“Tão Perto, Tão Distante” reúne gravuras de cinco artistas

“Tão Perto, Tão Distante” reúne gravuras de cinco artistas

Abraçando a Paisagem como temática, a coletiva tem curadoria da doutora Ana Angélica Albano

 A exposição apresenta 36 gravuras em metal, todas formato 40 x 53 cm, produzidas em 2016. São cinco obras de Cris Rocha, sete de Kika Levy, oito de Margot Delgado (reprodução acima, gravura em metal, 2016), oito de Maria Villares e oito de Marisa Fava C. Alves. Durante os últimos dois anos, as artistas têm se reunido regularmente. Os encontros revelaram identificações entre elas, como a temática escolhida, que ganhou diferentes abordagens no processo criativo. “Na seleção de obras, optei pelo desvelamento dos processos, pela (aparente) repetição de imagens que carregam diferenças sutis, incluindo, também, o que poderia ser considerado erro, mas que contém o estranhamento necessário para o surgimento da poesia”, diz a curadora, doutora Ana Angélica Albano, que é professora na Faculdade de Educação da Unicamp.  

Trajetórias exemplares

 As cinco artistas plásticas têm trajetórias de estudo, pesquisa, experimentos, debates, obras concluídas e expostas. Mas, principalmente, conviveram e obtiveram conhecimentos com importantes nomes da Arte, construindo carreiras de inegável sucesso.  

Cris Rocha, gravura em metal, 2016

Cris Rocha, gravura em metal, 2016

 Cris Rocha nasceu em Porto Alegre, em 1967. Vive e trabalha em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1992. Nos anos 80, estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits e, em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Trabalhou no Museu del Grabado, em Buenos Aires, e na Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert, em Porto Alegre. Teve orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de diversos projetos na área de gravura, ente eles, o ‘Projeto Lambe-lambe’. Desde 2006, coordena no Espaço Atelier Cris Rocha e Kika Levy, worskshops, exposições e o projeto educativo “o que é uma gravura?”. Em 2010, coordenou workshops de gravura no Sesc Pompéia e, em 2012 e 2014, na Chapel School em São Paulo. Desde 2013, frequenta o curso “Pintura: prática e reflexão” do artista plástico Paulo Pasta no Instituto Tomie Ohtake. Realizou diversas coletivas e individuais, entre elas “Passos que Imaginei” na Galeria da Gravura (2000) e “Funil” na Galeria Bolsa de Arte (2004). 

Kila Levy, gravura em metal, 2016

Kila Levy, gravura em metal, 2016

 Kika Levy, nasceu em 1963, em São Paulo. Graduada em Desenho Industrial pela Fundação Armando Álvares Penteado-FAAP, em 1985. Pós-graduada em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina (FASM), em 2000. De 2002 a 2006, frequentou o Atelier Piratininga. De 2008 a 2012, coordenou cursos de gravura na Oficina Cultural Oswald de Andrade. De 2010 a 2013, coordenou workshops e cursos de gravura no Sesc Pompéia e Sesc Belenzinho. Desde 2006 coordena o Espaço Atelier [Cris Rocha e Kika Levy] que além de atelier das artistas, oferece workshops, projetos na área de artes e exposições. Com o projeto educativo “O que é uma gravura?” desenvolve workshops e palestras em escolas. Participa regularmente de exposições no Brasil e exterior. 

Margot Delgado, gravura em metal, 2016

Margot Delgado, gravura em metal, 2016

 Margot Delgado, fez curso de Licenciatura em Desenho e Plástica, de forma parcial, na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em 1970. Participou do Ateliê de gravura do Evandro Carlos Jardim na FAAP, em 1976. Também com Jardim, participou do atelier de gravura Francesc Domingues no MAC-USP, em 1993-1994. Em 1998, fez o curo de História da Arte com Rodrigo Naves e sobre o Giotto com Luis Martins, no MASP. Em 2001, fez o curso de photo-etching com Ernesto Bonato no Atelier Piratininga. Realizou diversas mostras individuais, entre elas, ‘Entre Nós’ na Galeria Graphias (2015), “Transparências” na Galeria Gravura Brasileira (2006), “Prova de Artista” no Atelier de Gravura Francesc Domingo / MAC-USP (1994), Gravuras na University of Pennsylvania - Art Departament e no Temple University - Interamerican Studies Center (ambas em 1998) e Gravuras e aquarelas no Brazilian American Cultural Institute - Washington DC (1998). Já participou de mostras coletivas no Brasil e Alemanha, Venezuela, México, Estados Unidos da América, França, Canadá e Argentina, Espanha. Tem uma pesquisa e realização de figurinos para espetáculos de dança. 

