), o músico foi codiretor e em Liberdade (1970), de apenas um minuto, assina a trilha sonora.

Filme de obra

   Arrebatando opiniões em 1964, Yoko Ono apresentou em Tóquio uma performance "Cut piece" em que o público levava para casa um pedaço da roupa dela. Em 1965, ela apresenta novamente a performance em Nova Iorque, no Carnegie Hall quando foi feita uma filmagem de 16 minutos. Depois, ela repetiu a obra em Londres.  

Performance de Yoko ao receber o Leão de Ouro na Bienal de Veneza-Fazer Mundos, em 2009

Performance de Yoko ao receber o Leão de Ouro na Bienal de Veneza-Fazer Mundos, em 2009

“O céu ainda é azul, Você Sabe”

Abertura dia 1 de abril, às 11h, com apresentação da Orquestra de Câmara da ECA-USP, a partir das 17h30.

Término dia 28 de maio, às 20h

Instituto Tomie Ohtake, São Paulo

Nelson Felix se apropria do Museu e fecha Série de 1984

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Marina de Falco mostra pinturas sobre linho

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