Maria Villares, gravura em metal, 2016

Maria Villares, gravura em metal, 2016

 Maria Villares nasceu em 1940, em São Paulo (SP), onde vive e trabalha. Realizou curso sobre História da Arte e da Música com Gilda Seraphico, de 1959-1963. Durante 1977 e 1979, fez cursos com Carlos Fajardo (pintura/desenho), Anna Barros e Sarah Goldman (desenho), Dudi Maia Rosa (gravura em metal) e Ângela Leite (xilogravura). No Centro D’Arte Verrochio, Casole d’Elsa (na Itália) estudou desenho e escultura, em 1987. Estudou monotipias no London Print Studio (na Inglaterra), em 1998. Durante 2000 a 2003, frequentou o Ateliê de Gravura Piratininga, com Ernesto Bonato, e o Ateliê Livre do Museu Lasar Segall com Cláudio Mubarac. Realizou inúmeras mostras individuais, tais como: “Entre Nós” na Graphias Casa de Gravura (2015), Galeria Berenice Arvani (2008), Gravura Brasileira (2006), Galeria UNAMA (em Belém, 2004), Galeria Nara Roesler (2001, 1999 e 1994), Brazilian-American Cultural Institute (nos EUA, 1997) e no Paço Municipal de Santo André (1995). Participou de mostras coletivas no Brasil, Itália, Alemanha, México, Estados Unidos, França e Argentina. Ganhou o primeiro prêmio de desenho no XVII Salão de Arte Contemporânea do MARP, em 1992. 

Marisa Fava C Alves, gravura em metal, 2016

Marisa Fava C Alves, gravura em metal, 2016

 Marisa Fava C. Alves nasceu em 1956, em São Paulo (SP), onde vive e trabalha. Graduou-se pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado-FAAP, em 1979, onde teve orientação com Evandro Carlos Jardim, Regina Silveira, Tomoshigue Kusuno, entre outro. Fez mestrado em Artes, sob orientação da professora doutora Luise Weiss, no Instituto de Artes, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2006 (e co-orientação de Evandro Carlos Jardim). Fez cursos de desenho com Ivaldo Granato, Gregório Gruber, Marcelo Nitsche (todos na Pinacoteca do Estado de São Paulo), Nelson Leirner (ASTER - Centro de Estudos - Artes Visuais) e técnica de pintura japonesa (sumi-ê) com Massao Okinaka. Fez individuais como “Horizonte 360º - Caderno de Anotações”. na Galeria de Arte do Instituto de Artes da Unicamp, em 2007; no Museu Municipal João Batista Conti, em Atibaia/SP, em 1997; “Desenhos e Gravuras” no Centro Universitário Maria Antonia/SP, em 1996. Participou de coletivas como “L’Art Roman vu du Bresil/A Arte Românica visto do Brasil”, na Igreja de Anzy Lu Dec, na França; IV Bienal International Miniature Print Exhitibion, em Vancouver (Canadá), ambas em 2006; exposição e publicação do álbum “Grupo Gravura na Graphias”, na Casa da Gravura, em 2005; “Oficina de Gravura do Sesc Pompéia”, em 2004 e ‘Gravura Jovem’ no MAC-USP, em 1980. 

Originalidade e poesia

  A seguir, reprozudimos o texto da curadora Ana Angélica Albano na íntegra: 

 "No princípio era a gravura e cinco artistas à procura de suas paisagens.

  Unidas pelo amor ao seu ofício, trocam segredos, desvelam caminhos sem, no entanto, misturarem suas imagens que, a despeito da intimidade que vai se instalando no grupo, permanecem originais.

    Quando sou convidada a adentrar a intimidade de seus ateliês, a cada porta que se abre, confirmo a originalidade dos processos, a potência delicada de percursos poéticos tão distintos. E aceito o desafio (e o privilégio), de acompanhá-las na realização de uma exposição.

  A cada visita vejo surgir montanhas, ilhas, aguas profundas, horizontes inalcançáveis, uma casa de praia, árvores diminutas, árvores maiores e descabeladas, nuvens carregadas de tempestades que nunca acontecem, uma cachoeira, um pote, folhagens oníricas, tramas, rosas que deixam entrever um rosto de mulher, o esboço de uma mão…Imagens portadoras de desejos, de sonhos, de mistérios. Histórias silenciosas apresentadas, mas não reveladas, nas imagens transmutadas em gravura na solidão dos ateliês.

  As gravuras, por decisão do grupo, são todas impressas em papéis do mesmo tamanho e tem a paisagem como tema. O formato e o tema, no entanto, são apenas o pretexto para um projeto coletivo, que cada artista realiza à sua maneira.

 Matisse, citando Delacroix, escreveu: feitos os estudos necessários para iniciar uma pintura, é necessário pôr mãos à obra e exclamar: -“E agora, os erros que se danem!” Acrescentando em seguida: é preciso deixar a intuição falar.

  Deixando-me guiar pela intuição, procurei observar com atenção a intuição que havia guiado o percurso de cada artista. E, na seleção das obras, optei pelo desvelamento dos processos, pela (aparente) repetição de imagens que carregam diferenças sutis, incluindo, também, o que poderia ser considerado erro, mas que contém o estranhamento necessário para o surgimento da poesia.

 A intenção é colocar o espectador em contato com o pensamento de cada artista, torna-lo cúmplice de sua poética.

 Um convite para desfrutar um tempo de delicadeza…tão perto, tão distante."

Grupo quer mais

  Esta exposição coletiva é apenas o começo de um Projeto que as cinco artistas começaram a desenvolver em grupo e que inclui, por exemplo, uma exposição de maior porte. Vale acompanharmos de perto essa magnífica iniciativa!


“Tão Perto, Tão Distante”
Dia 11 de março, às 15h, bate-papo com as artistas e a curadora
Término dia 18 de março, às 17h
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